Política

CPERS diz que “só Yeda e Tarso” cortaram ponto de grevistas

Rejane de Oliveira: "A greve foi muito legítima. Pedimos o cumprimento de uma lei que está em vigor. O Governo Tarso ao invés de cumprir, nos penaliza” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Felipe Prestes

Conforme o Governo do Estado antecipara quando a greve dos professores teve início, em novembro, os dias não trabalhados foram descontados dos grevistas. “Desde o Governo Britto são cinco governos. Apenas Yeda e Tarso cortaram o salário da categoria. A greve foi muito legítima. Pedimos o cumprimento de uma lei que está em vigor. O Governo Tarso ao invés de cumprir, nos penaliza”, critica a presidente do CPERS, Rejane de Oliveira.

Rejane aponta ainda incoerência do Piratini, porque no primeiro semestre pagou os dias que a governadora Yeda Crusius cortara de greves realizadas durante sua gestão. Ela considera que cortar o ponto da greve mais recente demonstra que o abono anterior foi uma atitude populista.

Os professores já estão recuperando os dias não trabalhados. A sindicalista revela que no último dia 22, durante uma reunião com o governo, o CPERS tentou pautar o tema do corte nos salários. Ouviu que o governo quer discutir tudo em janeiro, tanto o pagamento dos dias cortados, quanto outros temas como o pagamento do piso nacional e a reforma do ensino médio.

“Não tem nenhuma posição sectária de nossa parte. Queremos que o abono faça parte de um acordo”, afirma a secretária-adjunta da Educação, Maria Eulália Nascimento. Ela explica que os próprios grevistas não assinam o ponto ao se declararem em greve e que é preciso enviar um projeto de lei à Assembleia Legislativa para conceder o abono. Maria Eulália explica ainda que a recuperação dos dias é uma exigência não do governo, mas da Lei de Diretrizes e Bases, que estabelece 200 dias letivos por ano, e que isto não obriga os governos a abonarem as faltas.

A secretária-adjunta diz que a greve deste ano teve uma característica incomum, porque seu término não ocorreu por negociação, mas por uma decisão do CPERS. Geralmente, segundo Maria Eulália, o pagamento dos dias recuperados é acertado quando ocorre negociação de fim de greve.

Como não houve esta negociação, o governo quer que o abono venha de uma conversa, que deve ocorrer em janeiro, em que o sindicato aceite debater o calendário para o piso, a reforma do ensino médio, entre outros temas. “O abono aos grevistas envolve uma pauta, um bom diálogo”, diz a secretária-adjunta. Maria Eulália disse ainda que a afirmação de que entre os últimos governos apenas Yeda e Tarso teriam descontado os dias de greve “não retrata a realidade”.

A secretária-adjunta afirma também que não há incoerência do Governo Tarso por ter abonado os dias de greves ocorridas em 2008 e 2009. “Abonamos as greves com negociação. Discutimos todas as 16 reivindicações que o CPERS tinha”.

A secretária-adjunta ressalta também que o abono “já poderia ter sido resolvido”, porque o governo apresentou uma proposta no dia 5 de dezembro, na qual propunha um reajuste real para 2012, criar um grupo de discussão sobre o ensino médio – o que já foi feito – e condicionava o abono ao debate sobre estes pontos. “Este desconto poderia ter sido evitado”, diz.

O CPERS rechaçou esta proposta no dia 7 de dezembro, mas reafirmou disposição para audiência de negociação. Na ocasião, o sindicato ressaltou que havia informado em ofício no dia 2 de dezembro a disposição de cumprir com os dias não trabalhados e que, portanto, consideraria uma punição aos professores se houvesse corte no ponto.

Comentários (14)
» Deixe seu comentário
Comentário de: Paulo Quadros | 26 de dezembro de 2011 | 21:13

Isto mostra claramente que estamos lidando com um governo muito “sem vergonha”, que apresenta um discurso “democrático” e uma postura muito rebaixada de prática política. Quer submeter uma categoria de trabalhadores através do corte de salário,corte indevido, pois sabe que está havendo a reposição dos dias parados, sendo que os professores e funcionários, diferentemene do governo, são pessoas cumpridoras da lei, pessoas com responsabilidade…
Isto servirá para potencializar ainda mais a capacidade de luta e indignação dos trabalhadores… Fora Tarso! Fora PT!

Comentário de: Marcelo Tskin | 27 de dezembro de 2011 | 3:55

Não entendi a reclamação. Se o funcionário não trabalha, o ponto é cortado. Ao menos que leve alguma justificativa, um atestado médico, etc… É assim na iniciativa privada, pq teria que ser diferente com os servidores públicos?

Comentário de: Felipe X | 27 de dezembro de 2011 | 4:03

Pelo menos concordamos que o abono de dias nao trabalhados eh populista.

Comentário de: Andre | 27 de dezembro de 2011 | 8:41

Trabalhador não trabalha e não é pago em qualquer lugar do mundo. Quando recuperar, recebe o salário de volta. Isso é o correto. Não conheço nenhuma categoria no mundo que receba antes de trabalhar. Pra mim, isso é novidade. E, de qualquer modo, “pessoas cumpridoras da lei”? “Pessoas com responsabilidade?” Então porque não discutir melhorias no ensino? Porque rebater qualquer tipo de proposta? Porque não apresentar uma proposta? A proposta do Governo é ruim? Ok, apresentem outra. Não vi isso em lugar algum. Que eu saiba, quem tem medo de avaliação são os alunos. Gostaria de saber o que os professores tem a esconder por terem medo de serem avaliados…

Comentário de: Denis | 27 de dezembro de 2011 | 10:27

“Trabalhador não trabalha e não é pago em qualquer lugar do mundo.”…ah, vai ver se tá todo mundo na esquina. Esse relativismo esquerdista é que incomoda…e essa de apresentar proposta melhor? Então larguem de mão….é só discordar do esquerdismo doentio que me vem com esse papo de construir ou apresentar uma melhor proposta…é por causa desse relativismo que temos de aturar patricinhas comunistinhas como a Manuela e esquerdistas fracassados e vendidos como o Zulke e Bohn Gass, votando do código do RAbelo e se abraçando na Kátia Abreu…é por causa desse relativismo que o Paim não passa de uma figura decorativa que muito mal representa o seu próprio passado.

Comentário de: Denis | 27 de dezembro de 2011 | 10:45

Quando a Yeda miserável cortou o ponto….OH!!!!!!…o Tarso corta e é um grande estadista republicano….

Comentário de: Sônia | 27 de dezembro de 2011 | 10:53

Estranhas observações feitas pelos internautas. Bem se percebe que desconhecem a realidade da educação no Estado ou deixam-se levar por opinião da grande imprensa, aquela que é paga para desmoralizar cotidianamente o funcionalismo como causador dos rombos do Estado. Não foram as más gestões e sim nós, com os altos salarios que oneramos o estado. Para nós o rigor da Lei, mas só quando é para que se cumpra deveres, pois quando é para ser cumprida a Lei do Piso, aí não vale. Só em 2014. Acredito tanto nisso quanto no Papai Noel. É com tristeza que leio esses comentários carregados de preconceito contra uma categoria que, históricamente, não é valorizada. Deve ser porque no Estado e no País ninguém precisa de professores, são autodidatas e tem a mídia para determinar o que pensar. Lamentável. E mais, sabiam que nem foi implantado o piso ainda e m decisão que contraria o processo de evolução do piso salarial profissional nacional do magistério (PSPN) e os fundamentos constitucionais de financiamento dessa política pública, a Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 23 de novembro, parecer do dep. José Guimarães (PT-CE), que estabelece o INPC/IBGE como único índice de reajuste anual do PSPN.
Para os cerca de dois milhões de profissionais do magistério público da educação básica no país, essa deliberação da CFT/Câmara requerida pela Fazenda Federal e por governadores e prefeitos, não só anula a possibilidade de valorização do piso e das carreiras profissionais – por meio de medida que contraria, inclusive, preceito constitucional – como dá guarida aos entes federados que, desde a vigência da norma federal lutam, deliberadamente, inclusive por meio de ações judiciais no Supremo Tribunal Federal, contra a Lei 11.738.
O piso pago hoje no Estado é de R$ 822,74. Para 2012 caso Lei fosse algo a ser cumprido pelo Governo e respeitado o índice de aumento seria de R$ 1.685,88. Precisa mais alguma explicação para entender a indignação do Magistério?

Comentário de: Henrique Analdo Antunes de Oliveira | 27 de dezembro de 2011 | 12:07

Na verdade, a discussão não deve pautar sobre: se os trabalhadores da Educação devem ou não receber durante os dias não trabalhado, mas, a discussão deve dar conhecimento de que só Tarso e Yeda descontaram os dias parados e, no caso é o que estão demonstrando os educadores. Além de não serem atendidos em suas reinvindicações tiveream o prejuízo do desconto em seus salários. Quanto ao abono, isso é uma pratica de todos os governos neoliberais que não reajustam ou em lugar do reajuste de salários oferecem abono. Isso significa prejuízo aos trabalhadores porque o abono resolve em parte e só no momento em que é concedido, os demais meses que virão já vêm defasados além de não influir para melhorar na aposentadoria. Enfim, os governos neoliberais não valorizam a educação e também não valorizam os trabalhadores. Por isso, agora ao entrar o ano de 2012 os peofessores e o CEPERS não deve dar nenhuma trégua a esses governos que se mostram camaleões!!!!

Comentário de: Alexandre Maciel | 27 de dezembro de 2011 | 12:38

Obrigado Marcelo Tskin, André e quem mais pensar da mesma forma. São de pessoas como vocês que o país precisa. Aliás, pensando bem, é graças ao pensamento de vocês e graças a este país estar infestado dessa linha de raciocínio que a educação está no alto nível em que se encontra, visto que o que vocês pregam sempre ocorreu. Seria preocupante se alguém fizesse diferente e algo mudasse, como os professores conseguindo comprar livros e cursar especialização e mestrado. Vocês têm razão. Professor tem que continuar levando a culpa, inclusive, pelo Neymar ter levado a lavada do Messi e não deveriam receber o salário de dezembro por causa disso.

Comentário de: Marcelo Tskin | 27 de dezembro de 2011 | 17:20

Alguns fatos:

- O estado nunca teve recursos para pagar o piso, isso não é culpa da Yeda, do Britto, Olívio, etc… o estado das nossas finanças é responsabilidade de governos irresponsáveis, tipo o “grande” Brizola, que contratou funcionários sem se preocupar com o rombo futuro que um excesso de pessoal iria gerar nas contas do Estado. Vejam quanto inativos e pensionistas temos para cada trabalhador na ativa;
- Tarso sabia disso e enganou os professores;
- A Lei do Piso prevê que a União auxilie os estados que não conseguem pagar o piso;

Não é questão de A ou B levaram culpa. É matemática simples. Falta grana, e não tem de onde tirar. A única opção seria o Tarso pedir ajuda para a Dilma.
E não venha o Cpers dizer que defende a educação, o Cpers defende o interesse dos professores. Assim como o Simers defende os interesses dos médicos, a Fiergs defende os interesses dos empresários, etc… No mundo todo, sempre que alguém tenta fazer alguma reforma na educação, os sindicatos se intrometem. Ano passado, no estado de Washington, o governo propôs duplicar a remuneração dos professores em troca de eles abrirem mão da estabilidade e se sujeitarem a avaliações periódicas. Advinhem qual foi o resultado? Claro que não aceitaram.

E, Alexandre, o Brasil está assim por que ninguém quer cobrar resultados. Servidores públicos precisam ter metas, é preciso saber medir se os serviços prestados têm qualidade, e, principalmente, se estão melhorando a vida dos mais pobres. Quem não quiser trabalhar – e a gente saber que isso é bem comum no serviço público, deve ser cortado.
Por outro lado, o Estado deve fazer logo a reforma da previdência. Não se pode mais deixar que os contribuintes e servidores na ativa carreguem aposentados e pensionistas nas costas. Não estou dizendo que a situação atual é dos aposentados e pensionistas – mesmo porque meu pai é aposentado do RS hehehe. A culpa é da má gestão, e dos governos do passado, que tinham visão de curto prazo.

Comentário de: mary | 27 de dezembro de 2011 | 18:19

Pelo que li dos comentàrios a classe de professores é a que mais prejudica os governos,mas não se preocupem a educação será privatizada então somente quem tiver dinheiro irá estudar, tem gente que tem pavor dos professores devem procurar um psiquiatra ou psicólogo deve ter tido algum trauma quando era estudante ,mas o bom mesmo é ser defensor dos políticos como alguns que devem ser CCs e defendem seu FG que deve ser bem maior que a remuneração de um professor.Qual o trabalhador que recupera os dias de greve?

Comentário de: Sadi da Fontoura Porto | 28 de dezembro de 2011 | 8:44

O Tarso e o meu PT não me surpreendem mais, agora estão de maos dadas com o neoliberalismo,
Fiz campanha pro tarso sai nas ruas distribuindo folhetos e pedindo votos, eu e minha familia, aqui em casa ja juramos: NUNCA MAIS TARSO>>>
Agora eu só peço que seja macho que nem a Yeda, e continues a enfrentar os trabalhadores, sim por que o voto e o carinho da minha familia, NUNCA MAIS TARSO!
Apesar do TARSO, continuo presidente do PT de Candelária…

Comentário de: marcelo | 28 de dezembro de 2011 | 9:51

Sindicato falido

Comentário de: Denis | 28 de dezembro de 2011 | 11:12

A pergunta que não quer calar: Porque o grande estadista republicano Tarso, lançou mão dessa mentira, em plena campanha eleitoral, querendo que todos cumprissem o piso nacional. Que o estado não tinha dinheiro..isso é razoável..o que não é razoável é aplicar esse engodo para ganhar a eleição (quando ministro todos devem pagar o piso…agora que sou governador, não tenho dinheiro) usando a mesma tática suja de outros governos (que não cortaram o ponto…) para se eleger e bancar o baluarte da educação. Quero saber porque ele aplicou essa mentira no eleitorado.

* Campos obrigatórios
O espaço de comentários do Sul21 pode ser moderado.
Não serão aceitas mensagens:
  1. que violem qualquer norma vigente no Brasil, seja municipal, estadual ou federal;
  2. que contenham conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou que desrespeite a privacidade alheia;
  3. que contenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas;
  4. que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica;
  5. de cunho comercial e/ou pertencentes a correntes ou pirâmides de qualquer espécie;
  6. que caracterizem prática de spam;
  7. anônimas ou assinadas com e-mail falso;
  8. fora do contexto da matéria;
  9. exclusivamente em caixa alta.