Marcelo Carneiro da Cunha
Querida, vão encolher o Rio Grande!
Pois estimadíssimos sulvinteumenses, se tudo deu certo, e parece que deu, cá estamos nós – com exceção dos tradicionalistas, que preferem qualquer coisa ao sul de 1950 -, no novo e ainda indefinido 2012.
Na semana passada tivemos o nosso último encontro colunável de 2011 e o clima foi tenso, por conta de umas coisas que eu falei do PC do B e que uns talvez tenham entendido como crítica, quando eram apenas uma sugestão para que ele sumisse do mapa. Enfim, quando os leitores não compreendem, diz o Veríssimo, a culpa é de quem escreveu. Mea culpa, mea culpa, mea culpa.
Pois hoje, lendo o tuíte nosso de cada dia me deparo com matéria do Valor que citava uma pesquisa da Unisinos e que mostra que o RS vai encolher mais rapidamente do que o restante do país, e não exatamente porque migramos muito, o que já foi verdade nos anos 70 e 80, mas não mais. Além da baixa fecundidade, o que o estudo mostra é que o problema não está nos gaúchos estarem deixando o estado, mas sim no fato de quem ninguém mais está indo para aí.
Sabem o que acontece com uma sociedade que não tem bebês e que ainda deixa de receber pessoas vindas de fora?
Como comparação, a Europa e o Japão vivem o pesadelo de um futuro sem jovens europeus e japoneses em número suficiente para sustentar os que envelhecem. A Rússia, pelo que leio, está desaparecendo.
Os Estados Unidos, que também tem uma baixíssima taxa de natalidade riem do problema, porque eles atraem imigrantes em número mais do que suficiente para compensar e sobrar. E imigrantes, caríssimos leitores, trazem energia, disposição para o trabalho e carga genética para enriquecer ainda mais o que já existe nos lugares onde chegam. A Austrália e Canadá dão um koala e um boneco de neve para pessoas qualificadas que resolverem migrar.
O Brasil entra muito bem nessa nova onda de migrações, estimados Su21enses. Somos a bola da vez e a coisa mais fácil é pensar para onde um jovem qualificado e talentoso vai querer viver a vida BRIC: Rússia, China, Índia, ou aqui, onde canta o sabiá?
Uma matéria do jornal português Público repercutiu bastante, mostrando a enorme quantidade de jovens lusos vindo para cá. E ninguém precisou me mostrar a matéria para eu saber que ela era correta. Basta eu sair aqui por São Paulo para encontrar mais e mais deles, por toda parte.
Indo até a Zona Leste onde estão as fabriquetas que a Zara contrata e onde trabalhadores sul-americanos são bastante explorados, vejo casais de jovens bolivianos e peruanos, já com filhinhos brasileiros, caminhando aos domingos pela sua nova cidade, seu novo país. As coisas devem ser duras para eles, mas eles vão superar as dificuldades, os filhos vão falar português e se juntar a nós, no nosso amálgama brasileiro, que não é igual, ideal, mas existe e funciona. Quando eles são liberados das tais empresas que os exploram, eles não são deportados, como seriam nos Estados Unidos, já notaram? Em 2010 legalizamos a todos que estivessem por aqui, numa bela iniciativa do governo Lula, que passou facinho pelo Congresso.
Isso, a Europa e o Japão não têm para oferecer, e o Brasil, sim. Quem vier para cá, de onde vier, para o bem ou para o mal, vira brasileiro, é só querer.
Meses atrás conheci um casal de franceses recém chegados, ele para dirigir o marketing de uma empresa importante. Pois vieram mentindo o número de semanas da gravidez para a companhia aérea, oito meses na verdade, porque queriam que o bebê fosse brasileiro.
E como o Brasil navegando nesses mares migratórios e a nosso favor, sabem quantos habitantes do RS não nasceram aí? 3,7%! O menor percentual do país. Como, um lugar que se construiu pela imigração, que é o que é por ela, e somente ela, se torna algo apenas um pouco menos fechado do que a Coreia do Norte?
Aqui em São Paulo, para onde vim, somos 20%. E eu vejo no dia a dia a beleza que é a diversidade, tudo que ela nos traz de vantagens. E somos muito, muito bem recebidos, posso garantir, o que talvez ajude a explicar os 20%.
O que precisa ser melhor explicado são esses 3,7%. Como um estado tão belo e onde tantas coisas existem, simplesmente não se mostra capaz de atrair quem vem de outros lugares? Seguramente, entre as razões para essa tragédia, deve estar o chauvinismo xenófobo que contamina a nossa cultura e o nosso estado. Propagado pela mídia, ele ganha contornos de desagrado a quem a ele não pertence, ou não quer pertencer. Isso é sério, caros sulvinteumenses.
Pensem nos milhares, milhares e milhares de novos migrantes, gente qualificada, de diferentes partes do mundo, loucas para se tornarem o que nós somos, e aqui construírem suas vidas, construindo um país junto com a gente. Pensem nessa riqueza toda vindo, escolhendo, e não nos escolhendo.
Nós precisamos, por todos os motivos, e muito, deles. Precisamos de um Grande Plano de Atração para os Novos Migrantes do Brasil e do Mundo Inteiro para o RS. Precisamos dar um jeito de mudar essa imagem e essa bobagem bairrista, tornando-a o que tem que ser – uma bobagem periférica, coisa de tolos, que sempre os há. Precisamos voltar a ser o que éramos, se fomos mesmo, e acho que fomos.
Precisamos agir, já, agora, para atrair esse povo, convencendo-os que vão ser respeitados, felizes, e que as suas particularidades serão respeitadas, as suas identidades aproveitadas na formação do novo caldo de uma cultura gaúcha para o século 21.
Sugestões para o Grande Plano podem ser enviadas aqui, para essa caixa postal.
E vamos, que ouço 2012 chamando.
Comentários (44)
» Deixe seu comentárioOra, ora Marcelo. Tu não correspondes ao teu sobrenome em matéria de interpretaçoes sociológicas. O problema não é de xenofobia, é de ECONOMIA.
Como disse o Robert Reich, Secretário do Trabalho do Clinton:
“It’s the economy, stupid. It’s about jobs and not the deficit”.
Estimado Flávio: na boa! Estimado Franklin: the economy vai na rabeira de tudo. Acabo de conversar com um empresário de SP que me deu os motivos para não tentar colocar uma filial no RS “Muito fechado”. Melhor olhar para o fenômeno, causas e efeitos.
Prezado colunista: PARABÉNS!!! De novo. Continue assim, apesar das pedradas…Aliás, ninguém atira pedras em frutas podres… Já falei aqui que tenho a maior consideração pelo PCdoB na sua luta contra a ditadura. Até colaborei com O MOVIMENTO. Mas náo só o regime mudou, como mudaram os tempos. Só o nosso velho e bom Rio Grande não quer mudar. O apego ao CONSERVADORISMO em todas as dimensões é gritante. Só quem viveu fora é que percebe, pois quem permanece aqui pa ficrece que a refém desta tragédia buñueliana , da qual o TRADICIONALISMO é mero signo e sintoma. Veja-se como o TARSO mudou. O artigo dele HOJE na CARTAMAIOR.COM é brilhante. Vamos ver se ele consegue, como Governador, de esquerda, arejar os verdes campos do Rio Grande, tão crispados pela seca, pelo vento gelado do passado e pela obstinação à um ódio a tudo quanto não se enquadra ao que UM pensa. A Argentina, que tanto nos influenciou, já pagou muito caro por este mesmo tipo de comportamento histórico…
Olha,isso é um falso problema criado por quem só traz críticas á sua terra natal. Já percebi e pra dizer a verdade,nem ligo,afinal deixa o futuro dizer o que significa essa ânsia de atrair,de ser aceito,de ser qualquer coisa que faça os outros baterem palmas. cada povo tem as suas características e a nossa é essa: De dar Graças á Deus por não ser tão atraente que nos obrigue o conviver com quem não convidamos.
Acredito muito no que o colunista falou. O facismo guasca e péssimos exemplos de xenofobia e nariz em pé, dá seus frutos. Além dos gaúchos continuarem a sair do seu estado, cada vez menos casamentos, cada vez mais mulheres preocupadas com sua beleza eterna e com as responsabilidades e medos de mãe, cada vez mais homossexuais ( isso é fato ). Os gaúchos são vistos como fechados mesmo. Consomem suas marcas, odeiam que lhes apontem os defeitos. E o PC d B é um ajuntamento de comunistas fracassados em torno do projeto da patricinha. A taal homenagem ao povo da Coréia é tão ridícula quanto o código florestal do Rabelo (no qual a patricinha votou)
“fascismo guasca”. Isso aí é recalque de quem quer fazer a marra cult e vai pra SP achando que tem o rei na barriga. Muitos vêm de fora e por aqui ficam.
No mais, texto contraditório. Assume e exalta que os imigrantes sul-americanos chegam à São Paulo para trabalho desumano. E acha que isso trará frutos, só porque na terra brasilis tudo é lindo e tropical.
Um pouco mais de realismo nessa mente cai bem. migração sem planejamento é furada. Ademais, a realidade de país destinatário de fluxos migratórios só existiu por causa das circunstâncias da época – século XIX e inicío e metade do Século XX, bem como segunda guerra.
Agora, com 200 milhões de habitantes, se bem distribuídos e com adequada distribuição de renda, é totalmente desnecessária a vinda de forasteiros. Inclusive no RS.
O Sérgio validou o que eu escrevi sobre fascismo guasca e xenofobia gaudéria….marra cult e vai pra SP? O Brasil não é só SP. Quantos gaúchos existem em florianopólis? E em outras grandes cidades? Não falo nem das fronteiras agrícolas. Foram todos embora porque achavam que tinham o rei na barriga ou porque o RS continua sendo a velha carroça de sempre? O ridículo, tosco, separatista, xenófobo MTG é a síntese desses bobalhões. Paixão Cortes e principalmente Barbosa Lessa, eram críticos ferozes. Lessa, que andou Brasil afora, esquadrinhando o folclore de outras regiões, era o mais puro gaúcho ( que muitos sonham em ser ou ter como alter-ego ) e por isso mesmo, universal, dotado de uma cultura e uma visão do mundo ímpar. O regional se funde no universal. Qualquer pessoa que “viaja” e entra em contato com outros povos, volta sim, com orgulho de sua terra em muitos aspectos..e em outros, volta é com vergonha mesmo.
Vejam essas músicas de festivais. É um tal de lombo de cavalo, domei o potro, andei no pampa, batalhas de antigamente, blábláblá…tanto ridicularizam os sambas de enredo. Com uma dúzia de palavras se faz uma letra. ” Nessa noite de magia e esplendor….a escola de samba tal, vem mostrar….”…nada muito diferente de grossos incensados pela nossa mídia agropastoril. Cesar Oliveira e Rogério Mello. Acompanhei uma discussão na TV com, a partir das declarações do Nei Lisboa sobre a pobreza musical gaudéria…na banca haviam mais duas pessoas, se não me engano o Juarez fonseca era uma delas. Pouis bem, deu pena desse sujeito Cesar, vestido com umas bombachas, tentando defender essas posicções tacanhas , contidas no livro de regras do facista MTG. Que lugar medieval é esse aonde um casal não pode se beijar, senão é reitirado pelos jagunços do local? Como defender isso?
Porque essa furia em achar UMA explicacao para o fenomeno abordado??? Eh um pouco de tudo que foi dito, ou nao?? Conservadorismo, economia claudicante, recusa ao “externo”, e assim por diante…
Denis, segue e frequenta lugares que seguem o MTG quem quer… nunca entrei nesses lugares e nem pretendo. Não me faz falta.
Pobreza musical é inevitável depois de um tempo.
Ao Dênis: Cada vez mais homossexuais… Só se estiveres falando por ti cara.
O tal Dênis parece que só percebe que o número de “homossexuais” cresceu só aqui… O fato é que há 30,40 anos atrás em “todos os lugares do mundo” havia muito menos “homossexuais”que hoje. Aqui,comparado com sp,rj,por exemplo,ainda é fichinha esse fenômeno. É fato! Mesmo que ele não veja.
E querer comparar um percentual de São Paulo com o Rio Grande do Sul é brincadeira.
Se for comparar a população dos dois estados, proporcionalmente, o fluxo migratório, de “pessoas que vivem mas não nasceram aqui” é o mesmo.
Afinal, não é necessário ser um gênio da matemática: 10 milhões de pessoas no RS, 40 milhões em São Paulo.
Percentual de 20%, 5 vezes maior que os 4% do RS.
Ah, engraçado que o tal Dênis fala tanto em MTG e seu “domínio” cultural, mas por aqui rolam quase os mesmos show que em SP: Roger Waters, Paul McCartney, Pearl Jam, vários artistas do Eixo do Prata, Música Popular Brasileira – Chico Buarque esteve aqui, Eric Clapton.
Bah, falei só dos europeus desenvolvidos. Ainda bem que o proprio periódico me auxilia, com a seguinte manchete. Música de tudo que é tipo. De graça:
O que quis dizer é que antes, haviam muito mais homossexuais enrustidos ( como o Jonas) que, com medo de se assumir, casavam, tinham filhos e uma vida aparentemente normal. Hoje em dia, mais livres, podem ter o estilo de vida que bem entendam. Até mesmo em cidades pequenas. Quantos gays tiveram que ir embora do Rs, para Rio, Sp, europa….quantas cabeças foram embora também, porque aqui não encontravam respaldo a suas idéias e empreendimentos. Concordo que entra no MtG quem quer, mas os tentáculos do tipo de pensamento guasca e xenófobo, permeia toda a sociedade e nela se funde.
Engraçado que o “tal” Sérgio não sabe ler direito…por isso e na sanha de defender os trogloditas de bombachas, leu “domínio cultural”…quando eu disse, mas com outras palavras, “adestramento de urbanóides em torno de um livro escrito na década de 50, que tinha o objetivo de resgatar uma parte importante da cultura, mas que livrou um livro sagrado para os tais adestrados…”
O casi Sérgio( das12:30)é que gente como esse Dênis e esse carneiro da cunha querem que haja SÓ esse tipo de música por aqui. São deslumbrados com tudo que é de fora e acham que nós é que somos cegos,que escutamos só o nativismo. A coisa é ânsia de agradar o patrão mesmo,que é de fora,se for pra manter o dinheirinho da comida,deixa as lacraias falarem a vontade,ninguém quer ver morto de fome quem pode muito bem comer de críticas contra o nosso Rio Grande. Mas,dizendo desde já: Não temam por nós,do Rio Grande,sabemos nos ajeitar com o que temos,com o que somos e ainda não precisamos comer atravéz de críticas a quem quer que seja.
Se pros defensores da causa que não é a sua(será que não),todo o homem que diz não ter simpatia pelos gays e suas causas é armarista,enrustido. Pra mim ocorre o contrário : Ninguém vai defender com tanto afinco os gays se não for da tribo. Ora,o cara falou que quis dizer tal a tal,mas,disse qual e qual e chama quem entendeu o que ele disse,não o que quis dizer de enrustido. Ele que vá desenrustir o raciocínio dele,que vá se alfabetizar,escrever direito se quiser ser bem compreendido e deixe de dar de bicha ferida,agredindo quem não entendeu o que ele escreve.
Se eu estivesse defendendo os de bombacha não citava todos esses aritstas que já passavam por aqui.
Se aqui fosse uma Coréia do Norte, esses artistas não passariam por aqui.
É querer aparecer fazendo papel de cult ficar nessa teoria de conspiração de que o nativismo impera. No interior, em alguns lugares, talvez, na capital, pessoas gostam (sim, é uma democracia, cada um gosta do que quer).
Mas não há tanta repressão quanto parece. Claro, o mercado é menor, logo, se o cara tem uma ambição de expandir o seu público, vai para um lugar maior. Mas ficar nesse terrorismo é muita falta do que argumentar e escrever.
É admissível a discordância do Dênis quanto a algumas regras do MTG.
No entanto, ao desqualificar a música de festivais nativista, o Denis se mostrou um gurizinho de apartamento que não tem a mínima noção do que fala.
Se um dia ele descer do colo da mamãe e andar por aí, vai compreender que a música gaúcha é bastante rica. Temos exemplos de Antonio Augusto Fagundes, Gujo Teixeira, etc.
Tu renegas a música que fala da “prenda”, do “cavalo”, mas ouve as que falam no “barquinho no mar de Copacabana” que não tem nada a ver contigo.
é aquela velha máxima: santo de casa não faz milagre.
Como diria o Poeta Maior:
Meu coração pergunta:
Pra que tanto ódio , meu Deus…?
Mas meus olhos fatigados já não perguntam nada…
Incrível como continuam a validar o que eu disse. Deixem de ser ridículos. Eu falei mal daquele nativismo que entra década e sai década, continua falando do lombo do cavalo e das guerras que os tataravós, que talvez nem sejam os seus, guerrearam a mando dos “coronéis”, digo, caudilhos da época. Toda a estrutura dos ctgs remete a isso…um patrão e um bando de paus-mandados que repetem a exaustão coisas que não sabem sequer a origem ( como as sobras de guerra entra a russia e a turquia, cujas calças, viraram traje oficial). Aí, sem argumentos, tentam me desqualificar como guri de apartamento, sair do colo da mamãe, enfim, bobagens de que só eles riem. Antonio Augusto Fagundes é um exemplo de uma cara que muito contibuiiu, pesquisou e acabou por ficar cego, intolerante e tacanho. O Jonas não merece resposta, visto que seu texto ” Ora,o cara falou que quis dizer tal a tal,mas,disse qual e qual e chama quem entendeu o que ele disse,não o que quis dizer de enrustido” é pobre como seu raciocínio….e essa ” Tu renegas a música que fala da “prenda”, do “cavalo”, mas ouve as que falam no “barquinho no mar de Copacabana” que não tem nada a ver contigo”…o fato de eu fazer uma crítica não quer dizer que eu renego a “sagrada” música gaúcha…a não ser aquelas que falam que os caras gostam mais de um lombo de cavalo do que de qualquer outra coisa…depois não entenem porque esse gauchismo deixa as pessoas toscas, por mais que estudem, vide Antonio Fagundes e Cesar de Oliveira.
Umberto Eco: “O excesso de informação provoca amnésia”….
O Luciano é um típico caso de adestramento que deu certo…..
Oigatê !!!
Se entreverou a bagualada gaudéria… Pos.. que vengan…
Nos magro eu dou de prancha
e nos gordo eu dou de taio !!!
“”"Mas não há tanta repressão quanto parece. Claro, o mercado é menor, logo, se o cara tem uma ambição de expandir o seu público, vai para um lugar maior”"”…a primeira vítima, foi a maior cantora que esse estado e talvez país conheceu…Elis…notório o fato de que o Maurício “Sobrinho” que a empresariava queria que ela cantasse apenas músicas daqui…muito pouco para quem foi listada entre as maiores do mundo por muitos crítiicos e músicos de jazz. Até hoje se ouve dizer que ela “tinha vergonha de ser gaúcha” ( e lendo as opiniões escritas aqui, não há porque não ter um pouco de vergonha mesmo…) e que copiava o sotaque carioca (quando na verdade, tinha ouvido absoluto e era tão musical que nas palavras de Boscoli, bastou 2 semanas na França para que sua pronúncia fosse melhor do que a dele, que estudou o idioma desde o primário). Estreava turnês por aqui. Transversal do Tempo foi uma, e há uma carta famosa dela dizendo que ia estrear tal turnê em sua santa terrinha (para dellírio dos gaudérios sacralizados…) que tinha até túnel (referia-se ao túnel da conceição). Adriana Calcanhoto é outro exemplo.
Houve um tempo, na década de 80 em que havia uma “cena Rock” no Rs. Muitos grupos e artistas…que não duraram muito nessa estrutura…o samba por aqui não prospera. No entanto, qualquer tv tem alguém de bombacha no estúdio, apresentando atrações musicais, muitas delas de uma pobreza sofrível.
Mas que mala esse tal de Denis, se ele enão gosta de como é a cultura gaúcha,MTG, simplesmente não cultive a cultura e nem siga as Regras do MTG, tá parecendo mais uma bixona dando uma de cult, o grande problema das pessoas que se acham inteligentes é que acabam menosprezando o que elas acha inferior, vc não parece mais inteligente porque usa frases prontas!
“Chauvinismo xenófobo” — deves estar falando de Porto Alegre? Aqui em Bagé não tem essas bobagens.
Eu de fato concordo quanto à tosquice do Augusto Fagundes e Cia. O problema é quando estendem a crítica a toda a cultura gaúcha. Augusto Fagundes e o MTG são só uma parte residual e inessencial da cultura gaúcha riograndense. Infelizmente, a maior parte das pessoas que estigmatiza a cultura gaúcha como um todo — a pretexto de estar criticando o MTG — não conhece quase nada do RS. Se saiu de PoA, foi para ir à Serra. Fora isso, vão direto para fora do Estado. Conhecem Londres e Paris, mas nunca foram a Dom Pedrito. Bom, eu tenho que dizer que a cultura gaúcha de verdade não é essa caricatura que vocês criticam ao olhar exclusivamente para o MTG. Esse negócio de “aqui o samba não prospera” é uma prova de desconhecimento. Meus caros, vão conhecer o Liberdade, o grande reduto do chorinho em Pelotas; ou vão, numa terça-feira qualquer, a Bagé, escutar um bom samba de raiz no Atelier Coletivo. E se têm preconceito contra bombachas, façam o seguinte: em vez de ficarem obcecados com essa gente do MTG, vão conhecer a zona rural de Bagé, de Livramento, de Jaguarão; vão encontrar as pessoas que vivem lá, em suas pequenas propriedades, e que não estão nem aí para esse tal de MTG. Gente que usa bombacha porque é o costume do lugar onde vivem, sim, e daí? Ou seja, deixem desses preconceitos, vão conhecer o Rio Grande, e depois se quiserem venham tomar um mate comigo, que sou gaudério, escuto rock, não sou machista nem fascista e, especialmente, não mordo.
Só para constar, quando digo “a maior parte das pessoas que estigmatiza a cultura gaúcha como um todo”, não estou incluindo aí necessariamente o autor desse texto. Mas estou falando de uma grande parcela de habitantes bem pensantes de Porto Alegre. Agora, quanto ao negócio do samba, aí sim, seu Denis, acho que o amigo foi nos lugares errados. Ande comigo que eu lhe mostro todo o samba do Rio Grande, e lhe apresento inclusive um grande cantor nativista que é também um ótimo sambista. E muito, muito mais.
O samba não pegou?
Olha, posso te dizer que tem tanta Escola de Samba no Rio Grande do Su quanto o número de CTGs.
Quanto ao samba enquanto gênero, concordo com o JOsé Botelho, há muito, em muitos lugares, principalmente na Fronteira. Pelotas, Uruguaiana e Alegrete que o digam.
Esse Denis, quer causar polêmica sem conhecimento de causa!vem conhecer maravilha que é o Cais do Porto de São Borja com toda a sua diversidade,nesse mês de Janeiro tem o festival de musicas de Carnaval, um dos mais antigos e tradicionais não só do estado como do país, tu já ouviu falar do caranval de Uruguaiana que dá de relho no de Porto Alegre?Já ouviu falar das Missôes?
Você só conhece o quintal da tua casa, saí do colo da mamãe e vem conhecer o resto do Rio Grande do Sul.
Morei quatro anos em uma cidade de Santa Catarina, nossa vizinha, na empresa onde eu trabalhava tinha gente do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas, “como eles são hospitaleiros”, nunca fui tanto alvo de piadas e jacotas apenas pelo motivo de ser gaucho(com orgulho).
Aqui na campanha quando a gente conhece alguém de fora fizemos o maximo possivel pra ele levar a melhor impressão da nossa região, diferentemente dos lugares que o autor do texto diz serem os mais hospitaleiros.
Alguns visitantes que levei à campanha se disseram surpresos ao verem ali tantas e tão boas rodas de samba; e eu digo que a surpresa é sempre de quem vem de fora, porque para nós, aquilo é normal. A cultura de origem africana é uma das marcas da região da fronteira gaúcha.
Realmente, é meio surreal ficar lendo essas pinturas tenebrosas dos tais “trogloditas de bombachas”, que supostamente odeiam estrangeiros e espantam imigrantes por conta de seu “chauvinismo xenófobo”, e aí comparar com a realidade do lugar de onde eu vim. Esqueçam um pouco esse MTG de Porto Alegre, que eu também acho idiota. Esqueçam e vão conhecer a região da campanha e das missões, sem idéias preconcebidas. Aí vocês vão descobrir que é simplesmente uma parte do Brasil, tão diversificada, interessante e problemática quanto o resto. E aí vão perceber que todo esse surto contra a cultura gaúcha, cada vez mais comum em Porto Alegre, é fruto do desconhecimento.
Aliás, chauvinista xenófobo existe em qualquer lugar, inclusive em São Paulo, e não preciso citar exemplos.
E a propósito: meu pai é carioca, e toda sua família. Nasceram no Rio e vieram morar no interior do RS. Se tivessem sofrido algum tipo de linchamento, apedrejamento, auto-da-fé ou sabe-se lá o que mais por parte de trogloditas de bombacha, então eu provavelmente saberia, e não estaria aqui escrevendo isso.
O José Francisco Botelho escreveu muito bem. E foi muito feliz em citar o Bar Liberdade em Pelotas. Se o Denis saísse do colo da mamãezinha, ou se não tivesse sido criado trancado no apartamento, saberia que a cultura riograndense é riquíssima, influenciada por culturas muito diversas.
São Paulo é considerada o “coração econômico da América Latina”. É óbvio que vai atrair gente de todo o Brasil e até do mundo. Não é questão de “hospitalidade” ou “xenofobia fascista” e sim de mercado. É a concentração de capital que atrai a força de trabalho, qualificada ou analfabeta. Já o nativismo gaúcho pode ser interpretado como uma resistência cultural em relação à globalização e à influência que o sudeste exerce sobre o resto do país.
“O excesso de informação causa amnésia…” E a falta de informação fez o Denis ficar solito na discussão. Limitar a “cultura gaúcha” ao MTG e atribuir a causa da baixa imigração à “xenofobia fascista” é não saber “hierarquizar a informação”, pra citar o Umberto Eco.
Pertinente o artigo, mas o motivo para o Rio Grande ter poucos imigrantes não é xenofobia não. É falta de oportunidades econômicas mesmo, por isso não atrai gente de fora.
Alem da falta de oportunidades economicas, o autor esqueceu de passear pelas ruas centrais de POA, cheia de nordestinos na economia informal. Esqueceu de ir a Rio Grande e Pelotas e ver o que a migracao de gauchos do campo mas principalmente de pessoas de outros Estados, com baixa qualificacao ,atraidos pela propaganda enganosa esta fazendo na criminalidade e no urbanismo da regiao. Isso nao e xenofobia, mas realismo.
O autor esqueceu de dizer que Estados que isentam fabricas de pagar impostos, atraem mais industrias, que migram para esses locais, levando os empregos, a migracao de talentos daqui e deixando para o assalariado a pesada carga tributaria.
O RS é um dos estados mais isolados do país, depois dos estados do norte. Além disso, é um dos menos divulgados. O Norte, apesar de isolado, tem a Amazônia, que é um emblema do Brasil, o que confere à região uma certa visibilidade, ainda que apenas simbólica. O RS é o estado que menos atrai turistas, por uma série de razões: sua cultura é descrita como não sendo tipicamente brasileira (um equívoco curioso, logo em um país que se orgulha tanto de sua diversidade; afinal, a diferença entre um amazonense e um carioca é menor que a diferença entre um gaúcho e um paulista?); e a cultura riograndense “de raiz” é pouco conhecida mesmo na capital gaúcha. O porto-alegrense dificilmente vai à região da campanha ou às missões, por exemplo. Vai apenas à Serra. Aí se estabeleceu a lenda de que a cultura do RS é somente um transplante de europeísmo, sem miscigenação, sem mistura cultural. E pior: há quem olhe a Serra e Porto Alegre como sendo a totalidade do RS, e se diz: vejam, essa tal de cultura gaúcha não existe. Essa alienação — com o perdão da palavra desgastada — de muitos riograndenses em relação ao seu próprio estado é o que mais contribui para que o RS seja um estado mal compreendido ou ignorado. Quem chega ao aeroporto Salgado Filho não encontra folhetos turísticos dirigindo o visitante ao pampa gaúcho, por exemplo; apenas às áreas de colonização alemã e italiana recente. Assim, se estabelece a ilusão de que o RS não tem cultura própria. Um papel grave nesse processo é o do MTG, que apresenta uma caricatura de cultura, e não faz nada para mudar substancialmente essa situação de alienação cultural. Todos esses fatores levam ao pouco influxo de migrantes para o Estado.
Bah! querido colonista, saia do seu bairrismo portoalegres e venha visitar a serra gaúcha que esta recebendo o exodo dos quadrantes da terra na crise ciclica e irreversivel do capital e é claro do exodo rural do nosso Rio Grande que não fez ainda a reforma agrária que ajuda eleger varios demagogos da sua “esquerda” anticomunista que quer o fim do Partido Comunista do Brasil, que a Manu vai representar ai na capital em 2012.
A direita e suas linhas auxiliares esquerdistas querem que este partido consequente continue como coadjuvante no processo politico brasileiro, mas chegou a hora de ser protagonista, ate porque quem tem 90 anos de historia na defesa dos trabalhadores e da patria não pode continuar fora do paço municipal da capital de todos os gauchos. sds