Política

Na Câmara Federal, maioria dos gaúchos fará parte da base de Dilma Rousseff

Igor Natusch

Na próxima terça-feira (1º), 513 representantes eleitos pelo povo brasileiro serão empossados para a 54ª legislatura da Câmara Federal. Trata-se de um grupo heterogêneo, formado principalmente por avogados, médicos e educadores, e que deve oferecer ampla base de sustentação para a presidenta Dilma Rousseff. Desses, 31 são gaúchos – mesmo número de deputados eleitos pelo RS nas eleições de 2006. Nosso estado contribuirá com 11 novos nomes para a legislatura que inicia no dia 1º, além de trazer uma bancada mais alinhada com o governo federal. Embora, infelizmente, com uma diminuição sensível no número de mulheres: ao invés das quatro eleitas em 2006, teremos apenas Manuela D’Ãvila (PCdoB) assumindo de fato seu lugar no parlamento em 2011.

Maia e Mabel disputam presidência da Câmara

Além da posse propriamente dita, outro acontecimento de grande importância movimentará a Casa. Na ocasião será feita também a eleição do novo presidente e da nova Mesa Diretora da Câmara. O registro de candidaturas pode ser feito até as 17h do dia da posse, uma hora antes do começo previsto da eleição. Até o momento, os dois candidatos confirmados para a presidência do parlamento são Marco Maia (PT-RS) e Sandro Mabel (PR-GO).

O processo começa com a definição do blocos partidários. É um passo importante, já que a quantidade e a representatividade dos blocos são decisivos para a distribuição de cargos na Mesa Diretora e nas comissões parlamentares. Esses blocos podem ser desfeitos logo após a votação, de forma que os partidos voltem a ter as suas lideranças individuais. Para alguns partidos de pequena presença na Câmara, é a melhor chance de obter algum tipo de representação na Mesa e na presidência das comissões.

Após a definição dos blocos, ocorre a eleição da nova Mesa Diretora, que deve iniciar a partir das 18h de terça-feira (1º). A Mesa é constituída de presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e quatro suplentes. A eleição é secreta e com urnas eletrônicas, e a previsão da Câmara é que o processo de votação e apuração leve entre três e quatro horas. Como o atual presidente da Câmara, Marco Maia, é candidato ao posto, a presidência será assumida interinamente, durante a votação, pelo deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), veterano da Casa, com 11 mandatos. Para ser eleito, um candidato precisa alcançar 257 votos – se nenhum dos concorrentes obtiver esse número, a eleição vai para segundo turno.

Primeira vez

Dos 513 deputados que tomarão posse na Câmara Federal, 61 deles nunca exerceram cargo eletivo. São, portanto, estreantes na política, e já ocupando um dos mais importantes espaços da política nacional. Apesar de iniciantes, a maioria deles não é exatamente recém-chegada na política: quase dois terços deles (40 parlamentares) são parentes de políticos influentes ou já exerceram cargos não-eletivos no Executivo. “A população já conhece o perfil de atuação da nossa famíliaâ€, explica Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), filho de Gediel Vieira Lima (PMDB-BA) e eleito, na sua primeira candidatura, com mais 220 mil votos.

Entre os novatos, praticamente um terço (19) atua no setor empresarial, enquanto outros conseguiram ascendência devido a suas ligações religiosas ou pela sua participação em movimentos sociais.“Estar à frente de projetos que se consolidaram e cresceram nos últimos anos propiciou o aprendizado sobre as transições econômicas pelas quais já passamos, sobre os modelos governamentais e, principalmente, sobre as realidades das diferentes classes sociaisâ€, diz Nelson Padovani (PSC-PR), empresário dos setores imobiliário e agrícola, que acabou eleito em sua segunda tentativa de entrar na Câmara Federal.

Arte: Agência Câmara

Arte: Agência Câmara

Manuela D’Ãvila é gaúcha mais votada

Entre os 31 gaúchos que ocuparão seus lugares na Câmara Federal, Manuela D’Ãvila (PCdoB) destaca-se duplamente. Além de ser a mais votada do estado, com 482.590 votos, é também a mais jovem deputada do RS, com 29 anos. Sua votação foi tão significativa que acabou levando um segundo comunista para a Câmara, Assis Melo, com 47.141 votos – menos de um décimo da votação de sua colega de bancada. Manuela vai para o segundo mandato. Atualmente, é presidente de três frentes parlamentares: do Esporte, pela Cidadania LGBT e em Defesa da Liberdade na Internet.

A maior bancada gaúcha será a do PT, com oito representantes, seguida pelo PP, com seis, e pelo PMDB, com quatro. Enquanto PT, PP, PCdoB e PSB aumentaram a quantidade de cadeiras no parlamento, PMDB, DEM e PSDB perderam representantes. Dois partidos (PPS e PSol) tinham deputados em 2006, mas acabaram não conseguindo eleger nenhum nome em 2010. PDT e PTB, por sua vez, mantiveram os mesmos espaços que possuíam na eleição anterior.

A bancada gaúcha de oposição ao governo federal diminuiu drasticamente de tamanho: eram seis eleitos em 2006, e agora serão apenas dois. O suporte gaúcho ao governo Dilma, por outro lado, será ainda maior do que o destinado ao ex-presidente Lula. Agora são 20 deputados federais gaúchos pró-Dilma, contra 17 parlamentares favoráveis a Lula. Outros nove deputados são considerados neutros – ou seja, são oriundos de partidos que fazem parte da base governista, mas que não participaram diretamente da campanha que elegeu Dilma Rousseff.

Três suplentes vão assumir

Três deputados eleitos pelo povo gaúcho, porém, não ficarão na Câmara Federal por muito tempo. Devem assumir e, quase imediatamente, licenciarem-se de seus mandatos, de forma a ocuparem espaços no executivo estadual ou federal. São os casos de Beto Albuquerque (PSB), que ocupa a secretaria de Infraestrutura e Logística do RS; Luiz Carlos Busato (PTB), designado para a secretaria de Obras Públicas, Irrigação e Desenvolvimento Urbano; e Maria do Rosário (PT), ministra da Secretaria dos Direitos Humanos do governo federal. No lugar de Beto Albuquerque, ficará o suplente Luiz Noé (PSB), enquanto Busato será substituído por Ronaldo Nogueira (PTB) – já que o primeiro suplente do partido, Maurício Dziedricki, também ficou com um lugar no secretariado de Tarso, na pasta de Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa. No lugar de Maria do Rosário, entra o primeiro suplente petista, Fernando Marroni.

Abaixo, a lista completa dos deputados federais gaúchos na legislatura que começa em fevereiro:

PT (8)

Paulo Pimenta *
Henrique Fontana *
Marco Maia *
Pepe Vargas *
Dionilso Marcon
Ronaldo Zülke
Elvino Bohn Gass
Fernando Marroni *

PP (6)

Luiz Carlos Heinze *
Vilson Covatti *
José Otávio Germano *
Renato Molling *
Afonso Hamm *
Jerônimo Goergen

PMDB (4)

Osmar Terra *
Darcísio Perondi *
Mendes Ribeiro Filho *
Alceu Moreira

PDT (3)

Giovani Cherini
Enio Bacci *
Vieira da Cunha *

PSB (3)

José Luiz Stédile
Alexandre Roso
Luiz Noé

PTB (3)

Danrlei de Deus Goleiro
Sérgio Moraes *
Ronaldo Nogueira

PCdoB (2)

Manuela D’Ãvila *
Assis Melo

DEM (1)

Onyx Lorenzoni *

PSDB (1)

Nelson Marchezan Jr.

* indica deputado federal reeleito

Leia mais: Eleição de jovens não muda política dos Parlamentos

Comentários (3)
» Deixe seu comentário
Comentário de: Caakfouri | 30 de janeiro de 2011 | 14:40

“se nenhum dos candidatos obter” eh dose pra leão. A revisão esta em prolongadas ferias?

Comentário de: igornatusch | 30 de janeiro de 2011 | 18:12

Agradecemos pelo alerta!

Pingback de: Tweets that mention Sul 21 » Na Câmara Federal, maioria dos gaúchos fará parte da base de Dilma Rousseff -- Topsy.com | 30 de janeiro de 2011 | 18:58

[...] This post was mentioned on Twitter by valeriobrl, Sul21. Sul21 said: Na Câmara Federal, maioria dos gaúchos fará parte da base de Dilma Rousseff http://ow.ly/3MOKR [...]

* Campos obrigatórios
O espaço de comentários do Sul21 pode ser moderado.
Não serão aceitas mensagens:
  1. que violem qualquer norma vigente no Brasil, seja municipal, estadual ou federal;
  2. que contenham conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou que desrespeite a privacidade alheia;
  3. que contenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas;
  4. que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica;
  5. de cunho comercial e/ou pertencentes a correntes ou pirâmides de qualquer espécie;
  6. que caracterizem prática de spam;
  7. anônimas ou assinadas com e-mail falso;
  8. fora do contexto da matéria;
  9. exclusivamente em caixa alta.