FST 2012

“Fizeram terrorismo” em Pinheirinho, diz Gilberto Carvalho

Houve mais preocupação com aparato militar do que com reacomodar moradores de Pinheirinho, disse ministro | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho (PT), disse nesta sexta-feira (27), em Porto Alegre, que a desocupação de Pinheirinho foi um ato de “terrorismo” contra os moradores do local. “O Brasil inteiro viu a realidade. Militares violaram os direitos daquelas pessoas, fizeram terrorismo para cima delas”, acusou um dos principais assessores da presidente Dilma Rousseff (PT).

O ministro deu a declaração em conversa com a imprensa após participar do painel Os sentidos da democratização, dentro das atividades da edição temática do Fórum Social Mundial.

Gilberto Carvalho disse que o cuidado na organização do aparato militar na ação de Pinheirinho não foi seguido da adequada cautela em reacomodar os moradores do bairro pobre de São José dos Campos – expulsos de suas casas por decisão da Justiça paulista, que ignorou duas liminares da Justiça federal e resolveu desapropriar as mais de 5 mil famílias da área que pertence à massa falida de uma empresa do megainvestidor Naji Nahas.

Gilberto Carvalho: "O ser humano é apenas um objeto que pode ser carregado de um lado para o outro?” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

O ministro lembrou que houve – e há – desejo de dialogar por parte do governo federal, mas que as tentativas de conversação não foram atendidas. “O diálogo não foi levado até o final, preferiu-se executar uma ação militar que deu no que deu”, criticou, acrescentando que “no centro de tudo isso, fica a pergunta: o ser humano é apenas um objeto que pode ser carregado de um lado para o outro?”.

Gilberto Carvalho considera que, agora, o principal problema a ser resolvido é garantir um lugar para as famílias expulsas do Pinheirinho morarem. “É isso que importa agora, que as famílias encontrem um espaço digno para viverem”.

“Lamento muito que se tente tergiversar a realidade”, diz ministro sobre nota do PSDB

O ministro Gilberto Carvalho acusou o PSDB – partido do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin – de tentar “tergiversar” a respeito da discussão sobre a desocupação de Pinheirinho. Em entrevista em Porto Alegre, o petista rebateu a nota divulgada pela direção nacional dos tucanos, que afirma que o governo federal estaria tentando “politizar” a questão.

Ministro participou de painel sobre democratização durante Fórum Social Temático em Porto Alegre | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

“Lamento muito que se tente tergiversar a realidade. O Brasil inteiro viu”, observou Gilberto Carvalho. Ele recordou que o secretário nacional de Articulação Social – vinculado à sua pasta – tentou negociar no momento da ação policial, mas acabou levando um tiro com bala de borracha na perna.

“O Paulo Maldos, que foi alvejado, estava lá porque acreditou que haveria diálogo. Não há politização ou questão eleitoral, o que há é a necessidade da denúncia de um método equivocado. Afinal, há a realidade que o pais inteiro viu”, explicou.

O ministro reiterou que o governo federal “respeita” o governo do estado de São Paulo. “Temos uma boa relação. Procuramos pontuar a diferença de métodos e nos oferecemos para ajudar a resolver o problema daquelas famílias”, resumiu.

Comentários (8)
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Comentário de: Olavo | 27 de janeiro de 2012 | 19:01

Correto o posicionamento de Carvalho, não é possível ficar calado diante da brutalidade da reintegração de posse da SS paulista de Alckmin. Estive presente no seminário o sentido da democracia (foto) e fiquei perplexo com a grosseria do palestrante português Boaventura Santos que fez críticas deselegantes à gestão administrativa do governo estadual, ele que não mora aqui, não sabe o que aqui se passa e portanto deve ter reproduzido algo que escutou, um misto de grosseria e arrogância desnecessária.

Comentário de: Reis | 27 de janeiro de 2012 | 21:27

São Paulo e Minas Gerais são o berço do PSDB e DEM antiga ARENA da Revolução de 1964.
A alta burguesia só pensa em dinheiro, são capitalistas, portanto o ser humano pobre não presta para eles.
Este conceito precisa mudar, as eleições vêm aí e também as manifestações populares estão aumentando dia a dia.

Comentário de: Eduardo Klock Frank | 27 de janeiro de 2012 | 22:44

Antes de tudo, que as famílias sejam reassentadas. Mas deve-se parar com essa onda de impunidade, não pode ficar por assim mesmo. O que houve foi um crime.

Comentário de: Ricardo | 28 de janeiro de 2012 | 11:32

Mas gente, que é isso? A PM disse que só teve UM FERIDO em Pinheirinho e vocês aí, reclamando. Assim não dá! (contém ironia)

Comentário de: Dom Orvandil | 28 de janeiro de 2012 | 12:17

Excelente posição política do ministro em face do terrorismo praticado nesse caso. Tomei a liberdade de puclicar a matéria em meu blog http://www.domomb.blogspot.com Abraços, Dom Orvandil

Comentário de: Jorge Nogueira | 28 de janeiro de 2012 | 12:26
Comentário de: Flávio Maia | 28 de janeiro de 2012 | 20:37

A disputa do zumbi social

Vamos combinar que esta disputa do zumbi social para aparecer melhor na foto não combina com um governo de centro esquerda como o da presidenta Dilma. Os tucanos fizeram o que sempre fazem em seus governos, atacam os movimentos sociais com o aval da justiça do Estado burgues,ponto. Neste ataque aos direitos humanos, o governo federal tinha o dever de intervir e enquadrar os fascistas de São Paulo,vamos combinar de novo que tratar questões sociais como caso de policia é fascismo.é isso…abs

Comentário de: Felipe X | 28 de janeiro de 2012 | 22:48

Com certeza as famílias deviam ser assentadas ONTEM e os responsáveis por aquele absurdo punidos. Mas acho uma lástima a suposta esquerda usar estes termos (terrorismo) dos falcões que adoram guerra dos EUA.

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