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Acampamento indígena é atacado com tiros no Rio Grande do Sul

Da Redação

Três projéteis foram disparados no início dessa semana contra o acampamento indígena Ketyjug Tentu (Três Soitas) no município de Santa Maria. Os disparos partiram de um matagal vizinho à área onde vivem 13 famílias Kaingang, num total de 70 índios. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ninguém se feriu e o autor dos disparos ainda não foi identificado.

Segundo os indígenas, a motivação da violência são os quase 13 hectares ocupados desde dezembro pelos Kaingang – com apoio dos Guarani – e agora reivindicados junto à Fundação Nacional do Índio (Funai) como tradicional.

Um dos disparos feito na direção de um grupo de crianças atingiu prédio vizinho ao acampamento e por pouco não vitimou uma moradora e sua filha. A polícia iniciará investigação para apurar o ataque, na medida em que outras ocorrências de violência contra a comunidade e apoiadores já tinham sido registradas.

Desde 2000 os Kaingang e Guarani lutam para o Poder Público oficializar a posse permanente do terreno. Os indígenas reivindicam que a Funai desaproprie o terreno, mas os 12 indivíduos que se dizem proprietários não tiveram interesse em negociar. Com o intuito de resolver o impasse, em maio do ano passado aconteceu na Câmara dos Vereadores da cidade a 1ª Assembleia Popular Indígena.

“A Funai e a prefeitura firmaram com o MPF (Ministério Público Federal) o compromisso de em 60 dias apresentar uma solução para o caso. Isso não aconteceu e então decidimos pela ocupação da área central do terreno para pressionar. Agora queremos a identificação e demarcação”, explica a liderança Augusto Kaingang.

Em 19 de dezembro último, duas semanas depois da ocupação, a Justiça Federal determinou a situação dos Kaingang como de direito indígena, ou seja, o caso é de competência Federal, de interesse nacional e se enquadra nos termos constitucionais.

“Através desse documento (da Justiça Federal) estamos tentando o diálogo com todos os setores”, afirmou em entrevista Matias Rempel, integrante do Grupo de Apoio aos Povos Indígenas (Gapin), a Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Rempel afirma que um dos principais problemas é a segurança no acampamento. Com a decisão da Justiça Federal, ele espera que a situação seja resolvida.

Os proprietários pediram a reintegração de posse do terreno. A Justiça negou por entender que a Funai precisa montar Grupo de Trabalho (GT) de identificação da área. Só com o resultado qualquer decisão judicial poderá ser tomada.

Santa Maria é secularmente rota de passagem dos povos indígenas do Rio Grande do Sul. Por estar localizada no centro do estado, dezenas de caminhos se cruzavam sobre ela – assim como os povos indígenas que eles percorriam. A cidade também foi palco de diversas batalhas dos indígenas do líder Sepé Tiaraju contra os exércitos de Portugal e Espanha, durante o século 18.

“Pela oralidade, constatamos que há mais de 100 anos as famílias indígenas passam por ali para coletar e vender produtos confeccionados pelos próprios indígenas. Vindos de todos os cantos do estado, encontram nesse local reivindicado uma instalação; algumas são fixas para receber as outras famílias”, explica o historiador e missionário da equipe de Porto Alegre do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Liebgott.

O missionário explica que na área reivindicada os indígenas conseguem manter um espaço de sobrevivência, manutenção da cultura e convívio entre as aldeias. “Famílias que vivem no Norte do estado foram para o local ajudar na ocupação, porque todas usam o local para a comercialização de artesanatos”, relata Liebgott.

Com informações do Cimi

Comentários (2)
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Pingback de: A conquista dos sertões, Bartolomé e nós « [... a coisa toda] | 14 de janeiro de 2012 | 2:29

[...] sejam os Awá no Maranhão [link externo], os Kaiwoá no Mato Grosso do Sul [link externo] ou os Kaingang no Rio Grande do Sul [link externo]. Como sociedade, parece que não aprendemos nada com a história. Continuamos a [...]

Comentário de: Maria Hein | 14 de janeiro de 2012 | 23:59

Não pode e não deve ficar por isso mesmo. Aonde andam os responsáveis pelos direitos humanos? Ou será que índios não são considerados, humanos? Alô, alô, secretária Maria do Rosário, atitudes, por favor! Antes que seja tarde.

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