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Ministério Público Militar nega tentativa de encobrir suposto estupro no RS
Igor Natusch
O Ministério Público Militar pronunciou-se oficialmente pela primeira vez, nesta segunda-feira (29), sobre o caso do soldado de 19 anos que teria sido estuprado por colegas de Exército dentro de um quartel em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul. No documento, o MPM defende-se das crÃticas quanto à aparente lentidão na condução do processo e garante que não existe uma tentativa dos militares em dificultar o acesso a informações sobre o caso. Não oferece, no entanto, maiores esclarecimentos sobre a investigação, alegando a necessidade de proteger tanto o jovem violentado quanto os acusados do estupro.
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“Não há nenhum indÃcio de que isso (tentativa do Exercito abafar o caso) esteja ocorrendoâ€, garante o documento, assinado pelo promotor da Justiça Militar Jorge Cesar de Assis. “Má-fé não se presume, mas deve ser devidamente comprovada. Até o presente momento, ninguém procurou o Ministério Público Militar para formalizar qualquer tipo de denúncia ou apresentar requerimento em qualquer sentido da investigação”.
O documento afirma que não se pode ter certeza, até a conclusão da Justiça, se houve atentado violento ao pudor, que caracteriza violência sexual, ou ato libidinoso, crime menos grave e consensual. No entanto, o promotor afirma que, “ao contrário do que foi divulgado, não existe dúvida que atos de natureza libidinosa ocorreram”. A nota acentua que não há certeza sobre o que de fato aconteceu no Parque Regional de Manutenção de Santa Maria. “Assim como nenhuma hipótese foi descartada, a conclusão de qual crime realmente aconteceu, neste momento, seria prematura e leviana de se afirmar”.
“O MPM entende e respeita o sentimento dos familiares de todos os envolvidos, principalmente daquele que alega ter sido violentadoâ€, afirma a nota. “Entretanto, o processo penal, e mesmo a sua fase investigativa não é agradável a ninguém; ao contrário, é penoso para todas as partes envolvidas, sejam vÃtimas ou acusadosâ€. E realça que tanto o jovem violentado quanto os supostos agressores, “ainda que jovens, são homens e não meninos”, estando “habilitados para a prática de todos os atos da vida civil, não necessitando ser representados por pais ou responsáveisâ€.
As manifestações do MPM surgem em um momento no qual a imprensa nacional volta sua atenção para o caso, acompanhado desde maio pelo Sul21. Na sexta-feira, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, confirmou ter agendado reunião com Celso Amorim, titular da pasta de Defesa, para discutir o incidente e pedir investigação rigorosa dos fatos. O inquérito militar foi devolvido pela Procuradoria Militar de Santa Maria para novas diligências – entre elas, uma perÃcia em aparelho celular que traria imagens do crime. A previsão inicial é de que a investigação esteja nas mãos do MPM ainda nesta semana.
O incidente ocorreu em maio. A vÃtima, um soldado de 19 anos, teria sido violentado por quatro colegas de farda, dentro das dependências do Parque Regional de Manutenção de Santa Maria. Após o abuso, permaneceu oito dias no Hospital de Guarnição do municÃpio, metade deles sem que os pais tivessem sido comunicados dos motivos da internação. Familiares denunciam que o jovem sofreu uma série de ameaças, além de a mãe do soldado ter sido ameaçada de prisão por suposto desacato a autoridade militar. Segundo o deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), que acompanha o caso em nome da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, a tendência do inquérito militar é desqualificar a violência sexual, tratando o caso como uma espécie de “brincadeira†entre os soldados.
Comentários (2)
» Deixe seu comentárioSrs. as forças armadas e auxiliares não são mais as mesmas a muito tempo. Como militar vi tantas coisas que embrulham o estomago de qualquer um.
Em brasÃlia tem uma militar que esta a mais de dois anos na justiça federal contra um Coronel que tentou agredi-la. Isso em 2009. No MPM o processo foi arquivado, a ordem no MPM é: “denúncia contra Oficiais a ordem é arquivar”… dito por uma promotora. O agressor Cel Romulo Vaz é violento e agressivo. Já agrediu um civil no interior do HMAB, causando lesão corporal, onde o cidadão perdeu 5 ou 6 dentes…. e na 11ª CJM o processo foi arquivado. Basta consultar por nome: http://www.stm.gov.br/cgi-bin/nph-brs?s5=%22AUD11aCJM450308I%22&l=20&d=SAM3&p=1&u=s&r=1&f=G . Srs. uma instituição que deixa um Oficial de infantaria usar o uniforme branco de médico, chefiar uma seção de saúde, fazer cursos até na china tudo pago pelo exército… não pode ser levada a sério. Infelizmente militares temporarios sofrem diariamente abuso de autoriade, assédio sexual e moral. Poderia passar horas relatando fatos. Lamento o que houve com o soldado no RS, mas isso não é fato isolado… e em quartéis grandes com 2,3 até 4 mil militares morrem de 30 a 50 militares ao ano(por quartel), por abusos em treinamentos, acidentes, incidentes,em especial suicidios dentre outros. Cordial abraço. E lutemos por um Brasil melhor sem corporativismo e covardia.
Como tudo que ocorre na caserna, mais um caso dúbio.