Editorial

Clubes militares: insubordinação e comportamento antidemocrático

Perigosa e merecedora de firme represália a manifestação dos presidentes dos clubes militares contendo críticas a uma pretensa “omissão” da presidenta Dilma Rousseff frente aos posicionamentos das ministras Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, e Eleonora Menucci, das Mulheres, e, ainda, desacordo com resolução do Partido dos Trabalhadores, divulgada por ocasião do aniversário daquele partido político.

Leia Mais:

– Dilma vira alvo de militares por opinião de ministras sobre ditadura

Em uma democracia, militares, mesmo na reserva, não possuem direito de expressão. São servidores armados do Estado que, nesta condição, devem ser submeter sem qualquer contestação à Constituição Federal, às leis e às ordens emanadas de seu comandante em chefe, o(a) presidente(a) da República. Não lhes cabe, como militares, o direito de se posicionar e de emitir opinião política.

Opinião e direito de expressão são direitos consagrados e fundamentais dos cidadãos, não dos servidores públicos armados. Na qualidade de cidadãos, quaisquer indivíduos, mesmo aqueles incorporados às corporações militares, devem possuir o direito de se posicionar frente aos atos dos governantes.  Houvesse, pois, os presidentes dos três Clubes Militares se manifestado em nome pessoal e não como presidentes de entidades que congregam militares, ainda que na reserva, e suas críticas deveriam ser aceitas e consideradas cabíveis na disputa democrática.

Cobrar, entretanto, na condição de militares, mesmo que na reserva, repita-se, posicionamento da presidenta da República, buscando enquadrar exatamente a autoridade à qual devem estar subordinados, é comportamento inadmissível em uma democracia. Dilma Rousseff precisa agir com rapidez e energia. Não pode permitir que a(o)s viúva(o)s da ditadura e do arbítrio se rearticulem e passem, mais uma vez, como já o fizeram tantas vezes na história política brasileira, a se julgar no direito de influir e tentar ditar os rumos do país.

Como prova de que as vivandeiras de quarteis, tão pródigas na antiga UDN, não desapareceram ainda por completo no Brasil, no Rio Grande do Sul, Edson Brum, um deputado estadual peemedebista (por estranho que possa parecer), já se apressou em se manifestar favorável à posição dos clubes militares, classificando-a, em seu Twitter, como “corajosa”.

Não pode, pois, passar em brancas nuvens o episódio. Cabe à presidenta da República exercer a autoridade democrática que possui e cabe aos cidadãos e às organizações da sociedade civil manifestar fortemente seu repúdio à insubordinação e ao atrevimento antidemocrático dos dirigentes dos clubes militares. Será a melhor forma de cortar o mal pela raiz e de demonstrar que os valores democráticos finalmente se instalaram no Brasil, que existem instituições democráticas fortes e em funcionamento no país e cidadão dispostos a defendê-las.

I Fórum Mundial da Bicicleta

Inicia-se hoje (23) e se estende até o domingo (26), em Porto Alegre, o I Fórum Mundial da Bicicleta. Evento autônomo e autogestionário, não vinculado a organizações partidárias nem a governos, o Fórum acontece no momento do transcurso do primeiro ano do atropelamento intencional de 17 ciclistas do movimento Massa Crítica, na mesma cidade. Seu objetivo é o de despertar a consciência dos cidadãos e dos governantes sobre a urgência de se buscar e se incentivar outros meios de transporte que não os motorizados. O uso da bicicleta estará sendo discutido em todos os seus aspectos: mobilidade urbana, integração comunitária, bem estar social e pessoal, questões econômicas e prática esportiva etc.

Devido ao seu caráter e forma organizativa, o evento será gratuito e aberto à livre participação, mas não recebe nem buscará receber financiamento oficial ou público. A única benesse pública buscada e aceita foi a utilização graciosa das dependências da Usina do Gasômetro, onde ocorrerão os trabalhos. Até mesmo a passagem aérea do convidado especial e um dos idealizadores do primeiro Massa Crítica, Cris Carlsson, vindo de San Francisco, EUA, está sendo paga por meio da arrecadação de contribuições voluntárias. Veja o link: http://forummundialdabici.com/ e, se possível, colabore.

Consciente da importância do evento e de seus objetivos, o Sul21 estará acompanhando todos os trabalhos do I Fórum Mundial da Bicicleta e produzindo reportagens diárias sobre os mesmos.

Comentários (20)
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Comentário de: Armando | 23 de fevereiro de 2012 | 9:58

Vejam a que ponto chega a petulância desses trogloditas.
A finalidade desse CLUBE MILITAR é servir de fachada para esse tipo de manifestação sem fundamento.
Esses generais são uns desmoralizados, fracos, e NÃO TEM PEITO para assumir o que pensam, se abrirem a boca fazendo qualquer reclamação perdem as mordomias que o cargo proporciona, então se utilizam de forma covarde desses artifícios quando sentem necessidade de dizer algum recado para o governo que, por conveniência ou temor, finge acreditar que as manifestações são somente dos militares da RESERVA. Os da ATIVA também participam das atividades desses “clubes”, são todos farinha do mesmo saco.
Isso é uma afronta, um desafio. Um teste bem pensado.
Querem intimidar o governo e pelo jeito estão conseguindo.
Sempre houve resistência por parte dos militares em realmente se submeter ao poder civil.
Está na hora de Trocar a Cúpula das forças Armadas no Brasil.
E com urgência. Quem entende do assunto sabe o porquê dessa necessidade.

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Comentário de: Armando | 23 de fevereiro de 2012 | 10:14

Se houve essa manifestação de indisciplina é porque os militares avaliaram a sua viabilidade diante da atual conjuntura política.
É uma estratégia militar. Nada é feito sem que sejam consideradas todas as possibilidades.
Estão rasgando seus próprios regulamentos, contando com a impunidade e com a frouxidão do governo. Perceberam que o ministro da defesa é manipulável e já contam com sua simpatia pois este se rendeu aos agrados interesseiros dos milicos. É um perigoso jogo que põe em xeque a autoridade presidencial.

Comentário de: Mauro Pacheco | 23 de fevereiro de 2012 | 11:38

O atual governo que esquecer aquele período. Não podemos esquecer não, deste importante período do nosso País. O Milico está certo em defender sua posição da mesma forma que defendeu o não batizmo de navio da transpetro com o nome de um meliante entrincheirado na MB – o joão candido. Foi uma afronta à MB a escolha do nome. A Sr. Dilma está tentando provocar nova crise nas FFAA de forma semelhante a que Lula provocou. Isso é um perigo pois ameaça a soberania do País. A Dilma revolucionária da época, que hoje paga de santa, de boa moça, que se cuide. Quem diria, uma ex-guerrilheira comanda o País e as FFAA! Não é mole não!

Comentário de: Daniel | 23 de fevereiro de 2012 | 13:00

A eminência parda de pijama.

Comentário de: cezar | 23 de fevereiro de 2012 | 15:14

Perigo! Que perigo !? Existe Constituição ou não!! A turma de pijama deveria se precupar com outros temas: defesa nacional, aparelhamento das Froças Armadas, defesa do Pré-sal etc.. Tem tanto tema relevante ..e os caras ficam pensando em afrontar a democracia.. estão defendendo quem?? Ideologias estranhas naõ acham??

Comentário de: Avelino | 23 de fevereiro de 2012 | 15:25

Seriam os mesmo militares que tanto atuaram durante esse período?!Comissão da Verdade já.
Corajosos antes e com medo agora?!
Que se expliquem e paguem pelo que fizeram.

Comentário de: Geraldo Hasse | 23 de fevereiro de 2012 | 15:48

Ao contrário do que prega o editorial, a melhor estratégia contra a petulância das viúvas da ditadura militar é a indiferença. Dar-lhes (a presidenta) “uma resposta rápida e enérgica” seria cair na provocação, entrando num caminho sem volta, justo aquele que mais interessa aos beneficiários do festim antidemocrático. Eles estiveram no poder por mais de vinte anos e não souberam usá-lo convenientemente em benefício da maioria. Abusaram, transgrediram e caíram de podres. Como escreveu Cazuza, tenhamos “piedade dessa gente careta e covarde”. A resistência continua e a melhor forma de sustentá-la é dar respaldo às ações da soberana eleita pelo voto da maioria.

Pingback de: Jornal Sul21: Em uma democracia, militares, mesmo na reserva, não possuem direito de expressão. | ASSTBM | 23 de fevereiro de 2012 | 16:03

[...] Fonte SUL21  - Link original  [...]

Comentário de: selminha | 23 de fevereiro de 2012 | 16:46

Gente, não levem a sério esses velhos gagás do clube militar, eles ainda não se deram conta que hoje não apitam mais nada, vão cuidar dos netinhos e levar o cachorrinho pra fazer pipi na praça seus desocupados.

Comentário de: eu mesmo | 23 de fevereiro de 2012 | 17:44

Agora é tarde!!! a polêmica está criada, alimentada pelos próprios contrarios aos milicos. Estão mexendo cm quem mandou, e ainda sabe mandar, nesse país…toda essa provocação é um perigo! ou há interesse em deixá-los bravos??? e muito cuidado com essa tal de comissão da verdade, o tiro pode sair pela culatra e acertar o próprio pé!!!

Comentário de: Carlos Bonasser | 23 de fevereiro de 2012 | 20:06

Caríssimos em primeiro lugar deve-se atentar para o fato de que um erro não justifica outro ou outros, antes de que a Presidente tome qualquer atitude quanto ao teor da nota oriunda dos clubes Militares ela deve sim vir a público e desdizer o que seus também subordinados ministros andaram sem seu aval falando não só à Nação mas tambem ao público internacional.
Devem todos observar que qualquer Militar é antes de tudo um cidadão, e diga-se de passagem com o culto do real patriotismo e nacionalismo do que qualquer outro, principalmente se comparado com esses militantes esquerdopatas e adeptos de traidores da Pátria.
O fato de o elemento ser Militar da ativa ou reserva não lhe tira e nem promove a renuncia aos seus direitos como cidadãos, gozam dos mesmos direito e têem muito mais deveres para com o serviço, a coisa publica e para com a Pátria.
É pura balela esse papo de mencionar como o texto acima de que o Militar da reserva não deve “Cobrar, entretanto, na condição de militares, mesmo que na reserva, repita-se, posicionamento da presidenta da República, buscando enquadrar exatamente a autoridade à qual devem estar subordinados, é comportamento inadmissível em uma democracia”, pois nem deveria de ser cobrado pois o Presidente como chefe supremo das FFAA não deveria tolerar que gente de sua equipe de governo, subordinado ao Povo e à Nação, marcasse posição politica e ideologica sobre assunto de Estado sem seu prévio conhecimento e anuência.
Não vejo nessa atitude dos Clubes Militares algo de corajoso, pois é uma análise normal da atual conjuntura e do comportamento dessa equipe de governo que ao invés de trabalhar para o bem da coletividade se detém em picuinhas no intuito de promover a satisfação ideológica, coisa já fora de moda mundo afora.
O elemento que hoje ocupa o maior cargo público do País deve sim é trabalhar no sentido de produzir resultados práticos e eficazes e manter seu grupo de trabalho não só coeso mas sob controle, na certeza de que não farão bobagens como sempre veem fazendo e falando esses ministros dessas secretarias avulsas, ficam atirando para todo lado sem o devido respeito que o tema exige.
Acredito também que deve esses elementos que se dizem formadores de opinião deixarem de fazer tal fragmentação boba com respeito à nossa sociedade, ela é uma só não existe essa tal coisa de sociedade civil organizada ou sociedade civil, o que de fato existe é a sociedade brasileira e só.
No mais os Presidentes dos Clubes Militares bem como qualquer cidadão tem sim o direito de realizar cobranças de qualquer servidor público nas mais diversas esferas da administgração pública, é o culto ao principio da transparência e pelo que sei ninguem esta imune seu controle tampouco o chefe de Governo. O que se observa é que nós não temos cultura nenhuma nesse aspecto essa é a verdade.
Para finalizar acredito que nosso chefes Militares andam se contaminando com esses Governos ditos populares, pois esquecem do principio da alternaçia do poder e continuam no comando das FFAA sem que suas substituiçõpers oxigenem e renovem os angulos de visão no que concerne à administração das FFAA, estão de fato viciadas e isso é muito ruím para todos.
A meu ver a atitude do Comandante do Exército em retirar a nota do Clube Militar , mesmo que Militar não engrandece nem ajuda em nada, pelo contrário, enfraquesse e deixa demonstrado que há algo de errado na condução de sua área de atuação, onde de forma obliquoa promove o cerceamento de expressão.
Nada mais um forte abraço e espero que o moderador não encontre nada ofensivo e publique meu comentário.
Abraços a todos.

Comentário de: BRASIL | 23 de fevereiro de 2012 | 22:54

Não podemos esquecer numca de que os golpistas de 1964 eram os políticos do PSD, UDN. Com o golpe passaram a ser ARENA; após o término do período golpista mudaram para PSDB e DEM.
Esses golpistas sempre usaram as FFAA como testa de ferro para efetivar o golpe e também a Igreja Católica; ambos aliados do atual PSDB e DEM.
As FFAA perderam a situação de ministério e então os golpista agora tem apenas a Igreja para os golpes. Como vimos nas últimas eleições com os panfletos que as dioceses estavam imprimindo.
Os golpista estão sempre prontos para… o golpe!

Comentário de: cezar | 24 de fevereiro de 2012 | 9:22

Nunca vi esses clubes defendemrem a soberania Nacional sob o ponto de vista da economia.. Deveriam ter se indignado quando venderam a VAle do rio Doce…Mas não! Foram frouxos e coniventes a com a privataria tucana

Comentário de: chaplin | 24 de fevereiro de 2012 | 13:00

Ora, num país de vassalos e servos, com uma sociedade ordinária e culturalmente corrupta, onde verdadeiras lideranças simplesmente inexistem, o desmando ou descumprimento, seja civil ou militar, é comum. A Dilma essa não passa de um boneco manipulado por uma parte de elite conservadora, Sarney e outros q tais, que, sustentados por uma maioria totalmente fisiológica no Congresso, deita e rola seus interesses de poder, enquanto o PT zela pela sua fatia na orgia chamada Brasil…

Comentário de: Valnez Bittencourt | 24 de fevereiro de 2012 | 15:36

Quem não assume o que fez, o que é?

Quem não pune criminosos, o que é?

Comentário de: Fabio Silva | 24 de fevereiro de 2012 | 19:20

Não sei de onde foi tirada essa idéia estapafurdia de que militares não tem direito a expressar opiniões, o que é um direito de todos os cidadãos deste país, cuja democracia existe hoje graças ao pulso forte de alguns no passado. Não deve ser confundido disciplina com submissão. Militares da reserva já cumpriram o seu papel e hoje são a voz daqueles que juraram manter a hierarquia e a disciplina, não importa a situação. Quando a situação no país fica caótica, todos querem os militares na rua, mas alguns falsos moralistas, passada a crise (e deixam o abrigo do pulso forte), insistem em querer desmerecer as instituições militares. Só rindo…

Comentário de: Marco | 24 de fevereiro de 2012 | 20:19

Nunca saíram do poder!
Aliás nenhum governo, teve coragem de punir os culpados por desmandos durante o regime militar, como já aconteceu na maioria da América Latina.

Pingback de: É hora de fazer valer a Constituição | Cão Uivador | 25 de fevereiro de 2012 | 1:03

[...] o Sul 21 publicou um editorial que me deixou meio “sem palavras”. Pois a ideia do texto é exatamente a mesma que a [...]

Comentário de: eu | 25 de fevereiro de 2012 | 16:52

Mas,só agora eles perceberam essa “afronta”? Esse navio já foi batizado a trocentos anos. Vão arranjar outra pra fazer polêmica vovôs!! Vão arranjar o que fazer e deixem governo em paz.

Comentário de: antonio carlos | 8 de março de 2012 | 22:46

Sou eng.militar. A presidente Comuna e o Min.Defesa esqueceram-se da lei que o Sarney assinou liberando militares da reserva emitirem opiniões políticas. Os burros aqui não sabem que os Orleãns e Bragança, Whashigton Luis, Vargas, Jango também não ligaram para o velinhos. Antes da ameaça eram 95. Hoje fechou em 1418. Civis mais 40%. E as adesões aumentam. Obrigado aos merdas do PT. Vai piorar quando prenderem aqueles que se recusarem a depor na comissão do PT e invadirem residencias dos velhinhos para busca e apreensão. Ai você verão uma crise político-militar muito pior. As Forças Armadas do Brasil não é feita de escoteiros. O ultimo estágio são os da ativa. Aqui e lá não passarão!

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