Agenda
Sul21 recomenda carnaval de rua e peças teatrais no Porto Verão Alegre
André Carvalho
Após polêmica entre carnavalescos e a Prefeitura de Porto Alegre sobre o desfile, ou não, do tradicional bloco carnavalesco Maria do Bairro, na Rua Sofia Veloso, na Cidade Baixa, os apreciadores do carnaval de rua podem ficar tranqüilos: Vai passar na Sofia Veloso um samba popular! Além da festa, novas peças teatrais ganham destaque no Porto Verão Alegre neste final de semana, como é o caso de Vendetta Corsa, Porque Minha Ferida é Mortal, do diretor gaúcho Julio Conte, onde a trama gira em torno da investigação de crimes perpetrados pela mesma faca; Cale-se – as músicas censuradas pela ditadura militar, espetáculo musical que apresenta músicas brasileiras que foram censuradas pelo departamento de censura federal na época do governo militar no brasil; e As Balzaquianas, que narra a historia de duas mulheres desiludidas, maduras, valentes que escancaram perante o público, temores, dores, angústias em seus delírios de amores.
Todas as sextas-feiras, o Sul21 traz indicações de filmes, peças de teatro e música para seus leitores. Não se trata de uma programação completa, mas apenas de recomendações dos melhores espetáculos que assistimos. O critério é a qualidade. Se você tiver sugestões sobre o formato e conteúdo de nosso guia, por favor, comente. Para acessar esta matéria durante a semana, bastará clicar em Agenda em nossa capa.
Cinema – Pré-estreia
O Artista (*****)
(The Artist), de Michel Hazanavicius, 2011, EUA, 100 minutos
O principal favorito ao Oscar de melhor filme chegou aos cinemas de Porto Alegre. O Artista, filme de Michel Hazanavicius, narra a decadência do ator de filmes mudos George Valentin (Jean Dujardin). Ambientada entre 1927 e o início da década de 1930 e filmada em estúdios que recriam a Hollywood da época, a história também acompanha a ascensão de Peppy Miller (Bérénice Bejo), nova estrela do cinema em sua fase sonora. Todo em preto e branco, sem diálogos e apresentado com aquelas cartelas dos filmes mudos, O Artista retrata a mudança pela qual o cinema passou com o advento do som — e suas implicações, sobretudo a queda irreversível de quem não admitiu se adequar aos “novos” tempos.
No Cinemark Ipiranga 4, às 21h35min
No GNC Moinhos 4, às 18h45min
No Unibanco Arteplex 3, às 21h30min.
Cinema – Estreias
Historias Cruzadas (****)
(The Help), de Tate Taylor, 2011, EUA, 146 minutos
O filme é ambientado na pequena cidade de Jackson, no Mississipi, na década de 60. É onde mora Skeeter (Emma Stone), uma garota recém-formada, que sonha em ser escritora. Para isso, ela coloca a cidade de cabeça para baixo quando decide fazer uma pesquisa e entrevistar as mulheres negras da cidade, que abandonaram suas vidas para cuidar das famílias do sul e criar os filhos da elite branca – da qual Skeeter faz parte. No elenco também está Octavia Spencer, que ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante pelo papel no filme e concorre na mesma categoria no Oscar 2012.
Unibanco Arteplex 4, 11h (somente sábado) 15h10min, 18h10min, 21h10min
GNC Moinhos 1, 15h10min, 18h20min, 21h10min
Cinemark Bourbon Ipiranga 1, 00h (somente sexta e sábado), 11h40min, 14h50min, 18h, 21h
Cinema – Em Cartaz
Os Descendentes (****)
(The Descendants), de Alexandre Payne, 2011, EUA, 117 minutos

Também vencedor do Globo de Ouro, Os Descendentes invade os cinemas do Brasil na qualidade de favorito ao Oscar. Um acidente de barco põe em coma e com poucas chances de sobrevivência a mulher de Matt (George Clooney). Ele, que vivia afastado dos filhos, vê-se às voltas com a tarefa de conhecê-las, criá-las e educá-las, ao mesmo tempo que descobre que a mulher o traía. É uma boa história, muito bem dirigida, pontuada de bons diálogos e personagens interessantes. Payne tira o máximo do elenco à sua disposição e apostamos em Clooney para o Oscar de melhor ator. Com George Clooney, Judy Greer, Shailene Woodley, Matthew Lillard e Beau Bridges.
No Cineflix João Pessoa 2, às 14h15, 16h45, 19h15 e 21h45.
No Cineflix Total 3, às 14h15, 16h45, 19h15 e 21h45.
No Cinemark Barra Shopping 7, às 13h, 15h40, 18h10, 20h50 e 23h30.
No Cinemark Ipiranga 5, às 12h, 14h30, 17h05, 19h30, 22h e 0h30.
No GNC Iguatemi 6, às 14h30, 17h, 19h30 e 22h10.
No GNC Moinhos 2, às 14h, 16h45, 19h20 e 21h40.
No GNC Praia de Belas 2, às 14h15, 16h40, 19h15 e 21h45.
No Guion Center 1, às 15h15, 17h30, 19h45 e 22h.
No Unibanco Arteplex 6, às 14h, 16h30, 19h e 21h30.
Millennium — Os homens que não amavam as mulheres (***)
(The girl with the dragon tattoo), de David Fincher, 2011, EUA / Suécia / Reino Unido / Alemanha, 152 minutos

Vá entender! Em 2009, os suecos filmaram esta história baseada no primeiro romance da trilogia de Stieg Larsson (1954-2004). Era um filme estupendo, com tudo na medida certa: ritmo, drama, suspense, atores (a grande Noomi Rapace era a atriz principal), etc. Como era bom, os norte-americanos resolveram fazer a refilmagem. Ah, não me perguntem o motivo. Li que era falado em sueco, com atores suecos, um problemão… O filme de Fincher é bom, mas não supera o original. Com Daniel Craig, Rooney Mara e Christopher Plummer.
No Arcoíris Bourbon 2, às 15h, 18h e 21h.
No Cineflix João Pessoa 4, às 14h50, 18h e 21h10.
No Cineflix Total 4, às 14h50, 18h e 21h10.
No Cinemark Barra Shopping 6, às 12h, 15h10, 18h30 e 22h.
No Cinemark Ipiranga 3, às 11h10, 14h20, 17h30, 20h40 e 0h05.
No GNC Moinhos 1, 13h15, 16h05 e 21h20.
No Unibanco Arteplex 4, às 15h, 18h e 21h.
Precisamos falar sobre o Kevin (****)
(We need to talk about Kevin), de Lynne Ramsay, 2011, EUA / Reino Unido, 110 minutos

Eva (Tilda Swinton) é mãe de Kevin (Ezra Miller), um adolescente que cometeu uma chacina em sua escola. Refletindo, deprimida e sem conseguir entender as ações do filho, ela passa a escrever cartas ao pai ausente enquanto o filho cumpre pena. A questão crucial é: como entender o inexplicável? A narrativa é repleta de idas e vindas. Vemos, de forma narrativamente estilhaçada, o namoro com Franklin — pai do menino — , a gravidez, a infância e a adolescência de Kevin até seu ato final. Baseado no excelente livro de Lionel Shriver, lançado em 2007 no Brasil, o filme consagra a atriz Tilda Swinton, ganhadora de vários prêmio por sua performance avassaladora em Precisamos falar sobre o Kevin. Com Tilda Swinton, Ezra Miller, John C. Reilly, Siobhan Fallon e Ursula Parker.
No Cinemark Barra Shopping 2, às 11h40, 16h40, 19h20 e 21h50.
No GNC Iguatemi 2, às 13h30, 16h15, 19h e 21h20.
No Unibanco Arteplex 2, às 15h30, 17h30, 19h40 e 21h50.
Tomboy (*****)
(Tomboy), de Céline Scimma, 2011, França, 84 minutos

Este filme tinha estreado na semana passada e não foi indicado pelo fato de não o termos visto. É excelente. A palavra “tomboy” pode significa menina sapeca mas também menina que se comporta como menino. Já Tomboy, o filme, é um delicado e contemporâneo relato de uma menina, Laure (Zoé Héran) é uma pré-adolescente que mente ser um garoto logo após a mudança de seus pais para outro bairro. Cabelos curtos, jeito de moleque, ela explora a nova vizinhança à procura de amigos. Apresenta-se como Mickaël e passa a brincar e jogar bola como um menino. Os pais não sabem de nada, a irmã de seis anos alia-se à farsa, porém esta exige cada vez mais desafios. Mickaël mostra criatividade e vai resolvendo as questões. A amiga Lisa, por seu lado, vai se apaixonando por ela. Não contarei o final. Evitando o tom dramático, o filme de Scimma transpira sinceridade e beleza. É dica quentíssima. Com Zoé Héran, Malonn Lévana, Jeanne Disson, Sophie Cattani.
No Guion Center 3, às 20h15.
No Instituto NT, às 18h.
No Unibanco Arteplex 8, às 13h e 20h10.
O espião que sabia demais (****)
(Tinker, Tailor, Soldier, Spy), de Tomas Alfredson, 2011, Reino Unido / França / Alemanha, 127 minutos

Onde vai, este filme recebe dos críticos o lugar comum de suspense-constante-na-dose-certa. É verdade. Baseado no romance de John Le Carré, a história é centralizada em George Smiley (Gary Oldman) que, período final da Guerra Fria, é chamado para descobrir quem é o agente duplo que trabalhou durante anos tanto para o Ocidente como para os Soviéticos. Os suspeitos são múltiplos e você deve permanecer atento porque a trama vai ficando cada vez mais complexa. O grupo de suspeitos é formado por um grupo de atores de primeira linha: Colin Firth (oscarizado em O Discurso do Rei), Toby Jones, Ciarán Hinds e David Dencik fazem respectivamente o “Tinker Tailor Soldier Spy” do título original do filme e do romance de Le Carré, este igualmente traduzido para O Espião que sabia demais. O diretor sueco Tomas Alfredson demonstra que se pode fazer um bom filme de espionagem sem mulheres fatais, alta tecnologia ou pirotecnias.
No Cinemark Barra Shopping 3, às 22h10.
No GNC Moinhos 1, às 19h.
No Guion Center 3, às 16h25.
No Unibanco Arteplex 5, às 16h40, 19h10 e 21h40.
Cinema – Em cartaz
Cavalo de Guerra (****)
(War Horse), de Steven Spielberg, 2011, EUA, 146 minutos

Cavalo de Guerra é um dos melhores trabalhos de Spielberg. Baseado num romance juvenil homônimo de autoria do inglês Michael Morpurgo, o filme não apresenta grandes novidades — há o cinemão clássico de belíssimas imagens, há a elevação melosa da música de John Williams pera fazer você chorar, há o sentimentalismo de lágrimas inglesas e francesas, há um filme onde todos falam inglês perfeito mesmo na França da Primeira Guerra Mundial… — , mas, sobre todas as coisas, há uma narrativa convincente de ritmo perfeito. Ou seja, é um autêntico Spielberg em seus melhores dias, com mais qualidades que defeitos. É a história de um jovem e de seu cavalo ou, melhor dizendo, é a história da trajetória de Joey (o cavalo) que passa por diversas mãos até retornar a Albert (Jeremy Irvine). Nas primeiras cenas, sem diálogos, Spielberg mostra a história do animal até ser adquirido pelo pai do jovem em um leilão. Impossível não lembrar de A Noviça Rebelde enquanto Albert cavalga feliz pelas colinas irlandesas ao som de uma orquestra. Porém, sem dinheiro para pagar dívidas, o pai de Albert vê-se obrigado a vender Joey ao exército britânico, para desespero de Albert. Entram em campo os horrores — pero no mucho — da guerra. Morreram 4 milhões de cavalos (!) e 9 milhões de pessoas durante a 1ª Guerra Mundial, mas Spielberg mostra tudo sem sangue. Afinal, é um filme para a Disney. Mas, por favor, ignore o mau humor deste crítico. O horror não precisa ser mostrado em detalhes para ser horror e, apesar do tom piegas do filme, este humilde comentarista gostou do que viu. Cavalo de Guerra tem a atração adicional de ser um manancial de citações para diversão de cinéfilos. De um clássico da Primeira Guerra (Nada de Novo no Front), à obras-primas de John Ford (Rastros de Ódio na cena final, mas também As Vinhas da Ira, Como era verde o meu vale e Depois do Vendaval), o diretor norte-americano homenageia meio mundo. Candidato ao Oscar? Imagina se não! Com Jeremy Irvine, Tom Hiddleston, David Thewlis, Emily Watson, Benedict Cumberbatch, Toby Kebbell, Peter Mullan, David Kross, Eddie Marsan, Geoff Bell e Niels Arestrup.
No Cinemark Ipiranga 6, às 22h10.
Tudo pelo poder (***)
(The Ides of March), de George Clooney, 2011, EUA, 101 minutos

Quarto filme dirigido por Clooney, Tudo pelo Poder mostra os bastidores de uma disputa presidencial nos EUA. O governador Mike Morris, interpretado pelo próprio Clooney, pretende a candidatura pelo Partido Democrata. Dentro de um roteiro muito bem alinhavado, encontramos fatos e situações conhecidos do cenário político americano: escândalos sexuais, troca de favores, corrupção, mobilização de populares, acertos políticos, exploração da religiosidade e a interessantíssima atuação da equipe de comunicação e assessores dos candidatos à presidência. Tudo é um grande teatro que visa estar de acordo com a imensa série de desejos e necessidades dos eleitores, mesmo que os compromissos sejam verbais e contraditórios. As negociatas sem limites ou pruridos em busca do eleitorado estão no centro da trama. Destaque para a cena em que Clooney e Philip Seymour Hoffman entram num carro a fim de discutir como contornar um possível escândalo envolvendo uma estagiária (Evan Rachel Wood), algo que pode detonar com as ambições políticas do governador. Os dois entram num carro, mas a câmera não os acompanha, fica do lado de fora. Tudo o que se vê é o cigarro aceso que Hoffman deixa ao lado do veículo. Clooney, esperto, sabe que nada que pudesse ser mostrado seria melhor do que a imaginação do espectador. OK, Clooney é bem mais do que uma carinha bonita, mas não é tão esperto a ponto de escapar de um final moralista. Com George Clooney, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti e Jeffrey Wright.
No GNC Moinhos 3, às 15h40 e 20h.
No Guion Center 3, às 21h15.
No Eduardo Hirtz, às 14h30 e 19h40.
Os nomes do amor (****)
(Le nom des gens), de Michel Leclerc, 2010, França, 103 minutos

Excelente comédia política sobre uma jovem que é tão comprometida com seus ideais que não mede esforços para converter seus opositores. Bahia Benmahmoud (Sara Forestier, vencedora do César na categoria melhor atriz) é filha de uma ex-hippie com um imigrante argelino ativista de esquerda. Também ativista de esquerda, a jovem possui interessantes atributos físicos e, para convencer um homem de direita a mudar de lado, não pensa duas vezes em levá-lo para a cama. Em seus objetivos entra Arthur Martin (Jacques Gamblin), um quarentão que parece conservador, mas se revela socialista. Com grande atuação de Sara Forestier no papel principal, o filme — baseado em experiências pessoais do diretor ao lado de sua mulher — enfoca a pluralidade, a política da França e até o genocídio de judeus na Segunda Guerra Mundial. Com Jacques Gamblin, Sara Forestier, Zinedine Soualem e Carole Franck.
No Instituto NT, às 16h10 e 19h35.
Na Sala Norberto Lubisco, às 17h.
Inquietos (***)
(Restless), de Gus Van Sant, 2011, EUA, 91 minutos

Acho que a maioria dos leitores do Sul21 já viu o clássico Ensina-me a Viver, de Hal Ashby. O início de Inquietos faz-nos lembrar dele. Enoch (o talentoso Henry Hopper, filho de Dennis Hopper) é um jovem sobrevivente de um acidente que matou seus pais, vive em depressão e tornou-se um assíduo frequentador de funerais. Num deles, conhece Annabel (Mia Wasikowska), uma encantadora e darwinista paciente com um câncer terminal. Apaixonam-se. Ok, agora lembraram de Love Story… Adiante! O filme de Gus Van Sant, diretor que sabe como poucos trabalhar com o universo juvenil — vide Paranoid Park e Garotos de Programa — conta com enorme delicadeza e criatividade a desesperada história da dupla. Uma grande sacada do filme é a introdução na narrativa do amigo imaginário de Enoch, Hiroshi (Ryo Kase), um piloto kamikaze da II Guerra Mundial que pontua a narrativa de fina ironia. Com Mia Wasikowska, Henry Hopper, Jane Adams, Schuyler Fisk e Ryo Kase.
Na Sala Eduardo Hirtz, às 18h.
O Garoto da Bicicleta (****)
(Le Gamin au Vélo), de Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2011, França / Bélgica, 87 minutos

Os filmes de Luc e Jean-Pierre Dardenne sempre têm de ser vistos. Vencedores de duas Palmas de Ouro em Cannes — por Rosetta em 1999 e A Criança em 2005 — , os dois irmãos belgas costumam acertar. E voltam a fazê-lo neste excelente drama que traz a também belga (e bela) Cécile de France como atriz principal. Cécile, hoje uma grande estrela, encaixa-se compreensiva e inteligentemente no universo sem glamour dos cineastas. Sem apelar para as lágrimas, a narrativa gira em torno de um menino órfão (Cyril) que procura seu pai. Depois, ficamos sabendo que este deixou Cyril “provisoriamente” num orfanato. Uma cabeleireira (de France) aceita cuidar do menino e de sua dor nos finais de semana. Apesar do desfecho talvez moralista, O Garoto da Bicicleta é uma consistente reflexão sobre o abandono, a prisão, a liberdade, o isolamento, o pertencimento e a marginalização. Não, nada de drama fácil. Aqui todos têm suas justificativas — até mesmo o pai — , o que não torna suas ações menos danosas. Com Thomas Doret, Cécile De France e Jérémie Renier.
No Guion Center 2, às 18h40.
Minhas tardes com Marguerite (***)
(La tête en friche), de Jean Becker, 2010, França, 81 minutos

Minhas tardes com Marguerite é um filme delicado, realista e despretensioso. Se não estivesse escrevendo para o Sul21, diria que é fofo e que você deveria vê-lo à tarde após um café no Guion. Há muita gente interessante da terceira idade que frequenta aquela casa no horário vespertino. Marguerite é uma idosa que passa a conversar em bancos de praça com um feirante semi-alfabetizado — o grande, em todos os sentidos, Gérard Depardieu –, introduzindo-o ao mundo dos livros. O filme é a história da amizade entre ambos, que passa por altos e baixos. Germain (Depardieu) tem baixíssima auto-estima e Marguerite (Casadesus, nascida em 1914!) vive num asilo caro demais para seus sobrinhos e está de mudança para a casa deles. Ela não quer ir. Com Gérard Depardieu, Gisèle Casadesus, Maurane, Patrick Bouchitey e Jean François Stévenin.
Na Sala Paulo Amorim, às 18h10.
A pele que habito (***)
(La piel que habito), de Pedro Almodóvar, Espanha, 2011, 117 minutos
A pele que habito, de Pedro Almodóvar, conta a história do cirurgião plástico Robert Ledgard que, após a morte da sua mulher num acidente de carro por queimaduras, passa a pesquisar a criação de uma pele com a qual pudesse tê-la salvado. Doze anos depois, ele consegue chegar a resultados satisfatórios em laboratório, aproveitando os avanços da ciência. No caminho, ultrapassa os limites do bom senso, brincando de Deus não apenas por ambição, mas em razão da primazia da conquista e da superação de uma culpa insuportável. O filme, que foi apresentado em Cannes, é polêmico e marca uma virada na carreira de Almodóvar. “Irregular”, “decepcionante”, disseram alguns críticos. Mas há defensores intransigentes do filme que o chamam de “denso”, “forte”, “perturbador”. Almodóvar teria abandonado a crônica social ligeira para um mergulho profundo na alma torturada do ser humano. A conferir. Com Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Blanca Suárez e Jan Cornet.
No Sala Paulo Amorim, às 14h30 e 19h40.
O Palhaço (***)
de Selton Mello, 2011, Brasil, 90 minutos

Procurando um caminho que associe bom cinema e audiência, temos a estreia deste O Palhaço em 200 salas do país. Imitando a sua maneira o cinema argentino, Selton Mello faz um pequeno e delicado filme — muito bem atuado pelo excelentes ator-diretor e Paulo José. É uma história de pai e filho. Ambos trabalham num circo, com o filho duvidando da própria vocação, sempre se perguntando se é aquilo mesmo que quer e que faz melhor. Neste ínterim, o Circo Esperança vai sobrevivendo do pouco que arrecada nas bilheterias e da hospitalidade das cidades do interior. Enquanto isso, Benjamim Savala (Selton numa homenagem ao palhaço Carequinha) vê, cidade após cidade, crescer sua insatisfação com a vida errante do circo. Então, decide ir em outra direção. Porém, a vida com endereço, emprego e a rotina casa-trabalho-casa também não o satisfaz. Mello, apesar de alguns tropeços na metade final do filme, é um dos bons diretores brasileiros. Para o gosto deste humilde comentarista, que prefere obras mais autorais, Feliz Natal (2008) é superior, mas O Palhaço é uma boa aposta.
Na Sala Eduardo Hirtz, às 16h15.
Um Conto Chinês (****)
(Un Cuento Chino), de Sebastián Borensztein, Argentina / Espanha, 2011, 93 minutos
Bem, prezados leitores do Sul21, a notícia a seguir é verídica, apesar das risadas que normalmente a acompanham. “Uma vaca caiu do céu e afundou nosso barco”, explicou, anos atrás, um grupo de pescadores japoneses aos tripulantes de uma lancha patrulheira russa, ao serem resgatados. Na dúvida, foram presos. Tal notícia foi publicada pelo diário Komsomolskaja Pravda e pela televisão russa para gáudio, pasmo e ceticismo de milhares de leitores e espectadores. Depois, descobriu-se que o conto dos pobres náufragos japoneses era mesmo real… (Mais detalhes, por exemplo, aqui). Pois a vaca que caiu do céu é o ponto de partida para o excelente filme argentino Um Conto Chinês, estrelado pelo grande Ricardo Darin. Buenos Aires. Roberto (Darín) é um sujeito mal humorado e cheio de manias, dono de uma pequena ferragem que administra sozinho. Suas horas vagas são passadas recluso em casa. Um dia, ele conhece o chinês Jun (Ignacio Huang), que acabara de ser assaltado e arremessado de um táxi. Roberto não entende chinês nem Jun sabe falar espanhol. Roberto fica entre a obrigação moral de ajudá-lo e a vontade de livrar-se do homem a fim de voltar a sua rotina. Eles acabam descobrindo que o verdadeiro motivo para terem se conhecido foi a vaca que caiu do céu. Com Ricardo Darin, Huang “Ignacio” Sheng Huang, Muriel Santa Ana, Javier Pinto e Julia Castelló Agulló.
No Sala Paulo Amorim, às 16h30.
Porto Verão Alegre
Vendetta Corsa, Porque Minha Ferida é Mortal
Casa de Cultura Mario Quintana ( Rua da Praia, 736)
Até 3, 4 e 5 de fevereiro, às 21h
Corte pode ser no corpo ou na alma, o que conta é a permanência, a persistência da ferida. O tempo passa, mas ela permanece ali, sangrando em silêncio, sem perdão nem reparação. Nesta peça, a trama gira em torno da investigação de crimes perpetrados pela mesma faca. A magia da lâmina escolhe suas vítimas e seu executor. Uma parábola moderna do papel do homem frente a impossibilidade de controlar seus impulsos mais primitivos.
Ficha técnica:
Texto e direção: Júlio conte
assistência de Direção: Alessandro Peres
Elenco: Gabriela Boesel – Guilherme Barcelos – Gustavo Saul – Ísis Teixeira – Larissa Hoffmeister – Leo Bello Renata Steffens.
Produção: Cômica Cultural
As Balzaquianas
Casa de Cultura Mario Quintana ( Rua da Praia, 736)
Até 3, 4 e 5 de fevereiro, às 21h
A dona de casa Helena, ouvinte assídua de um programa de rádio, ouve num determinado dia a revolta de sua radialista preferida, Adelaide Fontana, que tomada de um extremo de fúria pelos anos dedicados à Rádio Esperança do Interior, resolve lavar a roupa suja de uma cidade e a sua própria em frente aos microfones da rádio. O público então se depara com a revolta destas duas mulheres que interferem num primeiro momento, indiretamente, mas posteriormente, diretamente uma na vida uma da outra. O que se dá é um compendio de duas mulheres desiludidas, maduras, valentes que escancaram perante o público, temores, dores, angústias em seus delírios de amores.
Direção, Texto e Elenco: Cléber Lorenzoni e Angélica Ertel;
Trilha Sonora:
Concepção: Cléber Lorenzoni e Angélica Ertel;
Operação: Alessandra Souza;
Concepção: Cléber Lorenzoni, Angélica Ertel e Gabriel Wink;
Operação: Gabriel Wink;
Maquiagem, Figurino e Cenografia: Cléber Lorenzoni, Angélica Ertel e Dulce Jorge;
Montagem: Grupo Teatral Máschara;
Produção: Performance Produtora Cultural.
Cale-se – as músicas censuradas pela ditadura militar
Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835)
Até 3, 4 e 5 de fevereiro, às 21h
Espetáculo musical que apresenta músicas brasileiras que foram censuradas pelo departamento de censura federal na época do governo militar no Brasil. Com mais de um ano de estrada, o projeto continua sua trajetória de sucesso com mais surpresas no repertório, além de participações especiais de grandes artistas locais.
Ficha Técnica:
Intérpretes: Cláudia Barbot e Douglas Carvalho.
Músicos: Julian Eilert e Gustavo dos Santos
Direção Cênica: Leandro Ribeiro
Produção e realização: Cia de Teatro Gato&Sapato
Exposições e Artes Plásticas
Dores da Colômbia, de Fernando Botero
Centro Cultural CEEE Erico Verissimo ( Rua dos Andradas, 1223)
Até 8 de março
Está em cartaz no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223), a exposição “Dores da Colômbia”, de Fernando Botero. Nessa individual do artista colombiano, estão reunidas 67 peças, sendo seis aquarelas, 36 desenhos e 25 pinturas. As obras retratam os abusos sofridos pelo povo colombiano como consequência da ação de grupos de guerrilheiros, traficantes, políticos e paramilitares. Botero é conhecido principalmente por suas pinturas de figuras robustas, com um toque cômico e kitsch, que aqui ganham uma dimensão política, dialogando com Picasso e Goya. Segundo a comissária do Museu Nacional da Colômbia, Nathalia Bonilla, as obras mostram, sobretudo, o que ocorreu no país nos anos 90, mas também são um registro universal da condição humana e da violência presente em todos os lugares. A mostra passou por Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, e, depois de Porto Alegre, seguirá para as cidades de Belo Horizonte, Fortaleza e Recife. O conjunto das peças foram doadas por Botero ao Museu Nacional da Colômbia entre 2004 e 2005, e também já percorreu cidades européias e latino-americanas. Com curadoria do próprio Museu Nacional da Colômbia, localizado em Bogotá, a individual marca as comemorações de dez anos de Centro Cultural CEEE. A visitação pode ser feita até 8 de março, de terças a sextas, das 10h às 19h, e sábados, das 11h às 18h. (Carolina Marostica)

Melodia Ácida, 14 litografias originais de Joan Miró
No Café do Porto (Padra Chagas, 293)
Até 16 de fevereiro
Está em cartaz no Café do Porto (Padre Chagas, 293) a exposição Melodia Ácida, apresentando uma série de 14 litografias originais de Joan Miró. As gravuras medem 33 cm x 25 cm e pertencem à série “A Melodia Ácida”, sendo todas assinadas, numeradas, catalogadas e trazendo certificado de autenticidade. Esta série foi editada no ano de 1980 e é inspirada nos textos do crítico de arte e poeta Patrick Waldberg, que, além de admirador, foi um grande estudioso da obra gráfica de Miró e de outros artistas surrealistas. Desde suas primeiras criações gráficas, Miró se dedicou à ilustração de textos poéticos e narrativos, de escritores como Pablo Neruda, Robert Desnos, Joan Brossa e Alain Jouffroy. A exposição trazida ao Café do Porto é fruto de um intercâmbio cultural entre Brasil e Espanha, promovido pela Galeria Antic & Modern, do porto-alegrense Ricardo Zielinsky, que vive em Barcelona desde 2005 e vem contribuindo na divulgação da arte gaúcha no país europeu. Melodia Ácida pode ser visitada até dia 16 de fevereiro, de segunda a quarta, das 8h às 23h; de quinta a sábado, das 8h à meia-noite, e nos domingos e feriados, das 10h às 23h. (Carolina Marostica)

De Chirico: O Sentimento da Arquitetura
Fundação Iberê Camargo (Av. Padre Cacique, 2000)
Até 4 de março
Em cartaz na Fundação Iberê Camargo, De Chirico: O Sentimento da Arquitetura é a primeira exposição das obras de Giorgio De Chirico em Porto Alegre. Nela estão reunidas 45 pinturas e 11 esculturas do período chamado neometafísico, entre os anos 1960 e 1970, além de 66 litografias realizadas para os “Calligrammi di Guillaume Apollinaire” (1930), apresentadas aqui pela primeira vez juntas – todas cedidas exclusivamente pela Fondazione Giorgio e Isa De Chirico, na Itália. De Chirico (1888 -1978) promoveu, junto a Alberto Savinio, Carlo Carrà e Giorgio Morandi, a pintura metafísica, que influenciou o grupo dos surrealistas, do qual o artista chegou a fazer parte por um tempo. Com curadoria da italiana Maddalena d’Alfonso e com apoio da Fondazione Giorgio e Isa de Chirico, a mostra integra as comemorações do “Momento Itália/Brasil 2011-2012”, ficando em cartaz até dia 4 de março na Fundação Iberê Camargo, indo em seguida para a Casa Fiat de Cultura (20 de março a 17 de junho) e se encerrando no MASP (29 de junho a 20 de setembro). A Fundação Iberê Camargo fica aberta de terça a domingo, das 12h às 19h, quintas até as 21h. (Carolina Marostica)
O Museu Sensível: uma visão da produção de artistas mulheres na coleção do MARGS
No MARGS – Praça da Alfândega, s/n° – Centro
Até 18 de março
Está em cartaz no MARGS (Praça da Alfândega, s/n° – Centro) a exposição O Museu Sensível: uma visão da produção de artistas mulheres na coleção do MARGS. A exposição reúne obras de 131 artistas mulheres pertencentes exclusivamente à coleção do museu, sendo a grande maioria delas nunca antes exibidas pela instituição. A mostra se propõe a pensar o lugar ocupado pela produção artística feminina na coleção do Museu, reavaliando a posição deste como instituição. Assim, O Museu Sensível pode ser considerada a primeira exposição autocrítica que o museu realiza. Tendo curadoria do diretor do MARGS, Gaudêncio Fidelis, a exposição adota, assim como nas anteriores Do Atelier ao Cubo Branco e Labirintos da Iconografia, um modelo não cronológico de exposição de obras, visto que o que está em questão não é a prioridade histórica. Assim, o visitante se deparará com obras de grande distância temporal exibidas muito próximas no espaço expositivo. A exposição pode ser conferida até dia 18 de março, com visitação de terças a domingos, das 10h às 19h. (Carolina Marostica)

Sinopse – Gerhard Richter
No MARGS – Praça da Alfândega, s/n° – Centro
Até 26 de fevereiro
Um dos pintores contemporâneos mais destacados internacionalmente, o alemão Gerhard Richter, está pela primeira vez com uma exposição na capital gaúcha. A mostra, denominada Sinopse, é realizada em parceria do Instituto de Relações com o Exterior (ifa) da Alemanha com o Goethe-Institut e está acontecendo no segundo pavimento do MARGS (Praça da Alfândega, s/n° – Centro), reunindo 27 obras representativas do pintor, que ele mesmo escolheu e que perpassam todas as suas fases, desde a da fotografia-pintura dos anos 60 até as pinturas abstratas dos anos 80 e 90. O observador que desconhece a obra do artista, ao visitar a exposição e se deparar com pinturas tão diversas, pode pensar que se tratam de trabalhos de vários artistas. Porém, talvez o traço mais marcante do artista seja a sua versatilidade, que assume com extrema habilidade, sendo uma grande exceção na história da arte. Mas, por detrás de tantos motivos, Richter tem um grande tema: a pintura, linguagem que busca sempre questionar. Sinopse pode ser vista até dia 26 de fevereiro, de terças a domingos, das 10h às 19h. (Carolina Marostica)
Música popular
Bloco de Carnaval de Rua Maria do Bairro
Rua Sofia Veloso, S/n
Cidade Baixa, Porto Alegre / RS
A grande festa do bloco de rua da Maria do Bairro esta garantida e será no próximo sábado, dia 04 de fevereiro, a partir das 17h! O 6° Carnaval na Sofia Veloso, que desde 2007 vem causando muito agito e animação na Cidade Baixa. O tradicional bloco comanda a folia no trio elétrico com diversas atrações: a bateria mirim do Areal da Baronesa, a banda do bloco e mais convidados surpresa. Além disso, há também espaço para um tradicional concurso de fantasias. O enredo deste ano é “Linguiça de Gente Alegre”, que celebra os 90 anos do Manifesto Antropofágico e fala ainda dos infames crimes da Rua do Arvoredo e da vocação humana para o canibalismo.
Parangolé Bar e Restaurante – Comida, bebida e música de primeira!
Rua General Lima e Silva, 240
Cidade Baixa, Porto Alegre / RS
Uma excelente pedida musical da noite de Porto Alegre é o Parangolé Bar e Restaurante, do queridíssimo “seu” Cláudio. Com gastronomia diferenciada e rodas de música informais, pautadas sempre pela qualidade, o bar tem atendimento atencioso e uma seleção de cervejas artesanais e tradicionais. O lugar é pequeno e aconchegante, não tem palco, e a música acontece ali mesmo, entre as mesas. A cada noite da semana um estilo musical diferente: segunda-feira é o dia do SAMBA E MPB. Nas terças, há a já tradicional RODA DE CHORO com o bandolinista Rafael Ferrari e Samuca do Acordeom, além de pandeiro, cavaco, e quem mais aparecer e tiver cacife para entrar na roda. Não é incomum Yamandu Costa aparecer pra dar uma canja. Nas quartas, TANGOS, BOLEROS E CHAMAMÉS com o bandoneonista Rafael Koller, ao lado da cantora Maria Luiza Benitez e do violinista Silfarnei Alves. Nas quintas é a noite da SERESTA, com o Prof. Darcy Alves comandando a festa com clássicos da velha guarda da música popular brasileira. E nas sextas, JAZZ e MUSICA INSTRUMENTAL. Seja qual for o dia, é satisfação garantida! Ah, ao meio dia, almoço vegetariano delicioso! (Marcelo Delacroix)
Bar e Restaurante Terra Nova
Na Rua Santa Cecília, 1834, esquina com Neuza Brizola, quase na Protásio Alves
Uma ótima opção musical na cidade é o Terra Nova! O Bar e Restaurante tem se firmado como ponto de boa música apresentando todas as segundas feiras a já tradicional roda de choro e samba de raiz. Nas quintas, a noite é do jazz, com a Terra Nova Jazz Band, reunindo sempre excelentes instrumentistas e repertório selecionado. O restaurante tem um ambiente bastante aconchegante e serve picanha na tábua, pizzas e petiscos. Couvert a R$ 12,00 O Terra Nova fica ali na Santa Cecília esquina Neuza Brizola, pertinho da Protásio. (Marcelo Delacroix)






