Cláudia Rodrigues

O parto roubado e a Rede Cegonha

O ano chega ao final com uma promessa política promissora na humanização da saúde. Na última segunda-feira a presidenta Dilma Rousseff lançou em Belo Horizonte a Rede Cegonha, um conjunto de medidas que pretende garantir a todas as brasileiras, via SUS, atendimento seguro e humanizado da fecundação aos dois anos do bebê.

A previsão é de que R$ 9,397 bilhões sejam investidos no programa até 2014. É claro que parte desse montante vai para o maquinário, exames, ambulâncias, os vale-táxis e vale-ônibus, resta saber se o governo vai dar conta do maior desafio, que é transformar uma cultura violenta e tecnocrática de atendimento ao parto, nascimento e cuidados com o bebê em uma cultura de humanização e respeito aos corpos da mulher e do bebê.

Essa cultura violenta está tão arraigada na sociedade, que as mulheres de maneira geral não conseguem pensar, refletir e exigir certos direitos perdidos ao longo da história tecnocrática de atendimento ao parto. A praxe de atendimento ao parto vinda da assistência é repleta de incivilidades e infrações, desumanidades e abusos. A realidade é que os obstetras saem das universidades com a orientação de praticar episiotomia de rotina (corte no períneo), assistem partos sentados ou em pé confortavelmente enquanto a mulher é obrigada a ficar deitada numa maca com as pernas presas para o alto, o que dificulta a expulsão do bebê. Os profissionais da obstetrícia são erroneamente doutrinados a esperar não mais do que 8 horas para que a dilatação do colo uterino ocorra, o que acaba levando-os a utilizar uma manobra arcaica, o kristeller (pressão sobre o ventre da mulher) entre outros aceleradores do parto desnecessários e sabidamente prejudiciais diante de evoluções naturais, em processos normais de parto, que podem ser demorados sem que haja qualquer comprometimento da saúde da mãe do bebê. Eles acreditam piamente que estão fazendo o que deve ser feito, estudaram para isso, para prestar uma assistência tecnicista e já há alguns anos sem base em evidências.

A RAMA, Rede de Apoio a Maternidade Ativa – apoiada pela Rehuna, Rede de Humanização do Nascimento e várias outras redes e ONGs feministas, além de blogs e pessoas físicas que trabalham em prol dos direitos das mulheres-, elaborou uma Moção especialmente voltada ao atendimento do parto e nascimento. A Moção foi encaminhada à Rede Cegonha.

Essas redes são feitas de gente que também estudou para isso, mas sob outro paradigma e sob as mais recentes evidências. Se o SUS via Rede Cegonha pretende humanizar o atendimento ao parto, ao nascimento e aos primeiros dois anos das crianças, vai precisar abrir os olhos e apurar os ouvidos para os poucos obstetras que praticam o atendimento humanizado, parteiras, enfermeiras obstetras, doulas, terapeutas, fisioterapeutas, psicólogas e outras profissionais que sabem mais o que fazer diante de uma parturiente amedrontada do que reprimi-la, prender seus membros, fazer piadas ou simplesmente deixá-la sozinha por horas a fio.

Comprar equipamentos, distribuir vales para que a gestante possa se locomover, garantir vagas para mulheres em trabalho de parto é extremamente necessário, mais complexo é reformular as cabeças e as atitudes dos profissionais que desaprenderam a prestar uma assistência humanizada às mulheres durante o parto. A assistência ao parto desumanizou-se ao longo dos anos, o ritual familiar e amoroso de recepção ao bebê virou uma espécie de plantão médico de emergência, quando se sabe que emergências não são praxe; parir e nascer, de maneira geral e na maioria dos casos, é uma ato fisiológico, delicado, que exige cuidados humanos, mas é essencialmente natural, exige apoio, carinho, delicadezas e respeito, muito respeito a um momento que para ser belo como merece, exige dedicação e compromisso apenas com o relógio interno da mulher.

http://www.youtube.com/watch?v=0u4_TR3CVMk

Quando assistido com cautela, paciência, ausculta, massagens, em ambiente acolhedor escolhido pela parturiente, com suporte de doulas o parto é, segundo evidências, mais seguro e até mais rápido. Pressão, métodos arcaicos de suporte, pressa, inabilidade para trabalhar o corpo em trabalho de parto, falta de liberdade de movimentação para as parturientes atrasa o processo e, muitas vezes, como atestam os índices, leva a experiências traumáticas, dolorosas ou cesarianas.

O feminismo não se encerra no parto, mas começou aí. Nos bastidores da cirurgia que chegou para salvar vidas de mulheres e de crianças que não davam conta de salvarem-se na luta pela sobrevivência, reside uma das maiores representações de machismo na vida das mulheres: a cesariana agendada, desnecessária.

O ritual do parto foi durante grande parte da história uma resistência feminina, ele representava uma prova de capacidade feminina inigualável; a mulher afastava-se de todos aos primeiros sinais de trabalho de parto para o fundo de um campo, uma floresta, armava o “ninho” e paria. Voltava para a vida social provando que ela e o filhote haviam dado conta da luta pela sobrevivência e assim eram aceitos e celebrados.

Aos poucos, conforme crescia a solidariedade entre as mulheres, o evento transformou-se num dos poucos redutos sociais de poder feminino e a mulher passou a receber suporte de outras mulheres para parir. O trabalho de parto e especialmente o momento da expulsão eram protegidos dos olhos dos homens. O parto era a maçonaria das mulheres. No segundo livro de Pentateuco, o Êxodos, tem uma passagem que demonstra o grande poder das mulheres sobre o parto.

A ordem do faraó era para que as parteiras sacrificassem todos os filhos de mulheres hebréias. Elas desobedeceram e diante do faraó deram como única desculpa o fato de que as mulheres hebréias não eram como as egípcias, tinham partos muito rápidos e antes mesmo das parteiras chegarem, as hebréias já haviam dado à luz. Não foram punidas e a ordem se desfez no ar.

A história das gregas, especialmente da mulher ateniense, se passou no lar; era considerada menor, não tinha direito público e casava-se ainda adolescente com homens na faixa dos 30 anos que exerciam a função tanto de maridos quanto de tutores jurídicos. A principal função da mulher era parir filhos homens, as meninas podiam ser sacrificadas a mando do marido, mas a prática médica hipocrática era voltada essencialmente para a guerra, luxações, feridas, fraturas, cirurgias e dietética. O saber empírico sobre o parto continuou com as mulheres, os homens não viam ainda poder algum ali para ser tomado e a assistência ao parto continuou à margem da prática médica.

O primeiro programa formal de treinamento de parteiras foi no séc V A.C, iniciado por Hipócrates, mas a profissão de parteira não chegou nem perto da medicina, até porque as mulheres não podiam freqüentar escolas médicas, mesmo quando eram reconhecidamente “iatpouiaai”, médicas-parteiras experientes em casos complicados.

As práticas de apoio social feminino foram mantidas durante quase todo o século XIX, mesmo quando as famílias abastadas começaram a contratar os serviços médicos.

Enquanto se manteve domiciliar, a colaboração das mulheres, a parceria entre parteira e doutor preservou o parto como evento essencialmente feminino, sendo o médico mais uma figura para fazer recomendações e cuidar da saúde da mulher e do bebê no pós-parto.

Lentamente, dentro de um processo político e econômico focado no tecnicismo, a mulher foi entregando também o corpo fisiológico paridor, feminino ao homem, começou a duvidar da sabedoria empírica de suas ancestrais e principalmente a acreditar no próprio corpo como falho, uma máquina que poderia emperrar a qualquer momento, uma máquina que necessitava da intervenção masculina. Bacia estreita é até hoje uma das desculpas mais estapafúrdias para justificar a cesariana, quando se sabe que o problema não é bacia da mulher, mas a maneira como o bebê encaixa a cabeça e a tensão da mulher, muitas vezes pela pressão externa e falta de liberdade para caminhar e escolher a posição mais confortável.

Hoje se sabe que se a mulher ficar agachada ou de quatro, o bebê encontrará 28% menos resistência para reencaixar-se corretamente e existe uma infinidade de exercícios para que a gestante relaxe, ceda e o bebê se acomode melhor. Mas como isso pode ocorrer se ao chegarem às maternidades, públicas ou privadas, as mulheres são deitadas, imobilizadas, se a assistência não sabe o que pode fazer para ajudar as parturientes a relaxar?

A Rede Cegonha tem um trabalho imenso a fazer com a assistência porque se os profissionais aprenderem a fazer um trabalho melhor, a cultura pró-cesariana que se instalou na sociedade vai acabar mudando também. O SUS tem nas mãos a responsabilidade e a oportunidade de oferecer um serviço melhor do que o particular e dos convênios.

O corpo social feminino capaz de parir passou a ser manipulado e monopolizado pelos homens como uma barganha no mesmo momento em que a mulher ganhou espaço político na sociedade. Na história brasileira houve na década de 1940, em vários estados do Brasil, uma caça às parteiras, às bruxas da assistência ao parto. Foi um processo complicado, absolutamente não tratado do ponto de vista psíquico masculino e literalmente o nascimento virou uma espécie de estupro sagrado. Curiosamente a cesariana agendada acabou sendo considerada uma espécie de direito da mulher, a libertação de uma condição feminina “ruim” por ser diferente do corpo masculino. Algo como “se os homens não podem parir, então nós também não queremos parir”.

Para obter o filho, o falo de seu sagrado pênis, o homem cortou, puxou, empurrou e criou instrumentos e técnicas que hoje ainda custam a ser derrubadas nas melhores maternidades do país, como kristeller, episiotomia, raspagem de pelos, jejuns degradantes, abandonos, piadas e outras ações vindas da inconsciência tabulada por sofrimentos psíquicos masculinos até hoje não resolvidos em muitos homens, em muitos pais, em profissionais. O parto passou a ser visto como algo degradante, feio, sujo, menor e tratado assim inclusive pelas próprias mulheres.

A mulher foi literalmente deitada para parir, passou a ter pernas braços amarrados, ainda que essa posição, em decúbito dorsal, esteja longe de facilitar a descida e a expulsão do bebê, cause mais dor e sofrimentos desnecessários e prejudiciais à mulher e ao bebê. Infinitas teses comprovam a ineficácia e o risco dessa posição, mas ela se mantém nas maternidades públicas ou privadas e hoje já não importa se a assistência vem de homens ou de mulheres porque as repetições são assim, vão ficando mecânicas, é difícil questionar e mais difícil ainda mudar as atitudes.

A cesariana surgiu como uma válvula de escape para essa visão distorcida do momento do nascimento e não tardou para que as próprias mulheres passassem a ver a cirurgia como uma saída mais digna, menos violenta, menos sofrida. Especialmente no Brasil, a cirurgia que deveria servir para salvar vidas, transformou-se em uma opção e assim elevaram-se os números de nascimentos de bebês prematuros com problemas cardiorrespiratórios, mulheres com problemas de vínculos e de amamentação com seus bebês e embora tenhamos números sobre uma maior segurança para mães e bebês que passam por um parto natural, está difícil dobrar a assistência, fazer com que ela se curve diante do ritual do nascimento baseada em evidências, com paciência, em atendimentos que não devem priorizar o tempo da linha de montagem hospitalar, mas a necessidade das mulheres de receber um atendimento cuidadoso, carinhoso, estimulante, encorajador.

A Rede Cegonha se ministrada por profissionais cesaristas, vaidosos que não querem alongar o olhar sobre as evidências atuais, pode virar apenas mais uma piada nos hospitais públicos e mais uma maneira de eternizar o atendimento cesarista bonzinho, educadinho, comum no sistema privado corporativista.

Bem levado, bem tocado com pulso firme e dando voz às mulheres e aos profissionais pioneiros da humanização, a Rede Cegonha pode servir como modelo a ser copiado pelo sistema privado em todo o território nacional.

Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta reichiana, autora de Bebês de Mamães mais que Perfeitas, 2008. Centauro Editora. Blog:http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com

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Comentários (12)
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Comentário de: alba maria da costa maia | 10 de dezembro de 2011 | 16:00

-excelente iniciativa de nossa presidente
-o parto, de uns tempos pra ca, se tornou algo banal, sem grande valor
-o Rede Cegonha esta vindo para mudar isso, mas o medico tb tem que mudar seu modo de
pensar e de agir
-vamos acreditar e vamos lutar para que isso de certo

Comentário de: Luiz Lopes | 10 de dezembro de 2011 | 19:32

- Rede Cegonha, iniciativa ímpar em direção ao parto digno.
- Cláudia, realmente a maior dificuldade residirá em quebrar a barreira cultural de que “sempre foi assim”, não se pode condescender com isso.
- Trabalho no HCPA, e estas culturas arcaicas prevalecem muitas vezes, pois os “mestres” são os primeiros a fazer xacota sobre reavaliações de procedimentos.
- Cláudia, como exemplo te digo que o ato mais primário na prevenção à infecção simples ou cruzada, LAVAR AS MÃOS, ainda é ridicularizado.
Tomara que suas palavras tenham eco, de minha parte vou fazendo a do beija-flor, fazendo a minha parte.
Excelente o enfoque machista que deste ao ato de assistir o parto.

Comentário de: Regine Marton MS CNM | 11 de dezembro de 2011 | 14:16

Eu sinto mas e mas a necessidade de acrescentar a palavra feminista no meu titulo e na minha vida, ja que nem todo mundo entende a necessidade de incluir o modelo teorico Feminista no trabalho e na pratica no modelo de atendimento obstetrico no Brasil e no resto do mundo , onde o modelo tecnocratico descrito por a Antrologa Robbie Davis Floyd, se juntou a globalizacao e a industrialisacao antropofagica norte americana do modelo de atendimento Obstetrico (modelo gringolandia aonde a familia intera da parturiente come Mac Donald na frente de um jogo de Foot americano na TV, numa suite hyper luxuosa e hyperdotada de todos recursos salva vidas, enquanto a paciente anestesiada e bebada spiritualmente, emocionalmente, obstetricamente espera passivamente a vinda do seu bebe,- custo medio de um parto normal em Hospita 14 000 USD).
A reapropriacao do parto pela principal atriz, A MAE, tem que passar por canais nao somente ativistas , neo hippies, alternativos, chamanicos, humanizados, parteirisados, desassistidos, mas por canais politicos de acao, fiscalisacao, exigindo prestacao de conta da parte dos governantes.
Por isso a Mocao sera levada a Conferencia das politicas publlicas de mulheres em Brasilia aonde ela sera lida e aprovada por mas de 4 mil delegadas vindas do pais inteiro.

Vc levanta a problematica do modelo de atendimento Obstetrico aonde o Medico (homens e mulheres reproduzindo um modelo machista)omnipotente centralisa o poder de decisao e aonde as mulheres (infermeiras e Parturientes tem pouca participacao e liberdade).

A Rede Cegonha vai ter pouca liberdade de mudar essas problematicas s que vc levanta se o modelo de atendimento Obstetrico nao esta sendo mudado.

Obrigada pela forca!!

Comentário de: Michele | 11 de dezembro de 2011 | 21:36

Não podemos deixar de mostrar mais uma vez o belíssimo trabalho da obstetra Melania Amorim:
http://www.youtube.com/watch?v=T_c9FwVlVw4

Comentário de: Gerrusa Amaral de Medeiros | 12 de dezembro de 2011 | 0:13

Temos que ficar atentos e atentas
As mulheres precisam se empoderar. A rede cegonha chega e pode virar a história das mulheres brasilleiras. Vamos nos unir para dar voz e liberdade para as mulheres parir em PAZ

Comentário de: Franklin Cunha | 12 de dezembro de 2011 | 21:58

A PROFISSÃO MAIS ANTIGA
Franklin Cunha
Médico

Num baixo relevo do templo de Esneh no Egito, vê-se representado o nascimento de um filho de Cleópatra. Assistem o parto mais cinco pessoas, todas mulheres. A parteira é a primeira e mais antiga das profissões femininas, embora os historiadores, na sua visão falocrática da história, digam que a prostituição a antecedeu. A segunda das profissões foi a de cuidadora de crianças, a terceira foi a de cozinheira, as seguintes, de enfermeira e de professora de seus filhos e assim por diante. Dizer que a prostituição antecedeu a todas estas atividades da mulher, é um equívoco histórico, pois assim se admite que o prostíbulo antecedeu o clã familiar, o lar. De qualquer forma, na divisão do trabalho entre os sexos, tanto na função reprodutiva e a de lides domésticas situadas na esfera privada, como na prostituição localizada na esfera pública, o corpo da mulher sempre foi usado e abusado.
Na Ilíada de Homero, relato sobre façanhas guerreiras, entre os espólios arrebatados aos vencidos incluem-se mulheres e meninas. Em parte alguma da epopéia grega é levantada a questão sobre o direito das espoliadas deixarem de ser objetos de propriedade particular e escravas sexuais dos vencedores. Se o maior relato épico da literatura ocidental assim trata as mulheres, toda a posterior herança cultural greco-romana-judaico-cristã não deixou por menos.
Não é melhor a situação da mulher nas diversas culturas orientais e africanas, às do xador e da infibulação. E nem melhor na cultura brasílica, da mortalidade materna de taxas medievais, dos salários de nível escravista e de discriminações laborais que incluem até condições biológicas como a gravidez, a tensão pré-menstrual, a menopausa e a própria menstruação.
Enfim cabe a pergunta: depois da tão decantada revolução sexual, a situação da mulher no Terceiro Mundo melhorou ou piorou?

Comentário de: Jeferson | 13 de dezembro de 2011 | 1:06

Minha melhor amiga está pra ter filho. Ela me disse que foi difícil encontrar um médico que aceitasse fazer parto natural. Isso aqui em Porto Alegre. Vou perguntar pra ela me explicar direito a situação. O que tenho certeza é que não foi nem um pouco fácil. O tempo inteiro os médicos que ela ia procurando tentavam convencê-la a fazer uma cesárea e até metiam pressão, dizendo quem ela pensava que era, achando que sabe mais do que eles, médicos.

Comentário de: Gabi Doula | 13 de dezembro de 2011 | 8:36

Claúdia, sou sua fã…!!!! Que texto maravilhoso! Vou compartilhar com “Deus e o mundo”… ; )

Comentário de: Cláudia Rodrigues | 13 de dezembro de 2011 | 12:07

Jeferson

A sua amiga está com sorte de encontrar profissionais honestos o bastante para assumir que preferem fazer cesariana. É bastante comum que a gestante passe todo o pré-natal com uma médico que “defende” o parto normal na teoria, mas acaba agendando com desculpas estapafúrdias uma cesariana “de emergência para o dia seguinte”(sic). Mais incrível é que muitas mulheres e suas famílias não percebem que nenhuma cirurgia de emergência para retirar bebê pode ser uma emergência que espera 24 horas ou uma semana. Mentem que a mulher não tem bacia grande suficiente durante a gestação, que o cordão enrolado é motivo para cirurgia, que a gestante não teve dilatação, enfim, muitas mentiras apenas para levar a mulher até a mesa de cirurgia e resolver tudo de maneira mais prática, rápida e vantajosa economicamente.

Comentário de: Vanessa Silveira | 15 de dezembro de 2011 | 10:45

Jeferson sua amiga tem muita sorte de estar em POA. E se ela ainda não encontrou um bom médico indico o Dr. Ricardo Jones (http://www.facebook.com/ricardoherbertjones), autor do livro “Memórias do homem de vidro” onde ele conta a sua história como médico e de como ele mudou sua concepção em relação ao parto, inclusive ele participa seguidamente de documentários que falam de parto humanizado. Pelo que sei ele faz em POA até mesmo partos em casa, na verdade ele apenas assiste, pois trabalha com ele uma doula que faz todo o acompanhamento dessa gestante. Ele acredita na capacidade e na autonomia da mulher para terem seus filhos, só intervém em casos necessários.
Se a tua amiga ainda estiver a procura fala para ela procurar ele, ela não vai se arrepender. Coloquem o nome dele no google, tem várias entrevistas que ele participou falando sobre o assunto.
Abração

Comentário de: Vanessa Silveira | 15 de dezembro de 2011 | 11:23

Cláudia parabéns pelo texto e muito obrigado por estar prestando esse trabalho que na minha opinião é de saúde pública.
Estou grávida de 17 semanas e aqui em Pelotas/RS foi muito difícil encontrar um médico que ao menos me respeitasse. Acabei encontrando o Dr. Alberto Sandes e gostei muito desse primeiro contato que tivemos, fiz apenas uma consulta com ele até agora. Ele trabalha com um parto chamado Leboyer, considerado humanizado. Meu sonho era mesmo ter meu filho em casa, mas aqui em Pelotas não existem profissionais dispostos a fazer esse acompanhamento, e apesar de estar próximo a POA não terei condições de ir p/ capital para fazer acompanhamento com o Dr. Ricardo Jones.
Tenho convivido com muitas grávidas e tenho ficado até mesmo desesperada com a falta de consciência de nossas mulheres, elas optam por cesáreas desnecessárias e se acham cheias de razão, ainda debocham de mim dizendo: “se queres sentir dor, problema é teu”, eu rebato dizendo: “pelo menos vou parir meu filho, cesária não é parto e sim cirurgia, se não queres participar desse momento, o problema realmente não é meu”. Brincadeira.
Espero muito que esse projeto conscientize os profissionais que são muito culpados por essa cultura que estamos vivendo, isso é essencial, pois eles tem um poder nas mãos perigoso, muitas vezes manipulam e se aproveitam da ignorância de certas mulheres.
Abraço a todos!

Comentário de: Ricardo | 2 de março de 2012 | 22:22

Este link pode ser do interesse de vocês.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI5017-15254,00-ELA+LUTAVA+PELOS+DIREITOS+DAS+MULHERES.html

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