Política

Marco Alba reforça candidatura e esquenta sucessão no PMDB gaúcho

Igor Natusch

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Se as lideranças do PMDB gaúcho esperavam construir uma chapa única para o novo diretório estadual, com eleição marcada para o dia 16 de dezembro, essa possibilidade parece perder força a cada dia que passa. Indo contra a cúpula peemedebista, o deputado estadual Marco Alba movimenta-se intensamente nos bastidores, fazendo articulações para a composição de uma chapa contrária à ideia de consenso. A chapa, já batizada com o sugestivo nome “Renovar Faz Bemâ€, critica o modo como está sendo conduzida a sucessão de Pedro Simon, e já conta com o apoio de muitas prefeituras ligadas ao partido.

Em carta aberta, a qual assina apenas como “membro da chapa Renovar Faz Bemâ€, Marco Alba explicita suas visões sobre o atual processo sucessório na legenda. “As decisões da cúpula, por candidaturas, alianças e comportamento político, em nome da unidade, excluem a base partidária, aquela que ainda sustenta o nosso Partido no interiorâ€, diz a nota, entregue na segunda (22) a parlamentares peemedebistas reunidos na Assembleia para discutir o processo sucessório.

Em outro trecho, o documento sobe o tom. “Não é possível aceitar o velho modelo como caminho para novos tempos. Querem passar a mão por cima (das causas que provocaram a derrota nas urnas) e projetar um futuro através de teses melhoradas, como se nada tivesse acontecidoâ€, critica. A nota também diz que o grupo “Renovar Faz Bem†apresentará sua chapa ao Diretório Estadual no dia 8 de dezembro, data limite para a inscrição. “Não estamos protagonizando nenhuma divisão ou racha, mas sim a participação de lideranças excluídas pelo método vigenteâ€, conclui a carta.

A declaração, segundo pessoas próximas da candidatura, é uma resposta a dois documentos da frente que busca o diretório de consenso, divulgados em instâncias internas da sigla. Um deles traria orientações políticas para o futuro do PMDB gaúcho, enquanto o outro conteria sugestões e critérios para a formação do diretório. Os documentos estariam sendo constantemente alterados, o que é interpretado pela chapa dissidente como uma tentativa de neutralizar as movimentações de Alba.

Além da carta, Marco Alba enviou e-mail para peemedebistas de todo o Rio Grande do Sul, listando propostas da chapa que representa. Entre elas, está a realização de seminários regionais e de um congresso estadual para a discussão coletiva dos rumos do partido, bem como eleições diretas, com a participação de todos os filiados, a partir do próximo pleito. Além disso, defende a eleição de um um presidente que “esteja constantemente presente, que tenha humildade para saber que representa o partido e suas ideias, e que não se aproprie do Partido para suas aspirações pessoais ou de gruposâ€.

“Papagaio das bases”

Entrevistado pelo Sul21, o deputado Marco Alba garante que está sendo apenas o “papagaio†dos anseios das bases, que estariam sendo ignorados pelas lideranças atuais. “É uma tese de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores… Da maioria do partido. Eu estou apenas capitaneando. Até mesmo membros do partido que estão comprometidos com a formação dessa chapa única conhecem bem o clamor que vem das basesâ€, garante.

“A população não enxerga no partido (PMDB) uma identificação, representatividade, alguém comprometido com mecanismos de mudança. Isso explica nossa derrota avassaladora nas urnasâ€, diz Marco Alba. Para ele, o processo que busca a formação de uma chapa única reproduz o mesmo modelo que levou às recentes derrotas nas urnas. “Precisamos, primeiro, fazer uma autocrítica, compreender o que está errado no partido. Porque todos nós cometemos erros nesse processo, eu inclusive. Daí sim, temos que interagir, buscar os caminhos que nos permitam ser representantes legítimos do povo e nos reconduzam ao sucesso eleitoralâ€.

Na leitura do deputado estadual reeleito, tem faltado “humildade†ao PMDB gaúcho. “Fomos governo três vezes, e mesmo assim nosso tamanho diminuiu. Isso é resultado do modelo deteriorado que temos adotado. Não existe uma nova proposta se estamos no mesmo modelo. Não é um presidente ou mesmo uma executiva que vão mudar essa situação. Quem já tem espaço vai constituir maioria, impor sua visão e daí já sabemos o resultadoâ€.

Segundo Alba, o partido tem tido vitórias pontuais, mas “tomou uma surra†nas últimas eleições. E usa a si próprio como exemplo. “Tive uma vitória nas urnas, consegui uma votação muito boa e me reelegi. Mas, o que adianta o Marco Alba estar bem, reeleito, se o partido está distante das prefeituras, se não temos o que acrescentar na política estadual?â€, questiona.

“Não há barganha”

Walter Fagundes / Ag. AL

Deputado estadual Marco Alba (PMDB) | Foto: Walter Fagundes / Ag. AL

Marco Alba garante que a formação da chapa “Renovar Faz Bem†não é uma estratégia para forçar uma negociação, que poderia garantir a sua presença como presidente da Assembleia gaúcha. “A discordância chateia as pessoas, causa desconforto até no nosso melhor amigo. Não há estratégia de barganha, não estou me candidatando para ter benefício mais para frente. Nosso objetivo é contestar o modelo vigente, e vamos até o fimâ€.

Além disso, o deputado estadual faz questão de deixar claro que não faz oposição individual a nenhuma pessoa dentro do partido. Exemplifica com José Fogaça, candidato derrotado ao Piratini e cotado para assumir a presidência na chapa de consenso, a quem se refere como “vítima†do modelo vigente no partido. “O PMDB, hoje em dia, é burocrata, trancado no gabinete, intelectualizado e longe das bases. Isso é responsabilidade de todos nós. Desvalorizamos os prefeitos e vereadores, que são nosso instrumental, que são quem ganha eleição de verdade. A base nos passa a sua mensagem, ela sabe o que está errado, e precisamos ter a humildade de entender issoâ€.

Entre os nomes identificados com a “Renovar Faz Bemâ€, está o presidente da Associação de Prefeitos e Vices do PMDB, Clair Kuhn, de Quinze de Novembro. Outros prefeitos que estariam na chapa de Marco Alba são João Alberto Cardoso Machado, de Torres; Leonir Perlin, de Pejuçara; Daiçon Maciel da Silva, de Santo Antônio da Patrulha; Benone Dias, de São Nicolau; e Constantino Orsolin, de Canela. A estimativa é de que, ao todo, cerca de 30 prefeitos e 20 vices já estejam integrados à chapa encabeçada por Marco Alba.

As articulações continuam. Na noite desta segunda-feira (23), Marco Alba viajou para um encontro no Vale do Paranhana, onde pretendia coletar mais assinaturas, entre prefeitos, vices e vereadores da região. O deputado federal tem viagem a São Paulo agendada para a manhã desta quarta-feira (24).

Comentários (4)
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Comentário de: David Alamnsa | 24 de novembro de 2010 | 13:11

Caros amigos, o fato da grande derrota do PMDB gaúcho, foi a identificação direta da população deste partido com todos os outros que querem acabar com direitos da população, e trabalham apenas para seu enriquecimento ilicíto como é o caso de muitos do PMDB, uma política sem propostas, sem construção social, que boa essa derrota pois o povo abre os olhos e já não se vende por cestos básicos ou rosas no dia das mães.

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Comentário de: Clovis Adauto | 9 de janeiro de 2012 | 23:58

E ai Marco, como está meu vizinho, se os contras não te atrapalharem na articulação com os
prefeitos do interior etc…, será uma estratégia excelente para vc chegar aos objetivos planejados, plano a, b, c etc…, que sejas iluminado, pois vai precisar. forte abraço Clovis Adauto, critico politico e teu vizinho.

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