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Conta da água em Uruguaiana polemiza estreia de empresa

Foz do Brasil passou a controlar o abastecimento de água em Uruguaiana, no lugar da Corsan | Foto: Divulgação/Foz do Brasil

Felipe Prestes

A primeira fatura cobrada pela empresa Foz do Brasil, responsável pelos serviços de água e esgoto em Uruguaiana, começou a ser enviada às residências da cidade na semana passada e já gerou reclamações de centenas de pessoas. Embora os preços base das tarifas da Foz sejam, em geral, mais baratos que os praticados pela estatal Corsan, a cobrança de um preço mínimo referente ao consumo de 10 m³ faz com que parte dos usuários pague mais caro pela tarifa.

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Uma ação popular contra a Foz do Brasil, por indução ao engano, deve ser impetrada por dezenas de consumidores, segundo o jornal Tribuna de Uruguaiana. De acordo com a oposição, a promessa do prefeito Sanchotene Felice (PSDB), de que a tarifa de água e esgoto seria 14% mais barata com a iniciativa privada no lugar da Corsan não passou de uma falácia. O vereador José Clemente da Silva Corrêa (PT) promete provocar o Ministério Público e realizar nova audiência pública sobre o tema.

Versões divergentes

O prefeito afirma que ocorreu apenas a emissão de um pequeno número de tarifas com erro nas cobranças, problema que será solucionado prontamente. “Houve meia dúzia de casos equivocados, que já estão sendo corrigidos hoje mesmoâ€, disse Sanchotene na tarde desta terça (2), antes de entrar em uma reunião com a Foz do Brasil para tratar do tema. “Haverá desconto de 14% em relação à tarifa da Corsan. Não há risco algum de que a população saia prejudicadaâ€, garante. O prefeito considerou normal que houvesse erros na transição entre Foz e Corsan e afirmou que a empresa estatal dificultou este processo, ao não fornecer a relação dos consumidores para o grupo privado.

O vereador José Clemente da Silva Corrêa (PT) tem outra versão sobre os fatos. Segundo ele, a cobrança mínima de R$ 33,50 – equivalente ao consumo de 10 m³ de água – faz com que a maioria da população esteja pagando mais do que desembolsava antes, e que “pouquíssimos†tenham desconto.

José Clemente diz que antes havia pessoas que pagavam tarifa de R$ 12,00 e que estão pagando, portanto, quase o triplo. “O desconto de 14% na tarifa não está no contrato, não estava no edital. Quem falava que a tarifa ia ser mais barata era o prefeito. Ele transmitiu isto à população de forma inverídica, faltou com a verdade. Também não esclareceu que quem vai pagar pelo esgoto é o povoâ€, diz Clemente.

Sanchotene afirma que um preço mínimo também era exigido pela Corsan – a estatal, de fato, cobra uma taxa de serviço. Além de garantir o desconto de 14%, rebate o vereador, acusando-o de estar contra o saneamento básico. “O senhor Clemente não tem nada de clemente, é inclemente. Parte para este tipo de ataque, porque estava contra o saneamento de Uruguaianaâ€, diz.

A Foz do Brasil divulgou nota em que afirma que, de fato, adotou a tarifa mínima de 10 m³ por hidrômetro, dizendo ser o número utilizado na maior parte dos municípios brasileiros. A empresa também apontou que a estrutura tarifária adotada estava prevista no edital de licitação e que a cobrança mínima é permitida pela Lei 11.445 (Lei  Nacional de Saneamento), “visando à garantia de objetivos sociais, como a preservação da saúde pública, o adequado atendimento dos usuários de menor renda e a proteção do meio ambienteâ€.

Nem mais caro, nem mais barato

Ao comparar as tabelas de preços das duas empresas percebe-se que não é possível dizer qual tem o serviço mais barato. O modo como os valores cobrados são estabelecidos faz com que Corsan e Foz do Brasil sejam mais caras ou mais baratas dependendo da categoria em que se enquadra o consumidor, e de quanto ele consumiu. Sendo assim, nem todo consumidor de Uruguaiana terá os 14% de desconto que alegava a prefeitura.

Como exemplo, o consumidor residencial da Corsan paga R$ 3,43 por cada m³ de água que consumir, mais R$ 16,23 fixos de serviço básico. Já a Foz do Brasil não tem taxa de serviço, mas um preço mínimo de R$ 33,50, para uma tarifa de R$ 3,35 por m³ consumido. Assim, a residência que consome menos que 5,03 m³ por mês paga menos pela Corsan; se consumir acima disto, paga menos pela Foz do Brasil. Uma pessoa consome, em média, 5,4 m³ de água mensais.

Como estas variações, há muitas na comparação entre as duas tabelas. No caso dos usuários com tarifa social, o preço base da Corsan para a água é mais barato – R$ 1,39 contra R$ 1,58. Mas considerando o serviço básico de R$ 6,51 da Corsan para a tarifa social, a conta pode ser mais cara na estatal, dependendo do consumo. Outra variante que muda a relação entre os valores cobrados pelas duas empresas é a do preço do consumo excedente, cobrado acima de determinado volume de água consumida.

Além disto, há o preço da coleta de esgoto. A Corsan cobra mais, em seus preços base, pelo esgoto tratado que a Foz do Brasil. Entretanto, a estatal cobra uma tarifa menor pelo esgoto que é apenas coletado, sem tratamento, o que a Foz do Brasil não oferece, tendo apenas um preço único para o esgoto, seja ele tratado ou não.

Comentários (3)
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Comentário de: Thiago | 3 de agosto de 2011 | 9:52

Em todos os municípios atendidos por esta empresa a ladaia é sempre a mesma. E agora, Sanchotene?

Comentário de: Lucio Uberdan | 3 de agosto de 2011 | 11:27

Olá,
Ótima matéria, faltou apenas o jornalista colocar/dimensionar o papel da empresa pública e da água pública nela.
O lucro da Corsan retorna a sociedade em diferentes aspectos. O da Foz?
Não é apenas quanto o cidadão paga, mas para quem.
Fraterno abraço,
Lucio

Comentário de: geovane teixeira | 3 de agosto de 2011 | 18:39

mandei para este blogue 4 tarifas para serem analizadas, uma com aumento superior a 250% e a outra de um condomínio passa dos 300%,a matemática é impiedosa, não tem chance de interpretações, olhem e analizem. infelizmente a população local de uruguaiana é refém de um alcaide/coronel agora pagará a conta.

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