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PM prepara ação em Pinheirinho e moradora avisa: “Vamos lutar até o finalâ€
Felipe Prestes
Atualizado às 09h30
“A reintegração da área do Pinheirinho é uma decisão da Justiça e será cumprida em breveâ€, avisam os ameaçadores panfletos que a PolÃcia Militar de São Paulo lançou na tarde desta segunda (16) de helicóptero. Nos bairros lindeiros ao Pinheirinho, em São José dos Campos, ocupado há oito anos, é grande o contingente policial por isso não se sabe o tamanho da tragédia caso a polÃcia tente desalojar violentamente os moradores. “Vamos lutar até o finalâ€, adverte Zilda Aparecida da Cruz, empregada doméstica de 33 anos, que conversou por telefone com o Sul21.
A reintegração de posse que aconteceria nesta terça (17) foi suspensa nesta madrugada pela Justiça Federal.
O advogado Toninho Ferreira, que defende os moradores, passou o dia inteiro tentando uma solução, extremamente preocupado com a possibilidade da reintegração. “Vai ser uma carnificina. É uma loucuraâ€, diz. No final da tarde, ele foi recebido na Casa Civil do governo paulista, onde pediu que o governador Geraldo Alckmin impeça a PolÃcia Militar de entrar no bairro. “A Casa Civil nos recebeu muito bem, mas não decidiu nadaâ€.
O impasse esbarra também na Prefeitura de São José dos Campos, administrada por Eduardo Cury (PSDB), e na Justiça. Os governos estadual e federal vêm tentando desde a semana passada resolver o impasse desapropriando a área e indenizando o proprietário, que é a massa falida da Selecta S/A, que pertence ao empresário Naji Nahas, suspeito de envolvimento em vários escândalos de corrupção.
Na sexta-feira (13), emissários das áreas de Habitação estadual e nacional ofereceram à Prefeitura uma proposta para o impasse. Segundo o jornal O Vale, a proposta seria o governo federal desembolsar o valor necessário para desapropriar a área e o estadual desenvolver projetos urbanÃsticos necessários. A proposta depende da Prefeitura porque é preciso alterar o regime urbanÃstico municipal. E a Prefeitura não parece com pressa para resolver a questão, mesmo com a iminência de uma tragédia.
De acordo com a assessoria de imprensa da administração municipal, a proposta está sendo analisada e a Prefeitura ainda não tem uma posição. Entretanto, a assessoria já adiantou que a proposta é considerada inconsistente, porque não há nada que deixe claro o financiamento da desapropriação da área pelo governo federal. Além disto, a Prefeitura diz que “o que existe hoje é uma ordem judicial†pedindo a reintegração, e que está se preparando para cumprir a parte que lhe foi determinada, preparar abrigos para receber até 8 mil pessoas e seus bens – no último censo, a área tinha 5,5 mil habitantes.
A Prefeitura ressalta que a Justiça também considerou inconsistente uma proposta do governo federal. Na semana passada o governo federal pediu que a juÃza da 6ª Vara CÃvel de São José dos Campos, Márcia Faria Mathey Loureiro, suspenda a reintegração por 120 dias. Ela negou.
“Terão que derrubar comigo dentroâ€, diz moradora
Na sexta-feira, o Brasil ficou impressionado com as imagens da população de Pinheirinho criando seu próprio batalhão de choque para defender suas moradias. São cachorros, latões sendo usados como escudos, capacetes de motoqueiro na cabeça, pedaços de pau na mão. Essa cena deve se repetir se a PolÃcia Militar cumprir a ordem de reintegração de posse. “Eles tem os armamentos deles, nóis temo o nossoâ€, diz Zilda Aparecida da Cruz.
O “nóis†evidencia a origem humilde de Zilda. Doméstica, 33 anos, mora com os filhos, de 7 e 15 anos, e com o marido. Eles estão lá desde o inÃcio da ocupação há oito anos. A casa é descrita como “confortável†e “arrumadinhaâ€. E se livrar do aluguel foi como tirar o peso das costas. “A gente pagava aluguel e agora que a gente tem um meio melhor, uma casa confortável, o pessoal vem fazer essa cachorrada?â€.
Zilda garante que não sai do Pinheirinho. “Cara e coragem, vamos lutar até o finalâ€. E se equipamentos de destruição chegarem até sua casa, terão que derrubá-la junto, garante. “Se tiverem derrubando minha casa, eu entro nela. Terão que derrubar comigo dentroâ€.
Um clima de tensão está no ar do Pinheirinho. “O pessoal da vizinhança liga preocupado e diz que está cheio de polÃcia. Aqui está todo mundo se preparandoâ€, diz Zilda Aparecida da Cruz. Pelo telefone é possÃvel ouvir o som de alguém falando num megafone. Zilda denuncia que além de panfletos, pedras foram jogadas de helicóptero pela PolÃcia Militar, danificando telhados das casas.
As cerca de 1,6 mil famÃlias vivem em uma área de 1,3 milhão de m², avaliada em R$ 84 milhões. A ocupação ocorreu em 2004. “Estava parada há anos, nunca cumpriu sua função socialâ€, defende o advogado Toninho Ferreira. Ele afirma que a área foi grilada depois do assassinato de um casal de alemães que era proprietário do terreno e não tinha herdeiros.
Mesmo com 5,5 mil moradores, não há qualquer serviço público no bairro. Tudo precisa ser feito nos bairros próximos. Muitos moradores de Pinheirinho são metalúrgicos. Grande parte trabalha também na construção civil, devido ao aquecimento desta atividade nos últimos anos. “As pessoas estão lá há oito anos. As casas já são de alvenaria. São trabalhadores que juntaram dinheiro todo mês para comprar cimentoâ€, afirma Toninho.
Comentários (4)
» Deixe seu comentárioAcho que a dita “justiça” podia cobrar do Naji Nahas que ele devolva a posse daquele edifÃcio que ele fez com conchinhas do mar e a vida daqueles trabalhadores que lá a parderam quando ele desabou. É brincadeira, só no Brasil!!!
E a lei do usucapião vai pro lixo em SP. Seria o caso de colocar o exército ou coisa semelhante para deter os crimes do governo estadual de SP.
[...] passada, uma liminar da justiça federal suspendeu o pedido de reintegração de posse. Houve uma tentativa de negociação entre o governo federal e os governos estadual e municipal para a desapropriação do terreno. [...]


Como sempre, tudo em nome do “sagrado” direito de propriedade. E, tragicamente, do Naji Nahas.