Meio Ambiente
|
15 de outubro de 2022
|
06:35

Via Campesina celebra Dia da Alimentação contra a fome e o agronegócio, neste domingo (16)

Por
Sul 21
[email protected]
Plantio de árvores no acampamento Kide, em SC (Foto: Juliana Adriano)
Plantio de árvores no acampamento Kide, em SC (Foto: Juliana Adriano)

Movimentos sociais ligados à Via Campesina promovem neste domingo (16), mobilizações e atos em vários países para marcar a passagem do Dia Mundial da Alimentação e da Soberania Alimentar. Será um dia todo de ações para ampliar a demanda pela Soberania Alimentar, denunciar a expansão destrutiva e violações dos direitos humanos promovidas pelas corporações transnacionais do agronegócio, que ampliam a fome e a insegurança alimentar.

Nesta data, escolhida para lembrar a criação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 1945, as organizações integrantes da Via Campesina, realização atos, protestos, plantios, doações de alimentos, debates e formações, com o objetivo de desenvolver uma reflexão a respeito da alimentação no mundo, com o mote: “Ação pela Soberania Alimentar dos Povos contra Corporações Transnacionais”.

Segundo os dados deste ano do relatório divulgado pela FAO, lançado em conjunto com outras entidades que conformam a Organização das Nações Unidas (ONU), existem atualmente ao menos 828 milhões de pessoas passando fome em todo o mundo, e cerca de 30% da população global não tem acesso à alimentação adequada.

Atos lembrarão causas da ampliação da fome no fundo (Foto: MST/BA)

“É inaceitável que a população passe fome quando há comida suficiente para todos e todas”, afirmam as organizações manifestantes sob a constatação de que há produção de alimentos suficientes no mundo. Ou seja, o que define quem come ou não é a desigualdade social.

Por que pessoas passando fome?

“A maior parte dos alimentos produzidos, ao invés de alimentar as pessoas, é utilizada como agrocombustível e ração animal. Rejeitamos este modelo neoliberal que vai contra nossa visão coletiva de solidariedade, harmonia com a natureza, justiça, unidade e paz.” denunciam coletivamente as organizações que compõem a Via Campesina, enfatizando a responsabilidade das corporações do agronegócio como agenciadoras da fome e da destruição ambiental, onde se deveria produzir alimentos saudáveis para a população.

Atualmente, cerca de 33,1 milhões de brasileiros/as vivem em situação de fome, e 125,2 milhões de brasileiros/as vivem com algum grau de insegurança alimentar, número que corresponde a mais da metade (58,7%) da população do país. São 14 milhões a mais que em 2020, em quadro equivalente ao da década de 1990. Os dados são do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).

Na comparação com 2020, a insegurança alimentar aumentou em 7,2%. Já em relação a 2018, o avanço chega a 60%. De acordo com a coordenação da Rede PENSSAN, a perda da segurança alimentar no Brasil está diretamente relacionada à atuação governamental, considerando que as políticas públicas de combate à extrema pobreza desenvolvidas entre 2004 e 2013 restringiram a fome a apenas 4,2% dos domicílios brasileiros.

I Festival de Cultura Alimentar e Participação Popular em São Paulo

Durante o marco das mobilizações do Dia Mundial da Alimentação e Soberania Alimentar, o MST estará junto com diversas entidades que atuam no combate à fome, durante a realização do I Festival de Cultura Alimentar e Participação Popular, que ocorre no Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional (CRESAN) da Vila Maria, na Rua Sobral Junior, 264, com o apoio do Banco de Alimentos Municipal de São Paulo.

O Festival terá programação vasta e é aberto ao público neste domingo (16), das 10h às 18h, contando com atividades culturais, oficinas e comidaço.

Entre as atividades confirmadas haverá aula pública com a presença de João Pedro Stédile, da direção nacional do MST, a mostra Cinema Entretodos – voltado tanto para o público adulto e infantil – além de ato simbólico da entrega de diretrizes de políticas públicas desenvolvidas ao Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de São Paulo (COMUSAN-SP), com recomendações sobre II Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (PLAMSAN) de São Paulo/SP.

Com informações do MST e da Via Campesina


Leia também
Compartilhe:  
Assine o sul21
Democracia, diversidade e direitos: invista na produção de reportagens especiais, fotos, vídeos e podcast.
Assine agora