Geral
Painel reúne entusiastas da bicicleta para discutir cicloativismo
André Carvalho
Em um dos debates mais aguardados do Fórum Mundial da Bicicleta, o idealizador da primeira Massa CrÃtica, Chris Carlsson, juntamente com os cicloativistas Henrique Hessel, da organização Voto Livre, do Paraná; e Thiago Bennichio, da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade/SP) explanaram suas ideias no painel: “Bicicletada/Massa CrÃtica: o cicloativismo como agente de mudança para cidades mais humanasâ€, reunindo mais de 70 pessoas no mezanino da Usina do Gasômetro.
Com uma humorada introdução, onde uma animada ciclista, trajada de aeromoça, apresentava o espaço onde os presentes se encontravam, como se fosse um navio pronto para partir rumo a uma viagem sem destino, mas de muito conhecimento sobre bicicletas e as possibilidades de humanização das cidades, Henrique Hessel deu inicio aos trabalhos falando da importância do cicloativismo como transformador de cidades e da importância que existe em mostrar à sociedade como que a bicicleta é uma alternativa benéfica e democrática para a melhoria de diversas questões sociais, assim como para uma melhor qualidade de vida.
Para isso, Hessel buscou trazer como exemplo a situação de Bogotá, na Colômbia, que nos últimos 10 anos tem passado pela polÃtica de cultura cidadã, onde acaba contando com uma participação social mais efetiva e consequentemente, na transformação da cidade para um local mais um humano e harmonioso.
Dentre as diversas ações de mudança da cidade colombiana, a que Henrique destacou foi o fim dos estacionamentos laterais nas principais vias de Bogotá e sua transformação em ciclofaixas. “A consequência dessa mudança?†– questionou ele, logo respondendo -, “diminuição da violência no trânsito, assim como os assaltos a carros, além de um aumento considerável de ciclistasâ€, explicou.
“O problema que vivemos aqui no Brasil – e podemos pegar Curitiba como exemplo por ser uma cidade-modelo em mobilidade urbana para gringo ver -, está na demanda reprimida para o uso de bicicletas. Os governantes não dão a sua devida atenção para este modelo de transporte, e mesmo que haja manifestações, bicicletadas e afins, eles preferem ignorar a dar ouvidos a populaçãoâ€, destacou, dando exemplos de situações em que os polÃticos locais disseram não haver demanda suficiente que justificasse a construção de ciclovias, ou a instalação de bicicletários em pontos estratégicos da cidade.
“Temos 2% da cidade que usam a bicicleta como meio de transporte. E isso que não há ciclovias ou ciclofaixas suficientes. Se as houvessem, esse número chegaria a 5% em pouco tempo. Seria 3% a menos de pessoas conduzindo veÃculos automotores e jogando dióxido de carbono no ar. Seria 3% de pessoas melhorando a sua qualidade de vida, se exercitando e vivendo melhor a cidade onde moramâ€, concluiu.
“A Massa CrÃtica é o grande big-bang da mobilidade urbana nas grandes cidadesâ€
Já Thiago Bennichio, em sua fala, buscou fazer uma reflexão do evento Massa CrÃtica. Para ele, a pedalada é, mais que um protesto, uma união por varias ideias. “A massa crÃtica é quando pessoas isoladas e com olhares diferentes da cidade se encontram para levantar varias bandeiras e ao mesmo tempo nenhumaâ€, argumentou.
Para Bennichio, a bicicletada é o grande big-bang da mobilidade urbana nas grandes cidades, desde que a bicicleta passou a ser considerada como um objeto de lazer. “Desde 92, quando o Chris Charlsson e seus amigos botaram as suas bicicletas na rua que elas, pouco a pouco, vêm sendo tratadas como um meio de transporte e como alternativa aos veÃculos poluentesâ€, defendeu.
Entretanto, apesar de acreditar que a bicicleta seja um veÃculo democrático, Thiago aponta que ela não é um fim, mas sim, um meio para transformar as cidades e que não é favorável ao uso do termo cicloativismo, pois, ele acaba estigmatizando o sujeito como contra os carros, os transportes públicos e urbanos, o que não necessariamente seja verdade. “Há pessoas que nem entram em carros, mas outros que podem ser a favor das causas da bicicleta e também defender as melhorias nos transportes públicos. Pode até ter um carro e isso não significa que ele é mais ou menos cicloativista que o outroâ€, destacou.
Por fim, na opinião dele, o melhor caminho para a transformação das cidades esta na radicalização. Entretanto, ele explica: “as pessoas tendem a associar ‘radical’ com ‘violência’, mas o radical é buscar na raiz das coisasâ€, explica. O entusiasta da bicicletada argumenta que é importante que a sociedade tenha, o que o Chris Charlsson chama de, “paciência radicalâ€.
Para explicar o significado do termo ele relacionou a pressa de se resolver as coisas no Brasil e o método de decisão zapatista. “No brasil há uma grande pressa para se resolver as coisas, porém, um exemplo claro como as coisas não funcionam assim está nos zapatistas, que passam dias e dias e dias discutindo uma ideia até que todos, em consenso possam compreender e solucionar ou aplicar. Isso é paciência radicalâ€.
Para Chris Charlsson, a Massa CrÃtica é movido pelo inconsciente coletivo de buscar mudanças
Em uma forma de aula de historia que normalmente não se é dada nas escolas, tanto brasileiras quanto dos EUA, Chris Charlsson, com a ajuda de um tradutor, explicou como a sociedade civil de San Franscisco se uniu para pressionar os governantes para a construção de freeways, e vias de alta velocidade, que ligassem os pequenos centros aos grandes centros. A partir desse raciocÃnio, ele linkou esta ideia ao da construção da Massa CrÃtica.
â€Nos anos 70, com a crise do petróleo, o uso da bicicleta se torna muito comum. Entretanto, nos anos 80, volta-se a utilização dos carros até que em 1992 a cidade volta a ver bicicletas ocupando as vias e o movimento ciclÃstico inciou-se com muita pressãoâ€.
Charlsson destacou que a Massa CrÃtica é movido pelo inconsciente coletivo que leva o sujeito a pedir mudanças quando não concorda com a forma que a sua cidade é conduzida. “Há 20 anos surgiu a Massa Critica e reuniu 40 pessoas, hoje ela chega a reunir 3, 4, 5 mil pessoas, só em San Francisco. Com a pressão dos ciclistas, a cidade ganhou ciclovias. Poucas, é verdade, mas os governantes já estão prestando atenção nas necessidades da sociedadeâ€, destacou.
Segundo ele, a construção da primeira Massa CrÃtica foi muito difÃcil, pois muitas pessoas tentavam desencorajá-los, dizendo que não seria assim que conseguiram conquistar as desejadas mudanças. Na opinião dele “é muito fácil parar as coisas já iniciadas, e isso vale pra qualquer ação em movimento, mas é muito difÃcil iniciar coisas que não existem. Curiosamente, foi iniciando algo inexistente que as coisas começaram a mudar em San Fransicso. Ninguém acreditava que seria possÃvel. Muitos até hoje, mesmo com muitas mudanças, seguem criticando, seguem achando utopico, mas estamos aqui, no Fórum Mundial da Bicicleta que somos movidos pela utopia de mudar as coisasâ€, finalizou.
André Carvalho
Em um dos debates mais aguardados do Fórum Mundial da Bicicleta, o idealizador da primeira Massa CrÃtica, Chris Carlsson, juntamente com os cicloativistas Henrique Hessel, da organização Voto Livre, do Paraná; e Thiago Bennichio, da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade/SP) explanaram suas ideias no painel: “Bicicletada/Massa CrÃtica: o cicloativismo como agente de mudança para cidades mais humanasâ€, reunindo mais de 70 pessoas no mezanino da Usina do Gasômetro.
Com uma humorada introdução, onde uma animada ciclista, trajada de aeromoça, apresentava o espaço onde os presentes se encontravam, como se fosse um navio pronto para partir rumo a uma viagem sem destino, mas de muito conhecimento sobre bicicletas e as possibilidades de humanização das cidades, Henrique Hessel deu inicio aos trabalhos falando da importância do cicloativismo como transformador de cidades e da importância que existe em mostrar à sociedade como que a bicicleta é uma alternativa benéfica e democrática para a melhoria de diversas questões sociais, assim como para uma melhor qualidade de vida.
Para isso, Hessel buscou trazer como exemplo a situação de Bogotá, na Colômbia, que nos últimos 10 anos tem passado pela polÃtica de cultura cidadã, onde acaba contando com uma participação social mais efetiva e consequentemente, na transformação da cidade para um local mais um humano e harmonioso.
Dentre as diversas ações de mudança da cidade colombiana, a que Henrique destacou foi o fim dos estacionamentos laterais nas principais vias de Bogotá e transformando-as em ciclofaixas. “Aconsequência dessa mudança?†– questionou ele, logo respondendo -, “diminuição da violência no trânsito, assim como os assaltos a carros, além de um aumento considerável de ciclistasâ€, explicou.
“O problema que vivemos aqui no Brasil – e podemos pegar Curitiba como exemplo por ser uma cidade-modelo em mobilidade urbana para gringo ver -, está na demanda reprimida para o uso de bicicletas. Os governantes não dão a sua devida atenção para este modelo de transporte, e mesmo que haja manifestações, bicicletadas e afins, eles preferem ignorar a dar ouvidos a populaçãoâ€, destacou, dando exemplos de situações em que os polÃticos locais disseram não haver demanda suficiente que justificasse a construção de ciclovias, ou a instalação de bicicletários em pontos estratégicos da cidade. “2% da cidade usa a bicicleta como meio de transporte. E isso que não há ciclovias ou ciclofaixas suficientes. Se as houvessem, esse número chegaria a 5% em pouco tempo. Seria 3% a menos de pessoas conduzindo veÃculos automotores e jogando dióxido de carbono no ar. Seria 3% de pessoas melhorando a sua qualidade de vida, se exercitando e vivendo melhor a cidade onde moramâ€, concluiu.
“A Massa CrÃtica é o grande big-bang da mobilidade urbana nas grandes cidadesâ€
Já Thiago Bennichio, em sua fala, buscou fazer uma reflexão do evento Massa CrÃtica, onde ele defende que é mais que um protesto, mas sim, uma união por varias ideias. “A massa crÃtica é quando pessoas isoladas e com olhares diferentes da cidade se encontram para levantar varias bandeiras e ao mesmo tempo nenhumaâ€, argumentou.
Para Bennichio, a bicicletada é o grande big-bang da mobilidade urbana nas grandes cidades, desde que a bicicleta passou a ser considerada como um objeto de lazer. “Desde 92, quando o Chris Charlsson e seus amigos botaram as suas bicicletas na rua que elas, pouco a pouco, vêm sendo tratadas como um meio de transporte e como alternativa aos veÃculos poluentesâ€, defendeu.
Entretanto, apesar de acreditar que a bicicleta seja um veÃculo democrático, Thiago aponta que ela não é um fim, mas sim, um meio para transformar as cidades e que não é favorável ao uso do termo cicloativismo, pois, ele acaba estigmatizando o sujeito como contra os carros, os transportes públicos e urbanos, o que não necessariamente seja verdade. “Há pessoas que nem entram em carros, mas outros que podem ser a favor das causas da bicicleta e também defender as melhorias nos transportes públicos. Pode até ter um carro e isso não significa que ele é mais ou menos cicloativista que o outroâ€, destacou.
Por fim, na opinião dele, o melhor caminho para a transformação das cidades esta na radicalização, entretanto ele explica: “as pessoas tendem a associar ‘radical’ com ‘violência’, mas o radical é buscar na raiz das coisasâ€, explica. O entusiasta da bicicletada argumenta que é importante que a sociedade tenha, o que o Chris Charlsson chama de, “paciência radicalâ€. Para explicar o significado do termo ele relacionou a pressa de se resolver as coisas no Brasil e o método de decisão zapatista. “No brasil há uma grande pressa para se resolver as coisas, porém, um exemplo claro como as coisas não funcionam assim, esta nos zapatistas, que passam dias e dias e dias discutindo uma ideia até que todos, em consenso possam compreender e solucionar ou aplicar, isso é paciência radicalâ€.
Para Chris Charlsson, a Massa CrÃtica é movido pelo inconsciente coletivo de buscar mudanças
Em uma forma de aula de historia que normalmente não se é dada nas escolas, tanto brasileiras quanto dos EUA, Chris Charlsson, com a ajuda de um tradutor, explicou como a sociedade civil de San Franscisco se uniu para pressionar os governantes para a construção de freeways, e vias de alta velocidade, que ligassem os pequenos centros aos grandes centros. A partir desse raciocÃnio, ele linkou esta ideia ao da construção da Massa CrÃtica.
â€Nos anos 70, com a crise do petróleo, o uso da bicicleta se torna muito comum, entretanto, nos anos 80, volta-se a utilização dos carros até que em 1992 a cidade volta a ver bicicletas ocupando as vias e o movimento ciclÃstico inciou-se com muita pressãoâ€.
Charlsson destacou que a Massa CrÃtica é movido pelo inconsciente coletivo que leva o sujeito a pedir mudanças quando não concorda com a forma que a sua cidade é conduzida.“Há 20 anos surgiu a Massa Critica e reuniu 40 pessoas, hoje ela chega a reunir 3, 4, 5 mil pessoas, só em San Francisco. Com a pressão dos ciclistas, a cidade ganhou ciclovias, poucas, é verdade, mas os governantes já estão prestando atenção nas necessidades da sociedadeâ€, destacou.
Segundo ele, a construção da primeira Massa CrÃtica foi muito difÃcil, pois muitas pessoas tentavam desencorajá-los, dizendo que não seria assim que conseguiram conquistar as desejadas mudanças. Na opinião dele “é muito fácil parar as coisas já iniciadas, e isso vale pra qualquer ação em movimento, mas é muito difÃcil iniciar coisas que não existem. Curiosamente, foi iniciando algo inexistente que as coisas começaram a mudar em San Fransicso. Ninguém acreditava que seria possÃvel. Muitos até hoje, mesmo com muitas mudanças, seguem criticando, seguem achando utopico, mas estamos aqui, no Fórum Mundial da Bicicleta que somos movidos pela utopia de mudar as coisasâ€, finalizou.





Ok, desde que respeitem os pedestres e os sinais de trânsito, podem militar à vontade.