Mundo

Néstor Kirchner: um estadista passional

Jorge Seadi

Néstor Kirchner foi, na última década, um protagonista central da política argentina, a quem dedicou toda a vida, desde a militância estudantil em Santa Cruz até chegar à Casa Rosada.

Kirchner foi um destes homens que fizeram da política a razão e o fim de sua vida. Desde o inicio de sua carreira em Rio Gallegos até hoje, foi um formidável construtor do poder e um estadista apaixonado, mas também passional. Foi uma figura controversa que encarnou o renascimento da discussão e o debate público após a derrota de 2001.

Muitos argentinos escutaram o seu nome pela primeira vez em 2003, pouco antes dele chegar a Casa Rosada. Mas antes já havia uma vida agitada, conduzida e condicionada pela política.

Em 2003, sua candidatura presidencial estava respaldada por anos de gestão em Santa Cruz, de onde trouxe vários anos de militância no Partido Justicialista e de onde havia se alçado a prefeito de Rio Gallegos, em 1987. Quatro anos mais tarde, assumiu como governador da Província de Santa Cruz, cargo para o qual foi reeleito por mais duas vezes.

Antes, nos anos 70, estudou Direito na Universidade de La Plata. Lá conheceu Cristina, com quem casou em 1975. Um ano depois, formado, voltou para Rio Gallegos e, junto com Cristina, abriu um escritório de advocacia. Tiveram dois filhos, Máximo (hoje com 32 anos) e Florencia (19 anos).

Depois de ser prefeito de Rio Gallegos, Kirchner se elegeu governador da provincia de Santa Cruz com 61% dos votos. Durante seu governo, reformou a constituição do estado permitindo a reeleição indefinidamente. Foi reeleito duas vezes em 1995 e 1999.

Para chegar a Casa Rosada, em 2003, foi fundamental o apoio de Eduardo Duhalde e as decisões econômicas de Roberto Lavagna. A desistência de Carlos Menem, no segundo turno, deu-lhe a vitória.

No começo de seu governo, enfrentou muita oposição e foi, aos poucos, mostrando seu estilo de governar. Um destaque dos anos Kirchner foi a declaração de moratória unilateral, não pagando ao FMI. Ao mesmo tempo, estreitou relações com os países da América Latina e seu principal sócio estratégico foi Hugo Chávez, da Venezuela.

O fortalecimento econômico e um estilo de governar vertical o levaram a um grande acúmulo de poder em muito pouco tempo. Quando deu posse a sua mulher na presidência, disse que iria se retirar e escrever uma autobiografia, mas nunca deixou de continuar a fazer política como em toda a sua vida. Apesar de seus problemas de saúde. Apaixonado e passional.

Com informações do Clarín

Comentário (1)
» Deixe seu comentário
Pingback de: O NOSSO VIZINHO DO SUL « Vital Caló Vereador | 28 de outubro de 2010 | 12:09

[...] Néstor havia sido militante da Juventude Peronista, advogado, prefeito de Río Gallegos e duas vezes governador de Santa Cruz, província isolada dos centros decisórios do país. Não era exatamente um político conhecido. Quando se candidatou, em 2003, o que mais se ouvia é que se tratava de uma “marionete” (títere) de Eduardo Duhalde. Obtém, no primeiro turno, 22%, conquistando uma vaga no segundo contra Menem, que conseguira 24%. Quando as pesquisas começam a indicar que Kirchner venceria com mais de 70% dos votos, Menem se retira da disputa. A pancadaria verbal que lhe dirige Néstor, acusando-o de irresponsável, por colocar em risco a democracia, já dava uma ideia do que seria o governo do sujeito: ele não tinha papas na língua. [...]

* Campos obrigatórios
O espaço de comentários do Sul21 pode ser moderado.
Não serão aceitas mensagens:
  1. que violem qualquer norma vigente no Brasil, seja municipal, estadual ou federal;
  2. que contenham conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou que desrespeite a privacidade alheia;
  3. que contenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas;
  4. que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica;
  5. de cunho comercial e/ou pertencentes a correntes ou pirâmides de qualquer espécie;
  6. que caracterizem prática de spam;
  7. anônimas ou assinadas com e-mail falso;
  8. fora do contexto da matéria;
  9. exclusivamente em caixa alta.