Paulo Cezar da Rosa
Transição no pampa é terreno minado
Até a semana do Natal, tudo eram flores na sucessão gaúcha. A governadora Yeda Crusius, no entanto, parece estar repassando ao novo governador um Estado embalado num imenso cavalo de Troia. Seu sucessor, Tarso Genro, vinha evitando qualquer crÃtica à governadora, mas esta semana mudou o tom e veio a público dizer que “não há mar róseo pela frenteâ€. E prometeu, para meados de janeiro, um diagnóstico sobre a situação financeira do Estado.
A manifestação de Tarso foi precedida por declarações de diversos de seus assessores, que vinham dando sinais de descontentamento com os movimentos da governadora tucana ao longo da transição. Talvez traumatizado com a posse de OlÃvio Dutra em 1999, quando seu antecessor, Antônio Britto, não compareceu à cerimônia, Tarso vinha evitando qualquer tipo de atrito com a tucana. Entretanto, os movimentos de Yeda para fixar a ideia de estar passando adiante um governo com as contas em dia e os cofres cheios tornaram inevitável a manifestação do novo governador.
Um problema depois do outro
Dias antes da eleição, quando já se via derrotada, Yeda nomeou por mais dois anos o presidente do Instituto Riograndense do Arroz (IRGA), um órgão que tem grande importância na economia e na polÃtica gaúcha. A governadora tomou por base uma nova lei, votada à s pressas na Assembleia, considerada inconstitucional. O próximo secretário da Agricultura, Luis Fernando Mainardi, reagiu fortemente. “Se eles quisessem continuar mandando no IRGA, deviam ter reeleito a Yedaâ€, afirmou o novo secretário.
Esta semana, o PT decide se entra ou não com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. Tarso quer revogar a nomeação e colocar na presidência do Instituto o prefeito de Santa Vitória do Palmar, Cláudio Breyer Pereira (Batata), de seu partido.
PresÃdios PPP’s
Ato seguinte, a governadora resolveu num primeiro momento acelerar o projeto dos presÃdios, a serem construÃdos através de PPP’s, e a assinatura dos contratos para exploração da orla do Rio GuaÃba, em Porto Alegre.
Esta semana, numa jogada final, Yeda revogou as licitações dos presÃdios, tentando embretar o novo governador. Se reiniciar os processos do zero, Tarso fica com o ônus do atraso na solução do problema prisional. Se retomar de onde foram paralisados, reconhece o processo como legÃtimo. Em qualquer hipótese, Yeda elimina um último problema de seu governo: a desconfiança a respeito dos números envolvidos nas obras.
Já a concessão de exploração da orla do GuaÃba é questionada por outros motivos. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) contesta o direito do governo do Estado de conceder a exploração da área do porto de Porto Alegre. Os empresários espanhóis, que venceram uma licitação para exploração da orla do GuaÃba, foram constrangidos pelo atual governo a assinar um contrato com Yeda. Temerosos de estarem entrando numa fria, fizeram chegar suas preocupações ao futuro governador. Mas assinaram o papel, com pompas e circunstâncias semana passada.
Problemas acumulados
A estes problemas, Yeda veio juntar nos últimos dias pelo mais dois, e dos grandes. Primeiro, anunciou um caixa superavitário de 3,6 bilhões. Esse dinheiro seria suficiente para o Estado girar durante quatro meses. E também seria uma prova de seu “déficit zeroâ€, bandeira que a governadora defendeu na campanha. A seguir, passou a assinar dezenas de convênios com os municÃpios, deixando a conta para o sucessor. Depois do cheque voador, Yeda inaugurou a figura do convênio voador; só vira realidade se o seu sucessor “esquentar†a sua assinatura.
ArtifÃcio numérico
Conforme o novo secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, o superávit apresentado por Yeda é um artifÃcio contábil. Odir Tonollier desconfia da saúde financeira do Estado e afirma que até mesmo os 3,6 bilhões que Yeda diz ter em caixa precisam ser melhor analisados. Ele antecipa que, na realidade, “o Rio Grande do Sul é um dos que está em pior situação entre todos os Estados no Brasilâ€. Tonollier afirma ainda que, do seu ponto de vista, o Rio Grande do Sul não está bem financeiramente “por quatro fatoresâ€: a dÃvida com a União, a dÃvida de precatórios, o comprometimento com a folha e inativos, e a dÃvida social com a demanda reprimida de investimentos em saúde, educação e segurança.
De fato, o equilÃbrio nas contas obtido pelo governo Yeda em seus quatro anos foi feito no formato já clássico dos tucanos: venda da prataria da casa, de um lado (mais de 40% do Banrisul tornou-se propriedade de investidores estrangeiros sob o governo Yeda), e corte em gastos sociais, de outro. Tudo ao contrário do governo Lula. Além disso, os problemas que Yeda transfere não são pequenos. Só a dÃvida com a União, de 30 bilhões, é quase dez vezes os 3,6 bilhões que ela afirma estar deixando em caixa.
Desarmar minas
Tarso Genro assume dia primeiro sob a promessa de colocar ordem na casa e alinhar o Rio Grande do Sul com o ritmo do crescimento do Brasil. Como um general que perde a batalha mas não abandona a guerra, Yeda está deixando centenas de minas enterradas. Saber desarmá-las vai fazer parte das primeiras tarefas do futuro governador.
*Jornalista e publicitário
Comentários (4)
» Deixe seu comentário[...] This post was mentioned on Twitter by Rachel Duarte. Rachel Duarte said: RT @PauloCezarRosa: Sul 21 » Transição no pampa é terreno minado http://t.co/td66jFx [...]
No dia 01 de janeiro de 2007, Yeda Casanova fez cocô no Palácio, sentou em cima e, por quatro anos arrastou a imensa bunda por todo o Rio Agachado do Sul. Cagou na chegada e se despediu cagando. Ela não perde por esperar!
Isto não foi somente cagar foi sapatear em cima da merda.Mas até que enfim terminou esse desgoverno de mer…

Que a desgovernda Yeda vive num mundo de fantasia eh obvio: basta ver o passeio a la Eric Clapton e BB King. O déficit zero eh apenas mais um de seus devaneios. Não eh justo, no entanto, debitar toda a divida com a União e os precatórios em sua conta. São problemas que se arrastam há anos.