Política

“Gays precisam aprender a conviver em sociedadeâ€, afirma vereador paulista

Carlos Apolinário propôs criação do Dia do Orgulho Hetero na Câmara Municipal de São Paulo | Foto: Divulgação/CMSP

Igor Natusch

Um projeto inserido na pauta da Câmara Municipal de São Paulo despertou forte reação da comunidade LGBT e movimentou as redes sociais na quarta-feira (22). De autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM), o projeto que cria o Dia do Orgulho Heterossexual entrou na pauta de votação com regime de urgência, a menos de quatro dias da Parada Gay em São Paulo. O projeto tem apoio da bancada evangélica na Câmara e foi remetido à Casa com o apoio de 28 dos 55 parlamentares. Pela proposta, a data seria comemorada anualmente no terceiro domingo de dezembro. Em entrevista exclusiva para o Sul21, o vereador garante que seu projeto não é um ataque à comunidade LGBT, e sim uma tentativa de reforçar a igualdade entre os gêneros.

“O dia do hetero não é algo contra os gays. Aqui em SP você tem dia da lésbica, dia do orgulho gay, por que não pode ter dia do hetero?â€, pergunta. Segundo Carlos Apolinário, a ideia também é criticar a decisão de permitir a Parada Gay na Avenida Paulista, enquanto outras manifestações são proibidas no local. “Não sou contra a Parada. Até a Marcha da Maconha pode ser feita, estamos em uma democracia. Mas nos proibiram de fazer a Marcha por Jesus (na Paulista)â€, exemplifica.

O vereador paulistano garante que defende ideia semelhante desde 1996, quando a então deputada federal Marta Suplicy (PT) começou a discursar no Congresso a favor da união civil de homossexuais. “Ser gay é um direito e não um privilégioâ€, reforça o vereador do DEM. “Se o gay for para a Parada defender o casamento gay, eu pessoalmente sou contra, mas é um direito. Se ele for defender a adoção de crianças, a mesma coisa. Mas aqui em SP, na Parada do ano passado, o prefeito e o governador entregaram camisinhas e gel! Isso deixa de ser direito e vira distribuição de acessórios para fazer sexo. Eles precisam de camisinha e gel de graça?â€

Graças ao esforço de vereadores do PT e PPS em São Paulo, o projeto deixou de encabeçar a pauta desta quarta (22), sendo jogado para o final da fila. A ideia é impedir a votação antes da Parada Gay, de forma a evitar constrangimentos para a Casa. “Eu votaria se fosse em outra data, mas perto da Parada é querer criar um clima de animosidade desnecessária para a cidade”, declarou o vereador Juscelino Gadelha (sem partido), em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo. No entanto, Carlos Apolinário garantiu que fará esforços para que a apreciação do projeto ocorra ainda hoje, prometendo obstruir todos os outros projetos até que sua proposta seja levada à votação.

O vereador nega de forma veemente que esteja defendendo uma atitude de preconceito contra homossexuais. “Defendo que gays e heteros respeitem a moral e os bons costumes. Não só os gays, mas também os heterossexuaisâ€, assegura. E exemplifica o que considera “forçada de barra†por parte da comunidade LGBT. “Eu sou casado há 38 anos. Se eu vou a um restaurante com a minha mulher, eu posso entrar de mãos dadas, colocar a mão no ombro, mas não vou dar beijo de língua nela lá dentro. Aqui em São Paulo, o gay deu beijo de língua, o dono do bar pediu para dar uma maneirada, e no dia seguinte foram 20 casais gays lá para dar um beijaço. A partir do momento em que ficam dando beijos em público, de modo ostensivo, é uma atitude para agredir a sociedade. Imagina, eu que sou evangélico: se eu for discriminado, vou lá no dia seguinte fazer um culto lá dentro? Não dáâ€.

Na visão de Carlos Apolinário, o governo precisa posicionar-se de forma a defender os interesses de todos, ao invés de “propagandear†uma classe específica. Ele é, por exemplo, totalmente contra o material anti-homofobia produzido pelo Ministério da Educação, apelidado pelos críticos como “kit gayâ€. “Até a Dilma, que não é de religião, falou que o vídeo não era bomâ€, afirma. “Assisti um dos vídeos que está na internet, onde dois homens ficam se beijando, e eles iam passar isso dentro das escolas! Você acha que precisa ensinar as crianças sobre esse assunto? Daqui a pouco, vão fazer campanhas tipo ‘vire gay e ganhe 10% de desconto’, outdoors dizendo que ser gay é a melhor coisaâ€.

Mesmo assim, o vereador frisa que não concorda com as posições do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), um dos principais crítico das medidas afirmativas em favor da comunidade LGBT. “Eu jamais vou tentar atingir a dignidade humana de um homossexual, de forma alguma. Meu cabeleireiro é gay, tive funcionários gays, quando concorri a governador o meu maquiador era gay. Não tenho nenhum tipo de preconceito ou homofobia, apenas acho que os gays precisam aprender a conviver em sociedadeâ€.

Atualização (19h45):

A sessão de quarta-feira da Câmara Municipal de São Paulo foi encerrada sem que houvesse a votação do projeto que quer instituir o Dia do Orgulho Hetero na cidade. Vereadores contrários à proposta de Carlos Apolinário (DEM) conseguiram obstruir a votação da matéria, que deverá ser apreciada em uma das próximas sessões da Casa. Como o pedido de urgência era relativo ao dia 22, será necessário um novo acordo para que a matéria ganhe prioridade na pauta do dia específico.

“Os homossexuais dizem que são discriminados pela sociedade, quando na verdade são eles que discriminam aqueles que não concordam com suas opções sexuais”, diz Carlos Apolinário na justificativa anexa ao PL 294/2005, que pede a criação do Dia do orgulho Heterossexual. Segundo o texto, os homossexuais “não se satisfazem com o anonimato” e muitas vezes “agridem verbalmente aqueles que não concordam com suas ideias”. “Quando os homossexuais aprenderem a respeitar a sociedade que é composta pelos seus pais, irmãos, familiares e amigos com certeza a sociedade também irá respeitá-los, pois aqueles que querem respeito devem agir de forma respeitosa”, declara o vereador do DEM no documento. O projeto de lei que pede o Dia do Orgulho Hetero pode ser acessado aqui.

Comentários (17)
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Comentário de: Janes Rodriguez | 22 de junho de 2011 | 23:34

Uma pergunta para o idiota e para os oportunistas que usam a religião para fazer politica sem punições: quantos heterossexuais voces conhecem que foram mortos ou espancados só por ser heterossexual? IGREJAS DEVERIAM TER QUE PAGAR IMPOSTOS E SOFRER FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL COMO QUALQUER EMPRESA QUE PRESTA SERVIÇOS E COBRA POR ELES. BASTA DE HIPOCRISIA DISSIMULADA SOB O MANTO DA “LIBERDADE DE CULTO”.

Comentário de: Edson | 22 de junho de 2011 | 23:57

É este tipo de colocação que passa a fazer parte de uma história de evolução do pensamento. Não é perseguição homofóbica, mas, uma defesa dos bons costumes em que tanto a inserção do hetero quanto homo estão subordinados. Pois, todo o privilégio leva ao desquilibrio entre as partes. Parabéns depetado pelo respeito as partes e lisura em suas observações.
Boa noite.

Comentário de: Eugênio | 23 de junho de 2011 | 3:33

IGREJAS DEVERIAM TER QUE PAGAR IMPOSTOS E SOFRER FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL COMO QUALQUER EMPRESA QUE PRESTA SERVIÇOS E COBRA POR ELES. BASTA DE HIPOCRISIA DISSIMULADA SOB O MANTO DA “LIBERDADE DE CULTOâ€.
Abaixo as máfias religiosas que tentam amordaçar a sociedae com seu fanatismo e levantam bandeiras hipócritas para obstruir a discussão do q interessa. Auditoria nas igrejas JÃ.

Eugênio

Comentário de: PH | 23 de junho de 2011 | 11:21

UFA!! ESTAVA PREOCUPADO EM SER TÃO “DIFERENTE”… Jà NÃO SABIA MAIS COMO CONVENCER MEUS FILHOS A SEREM HETEROSEXUAIS COMO EU, COM TANTA PROPAGANDA, DESFILES, CENAS DAS NOVELAS… TENHO ACHADO TUDO TÃO EXAGERADO, QUE AS VEZES PENSEI QUE A MINORIA É A MAIORIA, OU SEI Là O QUE? RESPEITO OS HOMOSEXUAIS, MAS OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E OS MOVIMENTOS NÃO PRECISAM SER TÃO AGRESSIVOS NA MÃDIA, AFINAL, TEM ESPAÇO PARA TODOS.

Pingback de: Sul 21 » Marcha Para Jesus reúne multidão em São Paulo | 23 de junho de 2011 | 14:09

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Comentário de: maria cristina meneghini | 23 de junho de 2011 | 17:12

Parabéns pela colocação do vereador paulista. Pela maneira com que as coisas andam em relação aos gays e seus privilégios, fico pensando qual o objetivo disto? Dividir a sociedade? Porque um grupo deveria ter uma espécie de “multiplas vantagens”, baseado numa “escolha sexual”, porque afinal, o que define gays e heteros é escolha sexual, não tem nada a ver com “relacionamento”. Posso ter ótimos relacionamentos com gays ( amigos, colegas ) e ser hetero. Aliás, acho até maligno que possa haver privilégios para qualquer cidadão, afinal todos somos iguais perante a lei. Quanto a postura pública, penso que o respeito a todos é fundamental. Sair lambendo linguas em público é sim agressividade e falta de consideração com os demais, que talvez não estejam dispostos a assistir a esta cena, seja protagonizada por gays ou heteros. Cada um faça o que quiser na sua casa. Em público, postura e classe é fundamental.

Comentário de: Carlos Schneider | 23 de junho de 2011 | 17:28

Ai está a resposta por si. Quando faltam argumentos em defesa de uma classe, levante a voz ou ataque quem for diferente. O respeito se impõe de ambos os lados. Mas só existe de um aldo. Punir alguém na esfera do pensamento é a loucura extremada.
Não é melhor que todos tenham direitos e DEVERES iguais. Privilégios são burros e mesquinhos. Parabéns Deputado. Repete-se Sodoma e Gomorra.

Comentário de: rodrigo aguiar | 23 de junho de 2011 | 21:34

o que esse cara faz na página principal do sul21?

Comentário de: Zétenso Eraivoso | 24 de junho de 2011 | 0:15

Na verdade todos nós precisamos aprender a viver em sociedade, inclusive os homossexuais.

Comentário de: Henrique | 24 de junho de 2011 | 10:38

Quando nos levantamos a favor de uma causa, esta deve deter de motivos suficientes que a justifiquem. Ao instituir o dia do orgulho gay tentamos fazer com que as pessoas entendam as diferenças, que os gays possam se sentir mais inseridos na sociedade. Concordo com o James do comentário acima, ao dizer que ninguém sofre preconceito por ser heterossexual. Não somos privilegiados por sermos gays, somos acolhidos perante uma sociedade em evolução que começa entender a necessidade por parte de quem não se sente totalmente aceito, assim como os negros que sentem essa necessidade mais participativa e desprovida de preconceito. Instituir o dia do branco não se faz necessário?

Fica a pergunta…

Comentário de: DILMÃO | 24 de junho de 2011 | 13:54

O vereador não está certo com relação ao dia hetero…uma bobagem…no resto de sua entrevista, não vejo nenhum ponto de vista que deva ser atacado com tanta veemência assim. O título da foi de uma precisão incomum. O episódio do tal beijo de língua, espelha bem a situação das coisas.

Comentário de: Li | 28 de junho de 2011 | 14:04

A opressão tem mesmo muitas caras…

Essa é a carinha mais democrática e legal para tentar de toda forma condicionar os comportamentos, dizem: vocês podem até ser gays (já que não podemos mais dizer o contrário) mas terão que ser gays do jeito que nós deixarmos…

Que mundo dicotômico este, em que ser uma coisa necessariamente diminui a outra… Ter gays vivendo em sociedade não significa uma ameaça aos héteros (talvez aos héteros homofóibicos) quem não sabe viver em sociedade é quem não aceita, quem oprime o que está diante de si. Privilégios têm os opressores, que ainda fazem o que querem, matam, torturam, quem resiste é taxado de privilegiado que não sabe viver em sociedade…

Sinceramente, se é essa a sociedade, que discrimina homossexuais, mulheres, negros, entre tantos outros, não queremos mesmo nos adequar. Queremos outra, e construímos ela todo dia, por mais difícil que seja.

Parabéns pela luta LGBTT, estamos com vocês!

Comentário de: DILMÃO | 29 de junho de 2011 | 17:23

Eu não tenho nenhum problema de que as pessoas sejam gays. O problema é tornar isso matéria de escola, criar uma cartilha organizada por uma ONG gay militante ( o que por si só já é um privilégio e um desequílibrio ao se examinar um problema ) com vídeos porno-infantis, com meninos de 10 anos se beijando na boca e olhando o pinto um do outro no banheiro. Não tenho nenhum problema de que as pessoas sejam gays, desde que não façam sexo explícito em plena lima e silva (não vejo casais hetero fazendo isso) ou em uma parada gay. Não vejo porque eu tenha de aplaudir e apoiar tal tipo de comportamento.

Pingback de: Lola: a eterna “parada” dos reacionários | Consciencia.blog.br | 29 de junho de 2011 | 23:58

[...] a quarta da semana passada foi uma abominação, um verdadeiro freak show. Nesse dia um deputado paulista sugeriu que fosse fixada uma data pra comemorar o orgulho de ser heterossexual. E [...]

Pingback de: Sul 21 » MAIS FATOS & MAIS FOTOS | 2 de agosto de 2011 | 20:52

[...] Em entrevista ao Sul21 no mês de junho, Carlos Apolinário havia afirmado que os gays precisavam “aprender a conviver em sociedade” e criticou de forma veemente o material anti-homofobia do Ministério da Educação, chamado pelos críticos de “kit gay”. “Assisti um dos vídeos que está na internet, onde dois homens ficam se beijando, e eles iam passar isso dentro das escolas! Você acha que precisa ensinar as crianças sobre esse assunto? Daqui a pouco, vão fazer campanhas tipo ‘vire gay e ganhe 10% de desconto’, outdoors dizendo que ser gay é a melhor coisaâ€, afirmou o vereador paulistano. Ãrvores nativas do Cerrado foram plantadas em frente ao Congresso Nacional | Foto: Marcello Casal Jr /ABr [...]

Comentário de: Elivelton Laercio dos Santos | 12 de dezembro de 2011 | 12:31

A sociedade no geral precisa saber realmente as causas do homosexualismo, entender que não é uma escolha e sim uma condição, onde por algum motivo, cujo nem mesmo a ciência sabe explicar, o cidadão na nasce com esta tendência e só será feliz se puder viver sua verdadeira personalidade. E para que os GAYS aprendam à viver em sociedade, a sociedade deve primeiramente aprender a respeitar estas condições de vida, não a tratando com diferenças que é o que comoumente acontece em nossa realidade. O ser humano precisa crescer.

Comentário de: Elivelton Laercio dos Santos | 12 de dezembro de 2011 | 12:39

…E a oportunidade de quebrar este preconceito, é levando informação sim, até às escolas, pois a maioria dos pais nem se quer tem abertura para conversar com seus filhos sobre como foi seu dia.
Nossas crianças, em mãos de profissionais também livres do preconceito, poderão transformar a sociedade em um espaço igualitário que saberá respeitar as diferenças como se elas não existissem. Vejo isso como um intrumento de conhecimento e crescimento, e não como uma propaganda.

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