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Mais de 1 milhão vão às ruas na Espanha contra reformas
Da Redação
Mais de 1 milhão de espanhóis foram às ruas neste domingo, em 57 cidades, numa demonstração de força contra a retirada de direitos trabalhistas. A grande manifestação, convocada por sindicatos, pode ser o primeiro passo de uma greve geral. Os sindicatos calculam que cerca de 500 mil pessoas estiveram presentes à Puerta Del Sol, em Madri, ao passo que 400 mil foram às ruas em Barcelona, 150 mil em Valência e 35 mil em Alicante. Para a polícia, foram apenas 25 mil em Valência e 22 mil em Alicante. Na Andaluzia, os sindicatos calculam que 100 mil pessoas foram às manifestações, 30 mil na capital, Málaga, e 20 mil em Sevilha.
As manifestações chegam aos pontos mais longínquos da Espanha, como as Ilhas Canárias (na costa africana do Atlântico), Ceuta (que fica no Marrocos, mas pertence à Espanha) e nas Ilhas Baleares, no Mediterrâneo, onde a manifestação ocorre na famosa praia de Ibiza. Em todas elas, o lema é “Não à reforma trabalhista, injusta com os trabalhadores, ineficaz para a economia e inútil para o emprego”. Novas manifestações estão marcadas em todo o país para o dia 29 de fevereiro.
Um decreto-lei instituiu a reforma trabalhista no domingo passado e foi festejado por empresários, que consideram que a Espanha se tornará mais atrativa para investidores até então temerosos em investir no país. A principal mudança instituída pelo decreto foi facilitar radicalmente a demissão de empregados. As empresas que tiverem três semestres consecutivos com queda de receita poderão demitir seus funcionários pagando apenas 20 dias de indenização por ano trabalhado. Sem este requisito de queda nas receitas, as empresas poderão pagar 33 dias de indenização. Anteriormente, todas deviam pagar indenização de 45 dias por ano trabalhado. A lei também valerá para empresas públicas, que poderão demitir com pagamento de 20 dias de indenização se houve “insuficiência orçamentária” durante três semestres.
Foi fixado também um limite de dois anos de validade para acordos coletivos entre empregados e empregadores. Além disto, será mais simples demitir trabalhadores por faltas. Até mesmo faltas por doença ou acidente poderão entrar no cálculo que permite ao empregador demitir o funcionário por ausências no trabalho.
A facilidade para as empresas demitirem tem sido considerada pelos que se opõem um desmantelamento da regulação trabalhista na Espanha. Empresários, por sua vez, admitem que o efeito imediato deve ser uma onde de demissões, mas garantem que em médio prazo deve haver um aumento do emprego.
Economistas vinham defendendo que a Espanha precisa baixar os custos com pessoal para que as empresas exportar mais, a preços menores, reduzindo o déficit da balança comercial do país. Mas boa parte dos espanhóis custa em acreditar que é possível ter uma economia saudável com uma onda de demissões no horizonte.
Com informações do El Pais e RTVE
Comentários (2)
» Deixe seu comentárioA matéria ficaria mais completa se mencionasse que o Partido Popular, que apoia as reformas, ganhou de lavada as eleições em quase todo o país.
Governo franquista, o que se deveria esperar? A guinada à direita radical por parte da população é sempre traumática… traumática para a população que acreditou em suas promessas.