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Lideranças do Maranhão denunciam assassinato de criança indígena

Da Redação

Lideranças indígenas no Maranhão denunciaram nesta sexta-feira (6) o assassinato de uma criança Awá-Guajá que pertencia a um grupo em situação de isolamento. O corpo foi encontrado carbonizado em outubro do ano passado num acampamento abandonado por indígenas da etnia Awá que vivem isolados, a cerca de 20 quilômetros da aldeia Patizal do povo Tenetehara, região localizada no município de Arame (MA). A Fundação Nacional do Ãndio (Funai) foi informada do episódio em novembro e nenhuma investigação do caso estaria em curso.

O caso ganhou destaque após divulgação no blog Brasília Maranhão. As lideranças que confirmam o ocorrido fazem parte do povo Guajajara (ou Tenetehara) da aldeia Zutiwa, Terra Indígena Araribóia.

As suspeitas dão conta de que um ataque tenha ocorrido entre setembro e outubro contra o acampamento dos indígenas isolados. Clovis Tenetehara, da aldeia Patizal, costumava ver os Awá-Guajá isolados durante caçadas na mata. No entanto, deixou de encontrá-los logo que localizou um acampamento com sinais de incêndio e os restos mortais de uma criança.

“Depois disso não foi mais visto o grupo isolado. Nesse período os madeireiros estavam lá. Eram muitos. Agora desapareceram. Não foram mais lá. Até para nós é perigoso andar, imagine para os isoladosâ€, diz Luís Carlos Tenetehara. Os indígenas acreditam que o grupo isolado tenha se dispersado para outros pontos da Terra Indígena Araribóia temendo novos ataques.

Conforme relatam os Tenetehara, nos últimos anos a ação de madeireiros na região tem feito com que os Awá isolados migrem do centro do território indígena para suas periferias, ficando cada vez mais expostos aos contatos violentos com a sociedade. Além disso, a floresta tem sido devastada pela retirada da madeira também colocando em risco a subsistência do grupo, essencialmente coletor.

Estima-se que existam três grupos isolados na Terra Indígena Araribóia, num total de 60 indígenas. Os Tenetehara conservam relação amistosa e afastada com os isolados, pois dividem o mesmo território.

Denúncias antigas

“A situação é denunciada há muito tempo. Tem se tornado frequente a presença desses grupos de madeireiros colocando em risco os indígenas isolados. Nenhuma medida concreta foi tomada para proteger esses povosâ€, diz Rosimeire Diniz, coordenadora do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Maranhão.

Para a missionária, confirmar a presença de isolados implica na tomada de medidas de proteção por parte das autoridades competentes. Rosimeire aponta a situação como de extrema gravidade e que não é possível continuar assistindo situações de violência relatas por indígenas.

Durante o ano passado, indígenas Awá-Guajá foram atacados por madeireiros enquanto retiravam mel dentro da terra indígena e os Tenetehara relatam a presença constante dos madeireiros, além de ameaças e ataques. “Não andamos livremente na mata que é nossa porque eles estão lá, retirando madeira e nos ameaçandoâ€, conta Luiz Carlos.

Com informações do Conselho Indigenista Missionário

Comentários (2)
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Comentário de: REIS | 7 de janeiro de 2012 | 19:55

O quê esses missionários estão fazendo nas terras indíginas?
Oa índios não precisam de religião pois já têm as deles.
Os índios precisam da presença do Estado.
É duvidosa e questionável a presença de religiosos nas terras indíginas.

Pingback de: TERRA LIVRE » Terror na floresta – Funai apura se criança indígena foi queimada viva por madeireiros | 10 de janeiro de 2012 | 14:44

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