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Rio atrai multidões e reforça carnaval popular no Brasil
Rachel Duarte/Especial Rio de Janeiro
“Alô burguesia de Ipanema!†Este é o grito de guerra que levou 150 mil pessoas atrás do bloco Simpatia é Quase Amor neste domingo (19), no Rio de Janeiro. Contrariando a crença de que o espetáculo de carnaval só tem tradição na Marquês de SapucaÃ, o expressivo público do bloco que nasceu em meio à campanha pelas Diretas Já, em 1985, foi uma mostra de que o carnaval de rua na cidade maravilhosa tem, além de história, cada vez mais amantes.
Criado de maneira despretensiosa pelos seus fundadores, o bloco Simpatia é Quase Amor saiu pela primeira vez com cerca de 300 pessoas que se aglomeraram em torno de uma kombi para curtir o samba em Ipanema, bairro nobre da zona sul carioca. O nome do bloco foi retirado do livro “Rua dos Artistas e Arredores”, de autoria do hoje patrono da agremiação, Aldir Blanc. O personagem Esmeraldo Simpatia é Quase Amor é um malandro da região da Muda, na Tijuca, na Zona Norte.
Esse domingo de Carnaval começou cedo para os foliões de plantão. Mal o sol nasceu e já tinha gente fantasiada esperando a banda do Boitatá na Rua do Mercado. O bloco Cordão do Boitatá surgiu em 1996, da reunião de oito músicos que tocam sopro e percussão. O repertório é de canções antigas e pesquisas profundas pela música popular brasileira, acompanhadas pela bateria e um grande dragão feito de pano e movido por gente.
Um dos mais antigos blocos do carnaval de rua do Rio de Janeiro, o famoso Cordão da Bola Preta reuniu uma multidão no sábado (18). O bloco surgiu na passagem do ano de 1918 para 1919, e traz no repertório marchinhas como Quem Não Chora Não Mama, que virou o hino da agremiação desde 1961. Pela quarta vez consecutiva a atriz Leandra Leal e a cantora Maria Rita desfilaram como porta-estandarte e madrinha do bloco. O Cordão da Bola Preta é reconhecido como Patrimônio Cultural do Povo Carioca e é o último representante dos antigos cordões carnavalescos.
Carnaval rock e brega
Toca Raul! O novÃssimo bloco com o mesmo nome de uma das frases mais entoadas por roqueiros brasileiros desfilou pelo segundo ano também neste domingo (19), na Praça Tiradentes. O local, que abriga diversos teatros e já foi considerado o coração cultural da cidade, foi tomado por fãs de Raul Seixas. O Toca Raul mistura as músicas clássicas de um dos mais importantes representantes do rock brasileiro com a batucada digna de uma bateria de escola de samba. E não é o único que surgiu para agradar aqueles que não são tão Ãntimos do samba. Desde o ano passado o bloco Sargento Pimenta mantém viva a beatlemania em época de Carnaval.
Três dias após a morte do cantor Wando, o bloco em homenagem ao artista foi as ruas levando cerca de 4 mil pessoas. “Fogo e Paixão†reuniu inúmeras viúvas de Wando. Não faltaram calcinhas durante a passagem do bloco pelo Largo São Francisco de Paula. O bloco Fogo e Paixão foi formado por 70 batuqueiros que participam de diversos outros blocos cariocas, como Bangalafumenga, Quizomba e Monobloco.
Ao todo são quase 300 blocos inscritos para desfilar no carnaval de rua do Rio de Janeiro. Em pleno calendário oficial de desfiles no reformado sambódromo carioca, ficam lotadas também as ruas dos principais bairros da cidade. Atrás da agenda dos blocos estão famÃlias inteiras, grupos de amigos e turistas de vários continentes. Não há quem não se renda a um adereço ou mesmo fantasias inteiras. O requinte e originalidade não deixam a desejar. São pessoas que aguardam com expectativa a hora de desfilar pelas avenidas do Rio.
Nesta época do ano é comum ver homens de fraldão e chupeta sacando dinheiro em caixas eletrônicos, um capeta saindo do restaurante ou um grupo de bailarinas esperando o ônibus no ponto. Até mesmo os motoristas não deixam de usar pelo menos uma peruca Black Power durante o expediente. Acorda-se fantasiado e encerra-se o dia fantasiado. Em meio a um bloco e outro, os foliões curtem a praia, em um festival de chapéus engraçados à beira-mar.
Comentários (2)
» Deixe seu comentárioFalou tudo, Eugênio! Aà que está a cultura nacional de verdade. Mas sobre ser em bairro de classe média, vai saber… de repente joãozinho 30 estava certo hehehehe.





Isso sim é que é canaval de verdade. O povo na rua sem alambrado separando quem pode e quem não pode pular. E o curioso, até paradoxal, é que o carnaval popular está sendo resgatado nos bairros classe média. Quem diria…