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Atropelador de ciclistas pode ser enviado a júri popular

Quatro das cinco testemunhas de defesa foram ouvidas na manhã desta sexta-feira | foto: Ramiro Furquim/Sul21

André Carvalho

Após pouco mais de três horas, encerrou no início da tarde desta sexta-feira (02) a última audiência da fase de instrução do processo contra Ricardo José Neis, atropelador de 17 ciclistas no dia 25 de fevereiro. Na sessão, foram ouvidas quatro das cinco testemunhas de defesa intimadas a depor a favor do réu. Uma foi dispensada por problemas de saúde. Ao final, houve também o interrogatório da promotoria à Neis, que a promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari qualificou como algo “lamentável”. “Faltou humildade por parte do réu, que culpava com veemência os ciclistas da Massa Crítica pelo fato, procurando se inocentarâ€, disse Callegari. Em um prazo de cinco dias, deve ser definido se Neis será ou não encaminhado a júri popular.

Ricardo Neis, que evitou contato com a imprensa, aparentava um estado de cansaço. Ele estava de cadeira de rodas por ter sofrido um acidente doméstico. Segundo seus advogados, Neis quebrou os tornozelos após cair do muro de sua casa, motivo que o fez se ausentar da audiência do dia 21 de outubro.

Das testemunhas, foram ouvidos dois colegas de trabalho; um motorista que estava atrás dele no dia do atropelamento; e uma senhora que declarou ter presenciado outro tipo de tumulto envolvendo a Massa Crítica, mas que não estava presente no dia. Segundo o promotor Eugênio Amorim, esta última foi descarregar sua raiva contra ciclistas. “Ela declarou que em agosto de 2010, presenciou um conflito entre um motorista e ciclistas, que ela não sabia afirmar se eram participantes da Massa Críticaâ€.

Para o promotor Eugênio Amorim, "as testemunhas de defesa mais prejudicaram do que ajudaram o réu" | Foto: Naian Sader/Especial

Amorim afirmou também que o motorista atrás do Neis depôs indiretamente contra o atropelador. “Em seu depoimento, ele afirmou ter visto o conflito inicial entre Ricardo e alguns ciclistas, no início da Avenida José do Patrocínio, porém, por segurança achou melhor dobrar a esquerda, coisa que Neis deveria ter feito, mas não fezâ€.

“Graças a esse argumento, a solicitação de perícia dos vídeos; reconstituição do cenário; e da trajetória de Neis para tentar provar a versão apresentada pela defesa, de que seu cliente foi agredido antes de reagir, foi indeferido pelo juizâ€, destacou o promotor.

Curiosamente, o filho de Ricardo Neis, que estava no carro no dia do atropelamento, não foi uma de suas testemunhas. Segundo o advogado Alexandre Luis Maziero, a defesa achou melhor preservar o garoto. “Além dele ser menor de idade (15 anos), ele ainda está muito abalado com o casoâ€, afirmou.

Ao final da audiência, o Juiz substituto Leandro Raul Klippel deu cinco dias para a defesa se manifestar sobre o fechamento do caso. Caso os argumentos apresentados sejam novamente indeferidos ou não sejam apresentados, o Juiz decidirá se o julgamento irá à Júri Popular ou não. Há a possibilidade do processo ser encaminhado para a Vara Criminal, caso seja comprovada a intenção de lesionar os ciclistas.

Cerca de 15 ciclistas estiveram na frente do Fórum Central para protestar | Foto: Naian Sader/Especial

Ciclistas protestam no Fórum Central

Cerca de 15 cicloativistas estiveram presentes na frente do Fórum Central para manifestar o seu repúdio a Ricardo José Neis. Com cartazes que diziam “legítima covardiaâ€, o grupo pretendia acompanhar a audiência, porém, a sessão não foi aberta ao público.

“Nós queremos que a justiça seja feita contra este assassino. Queremos mostrar que não nos esquecemos do trágico atropelamento, que repercutiu mundialmente e que abalou a todos nós. Estamos atentos a todos os movimentos desse processoâ€, declarou um dos manifestantes.

Os 17 ciclistas atropelados por Neis participavam da tradicional pedalada protagonizada pela Massa Crítica, que ocorre toda última sexta-feira do mês. Logo após um desentendimento entre Neis e os ciclistas, o veículo acelerou por cima dos integrantes da pedalada, vindo de trás. Oito pessoas foram atendidas no Hospital de Pronto Socorro da capital gaúcha. Após a agressão, o veículo fugiu, sem prestar socorro às vítimas.

Ricardo José Neis abandonou o carro, com os vidros quebrados, em uma região pouco movimentada do bairro Partenon, em Porto Alegre. Os advogados do bancário alegam que Neis teria cometido o ato para proteger a si mesmo e seu filho de uma tentativa de linchamento por parte dos ciclistas.

Comentários (18)
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Comentário de: Ary | 2 de dezembro de 2011 | 17:24

O fato do psicopata ter esperado os ciclistas se adiantarem para, então atropelá-los, caracteriza dolo. Júri nele!

Comentário de: Marcelo Tskin | 2 de dezembro de 2011 | 17:43

Que a justiça seja feita.

Comentário de: Jorge Loeffler | 2 de dezembro de 2011 | 23:08

Para que julgar? A imprensa e os baderneiros ciclistas já fizeram isto. Fixem logo a pena e o joguem na cadeia. Não me lembro de ter visto, ouvido ou lido nos meios de comunicação de Porto Alegre alguém com um pouco mais de conhecimento técnico dizendo ter havido colisão ou abalroamento. Todos falam em atropelamento. Só poderia ter havido atropelamento se todos estivessem caminhando ou parados, mas desembarcados de seus veículos. Veículos sim, pois são tracionados. Igualmente não vi li ou ouvi cobrança da Prefeitura pela ausência de ciclovias assim como a exigência de equipamentos para circulação de bicicletas à noite e ainda que essas assim como carroças devam ser registradas pela Prefeitura. Por favor, leiam o Código Brasileiro de Trânsito. Jornalismo é coisa séria e não basta para tal a posse de um diploma. É preciso muito mais, especialmente vontade de buscar o conhecimento e sobre tudo a verdade.

Comentário de: A.S. | 3 de dezembro de 2011 | 0:40

Esse vai se dar mal. Já era. Que sirva de lição aos motoristas esquentadinhos. O carro pode se transformar em uma arma, contra os outros e contra si proprio.
Esse já está condenado, ningúem vai esquecer esssa latinha tão cedo. Mas uns seis meses numa jaula pode ser útil, pelo efeito pedagógico.

Comentário de: Marcelo Tskin | 3 de dezembro de 2011 | 2:50

O problema do júri, nesse caso, é saber se eles farão um julgamento com base nas evidências, ou condenarão o réu com medo da pressão que possam vir a sofrer dos cicloativistas. Complicado.

Comentário de: Daniel | 3 de dezembro de 2011 | 3:00

Olha só o Jorge Loeffler falando em ‘julgamento’! Ele já julgou os ciclistas de “baderneiros” e ainda sai para defender o atropelador com esse papo de “colisão e abalroamento”. Será que ele viu o vídeo da tentativa de assassinato por parte do atropelador psicopata? Duvido.

Comentário de: Luís Carlos Bulek | 3 de dezembro de 2011 | 3:34

Jorge Loeffler, vocês está maluco camarada ?
Os ciclistas estavam fazendo uma bicicletada, se você não sabe o que é, vou te explicar, é um movimento que visa justamente chamar atenção das autoridades para que os ciclistas sejam vistos e respeitados no trânsito das cidades brasileiras, um movimento que pede por ciclovias, ciclofaixas, e por mais respeito dos motoristas pelos ciclistas. E o que este cidadão fez, foi uma tentativa de homicídio sim, ele deliberadamente acelerou e tocou o carro em cima de uns 100 ciclistas. Deu pra entender, o sujeito tocou um carro em cima das pessoas, por sorte não matou ninguém. Baderneiros, nós ciclistas ???? Todos os dias eu tenho que conviver com muitos “baderneiros motoristas”, que não tem o minimo de respeito pela vida dos outros no trânsito.

Comentário de: Jeferson | 3 de dezembro de 2011 | 13:40

Não vou declinar nomes para não ser grosseiro como os comentadores que eu pretedo criticar. Agora, essa tentativa de homicídio está mostrando como o Porto Alegre faz brotar gente limitada, mesquinha, ressentida e ignorante. E, vou dizer, não é falta de educação formal, nem falta de informação. É falta de humanidade e cuidado com o outro.

Comentário de: Elenilton Neukamp | 3 de dezembro de 2011 | 14:20

Este Jorge Loeffler existe mesmo, ou é alguém fazendo brincadeiras de mau gosto? O comentário é tão tosco que nem parece verdadeiro…

Comentário de: Diogo Terra | 3 de dezembro de 2011 | 16:01

Engraçado como quaisquer grupos que militem por uma causa são vítimas do ataque de alguns. O pessoal da Massa Crítica apenas pretende nos alertar para os perigos do trânsito e pelo uso de bicicletas… e toma pau. De gente ignorante, desqualificada e reacionária. Que jamais poderia ter acesso a um carro.

Pingback de: Atropelador de ciclistas pode ser enviado a júri popular | Vá de Bici | 3 de dezembro de 2011 | 20:19

[...] melhor e mais completa matéria que encontrei sobre a audiência desta sexta-feira, do [...]

Comentário de: Gustavo Melo | 3 de dezembro de 2011 | 22:39

Tenho batido nesta tecla desde que aconteceu este fato. Como sou motorista, os ciclistas em questão não querem ouvir, apenas acusar, qualquer motorista de ser destruidor comedor de criancinhas doido.

Qualquer pessoa que já tenha utilizado o carro na cidade baixa, sabe desta possibilidade :

Amorim afirmou também que o motorista atrás do Neis depôs indiretamente contra o atropelador. “Em seu depoimento, ele afirmou ter visto o conflito inicial entre Ricardo e alguns ciclistas, no início da Avenida José do Patrocínio, porém, por segurança achou melhor dobrar a esquerda, coisa que Neis deveria ter feito, mas não fezâ€.

A Massa Crítica, muitas vezes prejudica os outros, como por exemplo no tráfego de ambulâncias ou ainda nas aulas das faculdades do centro, da qual sou aluno e já presenciei a interrupção das aulas devido ao ruído causado por este movimento.

A visão míope e estreita deste grupo, não se dá conta que, se atrai mais moscas com mel do que com limão… proposições pró-ativas e amigáveis. É isso que torna um movimento em uma parte respeitável da sociedade, como o GREENPEACE, por exemplo.

Comentário de: André Monteiro | 4 de dezembro de 2011 | 0:34

Gustavo, só para lhe informar: sempre que há uma ambulância, bombeiro, viatura da polícia, ou até mesmo um veículo com alguém mal, (como já vi acontecer), a Massa para e abre caminho para deixar o veículo passar.

E sobre o caso da aula. Che, não sejamos exagerados. A Massa Crítica ocorre uma vez por mês, ou seja, se atrapalhou uma aula, foi por, no máximo, cinco minutos em uma sexta-feira. Aposto que os barulhos dos carros que ali passam, atrapalham bem mais do que cinco minutos mensais dos terríveis ruídos dos “trin-trins” das sinetinhas…

Comentário de: Marcelo Tskin | 4 de dezembro de 2011 | 2:19

Bom, eu já vi o Massa Crítica trancar uma grande avenida, passando pelo sinal vermelho, além de ultrapassar o sinal de pedestres (e a faixa de segurança) que estava aberto para estes. Ao interromper o cruzamento, 3 ou 4 ciclistas levantaram suas bikes na frente dos carros que vinham pela outra avenida (no caso, a via para o qual o sinal estava aberto). E como se pode ver nesse vídeo, os barulhos não apenas das sinetinhas http://www.youtube.com/watch?v=oUF6V0vykVU&feature=related

Se a ideia é promover um trânsito mais consciente, como menos automóveis, e mais educação, não faz muito sentido desrespeitar as leis de trânsito (cadê o direito dos pedestres?), se é para trancar os cruzamentos, o ideal seria a participação de agentes de trânsito.
Concordo com o movimento, mas acho que algumas atitudes depõem contra. Mas aí se a gente faz qualquer tipo de crítica, já dizem que estamos apoiando o Neis hehehe

O que me preocupa nesse caso, e se ele for enviado a júri popular, é que o júri pode decidir temendo algum tipo de manifestação contrária do movimento, como protestos, ou até mesmo a identificação dos membros do júri posteriormente, tendo seus nomes divulgados na internet. Lembro que, logo após o atropelamento (ou tentativa de homicídio), divulgaram que o nome do motorista era Ricardo Neif. E começaram, inclusive, a fazer ataques a um outro Ricardo Neis no facebook. Esse tipo de pressão, como fazer protestos em frente a tribunais, não faz bem para o bom andamento da Justiça. Posso dar um outro exemplo. O caso Sean Goldman. Seria um caso de fácil resolução, já que as leis internacionais são bem claras à respeito. A questão é que a classe média carioca, e até mesmo artistas da Globo, resolveram tomar partido. Já foram realizadas diversas passeatas defendendo a permanência do garoto no Brasil. Até hoje, o caso ainda não foi totalmente resolvido. Pq? Ora, pq uma das partes interessadas tem grande poder de influência na sociedade.
Justiça não significa “quem grita mais leva”.

Comentário de: Marcelo Tskin | 4 de dezembro de 2011 | 2:27

Antes que me ataquem: não sou motorista. Sou pedestre e usuário de transporte coletivo. Como pedestre, já corri diversos riscos devido ao mau comportamento de motoristas. Por 2 ou 3 vezes, quase fui atropelado no sinal de pedestres, sobre a faixa de segurança, com o sinal fechado para os carros. Felizmente, adquiri o hábito de não confiar mais nem mesmo na sinaleira de pedestres hehehe (vejam o absurdo!). Morei diversos anos numa grande avenida, e já testemunhei todo o tipo de absurdo. Carros que não davam lugar para ambulâncias com a sirene ligada nos cruzamentos. Motoristas que atropelavam motociclistas e fugiam do local do acidente, etc… Além das infrações corriqueiras, como as conversões em local proibido, estacionamento, carros que param sobre a faixa, etc…
Por sinal, acho engraçado que todo o motorista de POA é um injustiçado. Sempre que são multados, a culpa é do agente, e não deles. Pelo que falam, o trânsito da nossa cidade é o melhor do mundo.

Comentário de: Márcio Viega | 5 de dezembro de 2011 | 11:33

Não é caso de julgar o movimento da bicicletas, comum no mundo td. Ciclistas não são bardeneiros e nem motoristas psicopatas. É preciso ser objetivo. É justificável a ação do motorista? Em futuras manifestações públicas, q. envolvam bloqueios ou caminhadas em avenidas, é aceitável uma conduta do tipo? Atos de protesto ou greve mediante autorização pública? Seria um protesto! Nem se fale do trânsito de ambulância ou emergência do gênero, até poque, não ocorrido na hipótese, não passando de mera suposição. E mesmo q. fosse, haveria outra possibilidade? Creio q. está equivocado o Jorge Loeffler e outros da mesma tese. Um “motorista” deve ter pleno controle sobre si e o veículo e não ter apenas uma CNH e achar q. é o unico com direito divino de trafegar na via pública. Agiria assim tb em outros paises? O carro é como uma arma, vc pode usá-lo com segurança ou fazer uso com sua raiva em quaquer contrariedade da vida. E aquela, era um mero aborrecimento do trânsito. É evidente o dolo do agente, que é sujeito capaz e lúcido, ao intentar contra a vida de outros, cuja circunstância decorreu de fato alheio a própria vontade, vindo a causar lesões corporais graves e danos. Seja por abalrroar ou atropelar, sendo, portanto, cabível a pronúncia e julgamento pelo Tribunal do Juri. Afinal, foi ato doloso, e crime contra vida. Certamente, a defesa terá oportunidade p/ tentar desclassificar, se for o caso.

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