Política
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1 de agosto de 2021
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17:23

Bolsonaro volta a ameaçar eleições e chama manifestantes por voto impresso de ‘meu exército’

Apesar de não ter provas, presidente manteve tom agressivo a favor do voto impresso e renovou as suspeitas sobre a urna eletrônica. Foto: Carolina Antunes/PR
Apesar de não ter provas, presidente manteve tom agressivo a favor do voto impresso e renovou as suspeitas sobre a urna eletrônica. Foto: Carolina Antunes/PR

Afonso Bezerra
Do Brasil de Fato

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), voltou a defender o voto impresso e a colocar em dúvida a realização das eleições em 2022. Por meio de vídeochamada, ele discursou para apoiadores que se reuniram em algumas capitais, neste domingo (1), para defender “a contagem pública dos votos e voto impresso”. Há registro de mobilizações em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Recife.

Um dos vídeos, exibido em Brasília,  foi publicado no canal do YouTube do presidente. Em um trecho, ele voltou a ameaçar a realização do pleito do próximo ano. “Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleições”, disparou.

Alimentando a narrativa anticomunista com mensagens de temor para uma eventual vitória do Partido dos Trabalhadores na próxima eleição, Bolsonaro chamou os manifestantes de “meu Exército” e continuou insistindo na tese de que as eleições de 2018 “tiveram indícios de fraude”, sem apresentar provas.

“Vocês são, de fato, o meu Exército, o nosso exército…para fazer com que a vontade popular seja expressada na contagem pública dos votos”, discursou.

Em outro trecho do vídeo, ele atacou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral(TSE), o ministro Luiz Roberto Barroso, o acusando de orientar os líderes partidários da Câmara dos Deputados sobre a indicação dos parlamentares que compõem a Comissão responsável pela apreciação da PEC do voto impresso, de autoria da deputada federal Bia Kicis(PSL – DF). O texto propõe voto impresso e contagem pública dos votos.

“O ministro, que deveria ser o primeiro a estar do lado da transparência das eleições, está exatamente do outro lado. As provas, sr. Ministro Barroso, se faz com indícios”, atacou o presidente. Ele ainda continuou com ataques acusando quem oferece dados sobre a precariedade do voto impresso de mentirosos. “Quem é fala que ele é auditável e seguro é mentiroso”.

Esta não é a primeira vez que o presidente atacou a urna eletrônica e defendeu o voto impresso. Integrantes da oposição tem avaliado que este discurso é uma forma de tumultuar a eleição do ano que vem e anular, arbitrariamente, uma possível derrota nas urnas. Até o momento, as pesquisas têm apontado Bolsonaro atrás do seu principal adversário: o ex-presidente Lula.

Ao ameaçar cancelar a eleição, o presidente tem espalhado dúvidas sobre o processo eleitoral. Em live transmitida na quinta-feira(26), ele confessou não ter provas, mas “indícios” de fraudes. O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu, em tempo real, as acusações levantadas pelo presidente.


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