Política
Tarso prega relação de confiança entre gestores, para coalizão ter êxito
Rachel Duarte
A primeira reunião do futuro governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), com a sua futura base aliada na Assembleia Legislativa foi marcada por uma palavra: alinhamento. A mensagem do governador eleito foi de que os partidos aliados, as correntes do PT e o futuro secretariado devem ter uma relação prévia de confiança, que qualificou de “confiança subjetiva”, para tratar dos temas prioritários do futuro governo. “Nosso conceito de coalizão não é uma simples costura comum entre lideranças. Será um governo de partidos”, salientou Tarso. O recado foi dado aos futuros deputados estaduais dos partidos que compõem a coalizão durante um almoço no restaurante Copacabana, em Porto Alegre.
O aviso dado por Tarso foi dirigido também aos acadêmicos e quadros políticos que emitem opiniões na imprensa sobre o processo de coalizão construído por ele nesta eleição. O futuro governador defendeu a maneira como formou a frente política que o elegeu (PT, PSB, PCdoB). Segundo Tarso, ela aconteceu de forma inédita, estabelecendo outro patamar para uma coalizão política ampla no RS.“A nossa coalizão não é um toma lá, dá cá. Isto revela uma ignorância sobre o significado da coalizão e uma falta de acompanhamento que estes acadêmicos têm sobre a formação do nosso programa, da disputa política que fizemos na eleição e das relações políticas entre partidos que estão forjando a nossa coalizão”, argumentou.
Para que a coalização tenha êxito, Tarso considera primordial a articulação entre as 30 secretarias e o estabelecimento de um regime de colaboração entre seus titulares. E, também, uma boa relação entre os gestores e os parlamentares. O futuro governador gaúcho disse ainda que o novo processo que se estabeleceu durante e depois da eleição de 2010, quando outras siglas – PR, PRB, PPL, PDT e PTB – foram se agregando à Unidade Popular pelo Rio Grande, exigirá uma nova consciência de todos os partidos. “Houve uma percepção de que a política de confronto e polarização que estava estabelecida no estado precisava ser superada. E isso vai contra hábitos antigos e arraigados em todos partidos que, em última instância, por não ter tido uma experiência de coalizão não têm parâmetros para se mover na organização do governo”, reforçou.
Maioria sólida
Os futuros desafios e debates sobre projetos de interesse da sociedade gaúcha na Assembleia Legislativa do RS deverão acontecer de maneira mais tranquila do que no atual governo gaúcho. Pelo menos é o que espera Tarso Genro e o que manifestaram os presidentes dos partidos aliados, durante o almoço.
O futuro chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, coordenou a participação dos presidentes ou representantes dos partidos, no debate. Raul Pont, deputado estadual e presidente do PT no estado, disparou uma sutil provocação: “Na hora da votação é que se confirmará este êxito da coalizão. A identidade coletiva tem que existir antes dos projetos de lei irem para votação na AL”.
O presidente do PTB, Luiz Augusto Lara, futuro secretário do Trabalho, garantiu que o futuro governo terá todos os votos do PTB. “Estamos cientes da nossa responsabilidade e fizemos um pacto na bancada para que os projetos de interesse da sociedade e da maioria do governo tenham a aprovação dos seis deputados petebistas”, disse, pedindo para que os deputados do PTB, presentes no almoço, ficassem de pé.
Representando o presidente do PDT, Romildo Bonzan Jr., o futuro presidente da Caixa RS, Flávio Lammel, disse que o trabalho de convencimento dos trabalhistas está sendo construído e também pediu para os deputados da sigla se apresentarem.
Comentários (2)
» Deixe seu comentário[...] This post was mentioned on Twitter by Sul21, Sul21. Sul21 said: @tarsogenro desconstitui discurso de acadêmicos e quadros políticos sobre o significado de sua coalizão. http://tinyurl.com/2bk28bl [...]


Bah, ter que aturar essa corja do PTB como aliado é extremamente desconfortável.Tomara que o governo não venha a se arrepender mais adiante.